MAU PRESSÁGIO
Deputados Conclamam Novas Manifestações Massivas
Quando a classe política pauta a sociedade, e chamando-a às ruas, evidencia que algo está errado. Para onde querem levar o Brasil?
Publicado no Observatório da Imprensa3 de agosto de 2013A Câmara dos Deputados tem convocado novos protestos em massa por parte da sociedade brasileira, sugerindo como suposto foco "eles [os políticos] não me representam", frase a ser levada em cartazes conforme sugerido exatamente por "eles", os políticos que realmente não nos representam.
Os deputados federais, em parceria com o Senado, têm sido o maior entrave para que a parte consciente e legítima das vozes das ruas não seja colocada em prática pela presidente Dilma Rousseff, especialmente a própria reforma política. A presidente sim, tem se colocado, no discurso e na prática, ao lado da sociedade e praticamente sozinha frente à grande omissão inclusive de seu próprio partido.
Qual a posição desta mesma Câmara quando os principais representantes dos poderes constituídos se comportaram com escárnio frente às demandas das ruas, utilizando-se de jatinhos da Força Aérea Brasileira para ir a festas e jogo da seleção brasileira de futebol na Copa das Confederações? Totalmente omissa, passividade conivente.
Por que a Câmara não se pronuncia sobre os escândalos de corrupção envolvendo o governo do PSDB e as obras do metrô em São Paulo, além da constante repressão policial contra manifestantes locais a exemplo do que ocorre em todo o país?
É evidente que os interesses da Câmara não são os da sociedade, resta saber quais suas motivações para que as massas tomem as ruas novamente. O tendencionismo politiqueiro em meio a isso tudo, em coro com a mídia predominante e tudo o que sabemos a seu respeito, está mais que claro, inversamente proporcional ao foco dos protestos: desgastar o governo. Até quando, até onde e par deixar o Brasil nas mãos de quem, é a dúvida que paira no ar, e não é de hoje.
Tais fatos, para nem se discorrer no histórico de defesa de interesses próprios, ausência de prestação de contas, corrupção e o próprio distanciamento da sociedade que marca os congressistas, curiosamente deixando à população a única responsabilidade de se manifestar agora, e contra tudo o que defendem nesta suposta "Primavera Cidadã" que, desde o início entre manipulação e Estratégias de Tensão comprovadas, exala o cheiro de atentado ao Estado democrático.
Manuel Castells, sociólogo espanhol, fez esta análise no programa
Capital Natural da TV Band News, em 29/7: “Muitos manifestantes não sabem o que está errado, mas sabem que há algo errado e saíram às ruas”. Neste sentido, o jornal
The New York Times perguntou a uma manifestante o que ela pretendia, e a resposta foi: "Nós queremos tudo, e agora". São apenas alguns exemplos das inúmeras evidências de alienação que envolve os protestos que varrem o Brasil hoje. A falta de representatividade de movimentos para que o governo possa negociar e, mais grave, de objetivos claros, leva o Brasil a andar em círculos que tendem apenas a agravar o Estado de direito.
Quando a classe política pauta os cidadãos, mais ainda para que saiam às ruas em massa, evidencia que algo não está bem - nos porões do poder, onde
pauzinhos certamente estão sendo mexidos, e no seio da própria sociedade civil, em geral despolitizada, sem senso cidadão e, conforme desde o começo de tudo e bem antes disso temos apontado, instrumento de massa de manobra mesmo em situações com faces legítimas como destes protestos que se estendem e, de benefício prático, não têm trazido praticamente nada ao Brasil.
Afinal, para onde querem conduzir o Brasil? Enquanto sociólogos não explicam o que ocorre no Brasil, ou quanto mais tentam explicar menos se entende e mais dúvidas lançam ao ar, quem sabe nos ajude a encontrar uma resposta o nerd e mais novo brasilianista Mark Zuckerberg, proprietário do Facebook cuja rede social, elaborada e financiada por seus padrinhos da CIA [Inteligência dos EUA que, segundo telegramas secretos revelados por
WikiLeaks, promoveu protestos massivos no Egito e na Síria (traduções exclusivas
aqui)] além de censurar e bloquear jornalistas e meios alternativos brasileiros sem nenhuma justificativa neste momento dos mais críticos da história do Brasil.
O mesmo Zuckerberg, “ativista pró-Brasil” que também surpreendeu vindo a público logo no início das manifestações, com cartaz que continha as inscrições
Change Brazil (Muda Brasil) no momento exato que jornais conservadores norte-americanos e britânicos, vozes oficiais da Casa Branca {a qual teve o Brasil como mais vigiado do mundo em janeiro deste ano, cujos dados sigilosos de instituições e cidadãos têm sido entregues também pelo
Facebook, máquina de espionagem segundo havia revelado
WikiLeaks [leia artigo
aqui, (role a tela)]}, entusiasmavam-se com as mobilizações populares daqui.
Sintomas não faltam para que se aponte atentado à democracia no Brasil hoje. A revista
Caros Amigos de julho foi a única a publicar, ao lado de alguns artigos do semanário
Brasil de Fato no início das manifestações, questionamentos de sociólogos e historiadores sobre manipulação e influência externa em questão – sem análises de seus jornalistas, é verdade, e sem uma mínima abordagem editorial que fosse.
Comunicador não é bidu, não é esperado que adivinhe, não é prioritário acertar ou errar previsões, mas é sim, ou deveria ser construtor social da realidade a partir da precisão na veiculação dos fatos e da consideração de todas as possibilidades: por que ninguém está querendo ver agora? Tanto ceticismo em relação às capacidades do Império e de uma classe dominante local (ambos historicamente golpistas quando seus interesses estão em questão), mesmo com todas as revelações de espionagem (nenhuma novidade, mas em níveis comprovadamente alarmantes) classificadas pela "grande" mídia de mera "bisbilhotice"? Por que esta minimização que também serve para descontextualizar fatos? Ainda que se tenha na conta da nossa história o golpe militar de 31 de março de 1964, cuja impulsora foi a
Marcha da Família com Deus, pela Liberdade em março de 1964, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, impulsora da derrocada do presidente João Goulart e, março daquele ano, manifestação arquitetada e patrocinada pela CIA segundo documentos e testemunhas oficiais?
Passou da hora de sermos impopulares se for o caso – efetivamente o é –, encaramos a realidade, considerarmos possibilidades e constatarmos fatos por mais duro e por menos audiência que isso tudo possa proporcionar agora, em época de manifestações que nenhum sociólogo nem historiador explica - ou quando se explica, mais dúvidas gera -, ao passo que as evidências de mais uma massa de manobra encaixam-se naturalmente, perfeitamente. Isso, desde que não separemos o contexto nacional e global em “cadernos”, físicos e intelectuais conforme ditam os meios de comunicação deste país, e ensinam os fraquíssimos cursos de Jornalismo por aqui, grandes destruidores sociais da realidade e da capacidade de pensar.
não deixe de ler:
PROTESTOS URBANOS
Reflexões e Perspectivas
12 pontos fortemente sintomáticos de influência externa
"Há muito ainda a ser compreendido sobre o que tem acontecido nos últimos dias, muitas lições a serem tiradas disso tudo.
Se houver entendimento e souber tirar tais lições, significará que boa parte dessas manifestações aponta a uma mudança
positiva no conteúdo e na postura histórica da sociedade brasileira, alheia à vida política do país. O tempo mesmo dará
essa resposta, muito brevemente, e dependendo do caminho que o Brasil seguir nos próximos dias, a grande mídia tratará
de continuar desinformando e confundindo a sociedade por um longo tempo ainda, deixando-a à mercê da 'compreensão' do
que está acontecendo apenas nos livros de história algum dia, segundo a versão distorcida do poder corrupto estabelecido."
mais abaixo
POLITICAGEM ENDÊMICA
Defendendo o Correto, Oportunisticamente
Pegando carona nos protestos, PMDB defende correta e tardiamente redução ministerial, mas certamente não abriria mão de suas pastas. Quanto o oportunismo e a briga selvagem de pelo poder, envolvendo lutas internas no próprio PT, são realidade na sociedade?
26 de julho de 2013O PMDB, aliado ao PT no governo federal, tem pregado a redução ministerial, das atuais 39 pastas para 25, críticas que, com certa razão, têm desagradado a presidente Dilma Rousseff neste momento de incertezas, e queda vertiginosa dos índices de aprovação à sua administração.
O altíssimo número de ministérios criado pelo ex-presidente Lula da Silva tratou-se de mais do que erro político, mas de um oportunismo a fim de acomodar toda a
companheirada da dita governabilidade a qual, conforme sempre insistimos, colocava o poder antes da sociedade e da ética na política. A presidente Dilma garante que não mexerá em nada.
O PMDB agora, certamente, não aceitaria abrir mão dos cinco ministérios que lhe foram concedidos, Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Turismo e Secretaria da Aviação Civil, em nome da "governabilidade" e dos interesses do país antes do poder. Trata-se de mais um oportunismo, conforme temos abordado nestas páginas (principalmente em
Especial: Dias Para Mudar o Brasil),
pegando carona nas manifestações populares que varrem o Brasil hoje.
O ex-presidente Lula bem observou no dia 23/6, em sua conferência
Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino-americana e Caribenha, em Brasília:
Fiquem espertos porque ninguém vai querer acabar com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Defesa.
Vão tentar mexer é no Ministério da Igualdade Racial, no das Mulheres, no dos Direitos Humanos.
Essa gente que tentará, oportunisticamente, mexer em pastas como as acima muito bem apontadas pelo ex-presidente, é a mesma com a qual formou aliança já no primeiro mandato presidencial, vale enfatizar.
Tanto quanto o próprio PT (mas não apenas ele, pelo contrário, algo generalizado), rachado em seu jogo de interesses, vaidades e briga ferrenha pelo poder, faz agora em seu nada novo oportunismo político, afirmando que a presidente Dilma “passou do prazo” para reduzir as pastas ministeriais. Apenas agora se dão conta disso? Não éramos os que cobrávamos tudo isso que se tem requerido hoje, especialmente nas ruas, golpistas e extremistas?
O PMDB trata de tentar aturar o PT hoje por conveniência - e, nenhuma descoberta no campo da ciência política, na primeira oportunidade arrematarão o pé nos fundilhos do PT, e se estiverem de muito bom humor sem dar tiros a todos os lados, o que é improvável que aconteça. Isso deve acontecer na eleição de 2014, mas pode ser adiado de acordo com as costuras partidárias que se deem até lá.
Para prever isto que escrevemos em dezembro de 2012, aqui em
Uma Questão de Liberdade (
10 Anos de Retórica Petista e a Irregenerável Mídia Brasileira) e no
Observatório da Imprensa, valendo ataques de militante petista vendo seus interesses político-partidários confrontados, não se requer nenhuma bola de cristal: basta sobriedade e isenção para avaliar o sujo jogo pelo poder que não mede consequências neste país, o qual é absolutamente previsível sempre.
Por que o governo, especialmente a presidente Dilma, enfim, não abre mão do PMDB agora? A escusa sempre foi a tal "governabilidade", sem apoio das massas, algo contundentemente contestada por nós desde o início. E por que não se fazer profunda faxina ministerial, afastando personagens que não ouviram às ruas, ao contrário do que a própria presidente, desde o início, garantiu estar disposta a fazer?
A presidente Dilma está perdendo a maior oportunidade de sua vida e da história do Brasil de revolucionar a política do país, de transformar esse sistema endêmico com consequências drásticas à economia, sociedade etc - embora muito não dependa apenas dela, mas de aprovações de um Congresso viciado.
Desfazer as alianças nefastas e reciclar os ministérios seriam as primeiras medidas a serem tomadas pela presidente para mudar o cenário político brasileiro, algo que dependeria apenas dela. E não faz isso por que, os políticos de seu partido estão moralmente reféns daqueles com quem se aliaram?
E Eu com Isso?
Enquanto se sai às ruas vale deixar a pergunta à sociedade, em especial às classes média e alta (pelas condições de vida e maior acesso à informação e educação) por mais impopular que seja tal indagação: a postura de peemedebistas e petistas exposta aqui, resume-se à política ou faz parte da vida cotidiana da sociedade? Tal caráter se esvaiu da nação tão repentinamente quanto ela saiu às ruas? O quanto estamos dispostos a executar a Primavera Cidadã dentro de nós, no dia a dia? Quanto os protestos são realmente fruto de amadurecimento democrático e consciência cidadã?
A vida cotidiana mais prática não aponta respostas a nosso favor, e se não mudarmos o quadro a pretensa Primavera será efêmera e inócua, consolidada como mera onda de protestos, a sociedade será usada (e já está, em grande medida) como massa de manobra e tudo seguirá como sempre esteve - ou até piore, cenário nada improvável.
Caráter abre o entendimento e gera brio, exatamente o que a sociedade mais precisa agora. Até para que as ruas não terminem como em 1º de abril de 1964, dia da mentira que insiste em se perpetuar desgraçadamente neste país, quando o Exército saiu às ruas e elas ficaram vazias, absolutamente desertas surpreendendo ao presidente João Goulart, com índices de aprovação recorde até então.
É verdade que o sistema corruptamente endêmico é, em grande parte, responsabilidade do Estado desde a era colonial, mas muito também depende de cada cidadão, especialmente nesta era da informação global em tempo real. Agora, ou tudo ou nada no Brasil: ou nosso compromisso é realmente com o país tendo início na consciência cidadã, ou as ruas terminarão vazias no primeiro grito mais sério que forças militares derem, ou seja qual for o vento opressor - por exemplo, esta ventania midiática artificial que pauta e manipula a seu bel-prazer - de seus patrocinadores - as próprias manifestações. Ventania esta, tão artificial quanto os protestos que varrem o Brasil hoje? Eis a questão...
A sociedade organizada neste ideal é o que faz a diferença. Uma questão de liberdade.
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Consciência Cidadã e Novos Horizontes
21 de julho de 2013Enquanto se tornam mais localizadas e se mantêm as várias faces, algumas profundamente intrigantes envolvendo estes dias que varrem o Brasil, e permanecem até agora os sinais de que a vida política do país não mudará para melhor, apesar da boa-vontade e certa eficiência da presidente Dilma Rousseff, autoafirma-se e se sobressai a face mais positiva dessas mobilizações populares.
Após longo período de hibernação societária profunda (saltemos as precárias, completamente artificiais manifestações contra o então presidente Fernando Collor de Melo em 1992), com
todos os motivos mesmo nestes mais recentes anos para que se protestasse intensamente, se tudo o que diversos cidadãos precisavam era de um impulso, o efeito dominó para se tornar sem vergonha em seu melhor sentido e manifestar toda a sua indignação e revolta contra um sistema excessivamente desumano, corrupto, opressor, explorador, muitos têm aproveitado muito bem o empurrãozinho entre grande parte de maus cidadãos e alienados levados como onda.
Mas se grande parte da saída às ruas se deve ao efeito dominó, a uma onda e não da conscientização que gera plena disposição ao ativismo e à mudança, elas serão efêmeras. Temos indícios para fazer constatações, apesar da grande nebulosidade disso tudo ainda.
O dia a dia é o maior termômetro da consciência cidadã, e ele continua apontando temperatura baixa:
jeitinho, apatia, indiferença, excessiva passividade, individualismo, oportunismo, competitividade onde deveria haver solidariedade, forte caráter discriminatório, reacionário, alta fragmentação, preguiça intelectual e física, grande conservadorismo intensamente hipócrita etc. A constância dessas manifestações no futuro e a vida diária, sobretudo (aquela consequência desta, do contrário aquela é artificial), dirá exatamente o quanto se amadureceu no Brasil.
A autocrítica é fundamental sempre, e agora, mais que nunca. Os fatores apontados acima pesam contra a sociedade e momentos de lutas como esse. Conforme observamos em
O (Eterno?) Autoengano Democrático do Brasil, na seção o
Brasil no Espelho:"(...) Se o Brasil quiser realmente mudar para melhor algum dia terá que passar antes, inevitavelmente, por essa dura revisão de sua identidade".
Ainda não passamos por esse processo, pelo contrário, vivemos em uma terra das mais profundas ilusões, fruto também da ditadura militar ufanista: "Prá frente, Brasil", Melhor país do mundo para se viver", Brasil: ame-o ou deixe-o". Nossa sociedade em geral é tão dessituada, que nem latino-americana se sente.
Abaixo, relato de RMA, 34 anos anos, médico e portador do HIV há dois anos citado na revista Caros Amigos de julho deste ano, na reportagem de Marina Pecoraro,
Aids: Momento É Crítico:
Sabia que do ponto de vista da doença não era tão grave e nem me mataria em poucos meses, mas do ponto de vista social me vi em um drama que nunca imaginei. De repente, me senti em uma sociedade secreta onde nada pode ser dito, em um lugar repleto de culpa, vergonha e maldição. Por se uma doença relacionada ao sexo, ao descontrole e a excessos, a Aids é repleta de estigma e preconceitos.
Essa declaração dramática, que não se resume ao Brasil, mas aqui tal espírito reacionário e discriminatório é notadamente bem mais acentuado, sintetiza de maneira clara e objetiva o que estamos colocando aqui e temos firmando nesta e nas mais diversas páginas na Internet a fim se despertar para a conscientização e apontar possíveis caminhos a seguir dentro do que acreditamos corretos.
Concorde-se o não com observações aqui expostas, (gerais, não individuais), parcialmente ou em sua totalidade, é preciso que pensemos o Brasil, o que se está fazendo aqui e em, geral, tampouco se faz, nunca se fez mesmo no meio acadêmico, também imposto de cima. Prova disso são as reações nervosas quando se faz tais apontamentos fundamentados em fatos, na realidade cotidiana nua e crua, o que seguiremos fazendo nas linhas a seguir: simplesmente os fatos. Isso tudo pode nos ajudar a precisar onde estamos, e para onde iremos. Em antítese à análise e sóbrias contra-argumentações a elas, o espírito reacionário a essas análises, por mais duras que sejam, são a essência da falta de conscientização revelando consigo o fruto da imposição de ideias ou até de uma defesa vazia de interesses, em muitos casos da "pátria de chuteiras" acima das críticas como ditatoria: "a força excessiva é o sinal da fraqueza", já pensava o filósofo.
Mas amadureceu-se alguma coisa ao longo destes anos entre assustadora pobreza ideológica nas mais diversas tendências, setores e classes sociais, e em todos os partidos) e nem poderia ser diferente na era da informação global em tempo real, talvez bem abaixo da média mundial (sem dúvida, bem menos que demais países latino-americanos, historicamente bem mais politizados: basta observar como se deu golpes militares naqueles países enquanto aqui, mais fácil que tomar doce da mão, além de terem todos lutado por independência, aqui imposta, e proclamado logo República, aqui regime imperial por 67 anos), e no decorrer dos próprios protestos certamente se tem acumulado senso cidadão a servir de bagagem e, tomara, hoje mesmo mudar esse sistema falido que pode ser derrubado apenas através da força das ruas. E a rua pode vencer. Apesar da mídia, apesar dos políticos, apesar das forças repressivas de uma semicolônia autoritária, apesar da própria sociedade em grande parte reacionária, apesar de todas as adversidades a rua pode trazer o novo Brasil, possível.
Muito mais que as redes sociais e a possibilidade de mobilização sem precedentes que trazem consigo, diversos movimentos sociais - muitos apartidários como o Passe Livre (MPL) além de ativistas ambientais e por direitos humanos - têm se desenvolvido nas últimas décadas a que pesem a repressão governamental (inclusive petista) e a ausência de cobertura midiática que trata de criminalizá-los (não faz isso nestes dias motivada, na melhor das hipóteses, por oportunismo conforme temos evidenciado nestas páginas). A que pesem os pífios "investimentos" em educação, que colocam nossa semicolônia de bananeiras na última posição mundial neste quesito.
Sistema de Ensino: Emburrecimento como Política de Estado e Lei de Mercado
Durante a ditadura militar (1964-1985), nosso sistema de ensino passou por uma fase de emburrecimento social que talvez só possua antecedentes na era imperial ou até mesmo, proporcionalmente, colonial do Brasil: foi amplamente "ajudado" pelo USaid, órgão governamental dos EUA (colonialismo moderno em forma de "ajuda", o mesmo expulso da Venezuela e da Bolívia após ter sido um dos mais fortes instrumentos da CIA na tentativa de aplicar golpes de Estado contra os presidentes eleitos, Hugo Chávez e Evo Morales, respectivamente) que tratou de exportar sua decadência intelectual e moral ao nosso país, antes de tudo despejando bilhões de dólares além de enviar seus programas de paradigmas e diretrizes. A educação se tornou um negócio para poucos, amplamente elitizado entregue às leis do lucro sob restrita supervisão estatal quanto ao conteúdo do que se ensinava.
Logo que os EUA "impuseram" a redemocratização latino-americana em meados dos anos de 1980, frente a uma então União Soviética se dissolvendo, nosso sistema de ensino passou da repressão oficial para ser guiada pela mercantilização absoluta, levada às últimas consequências: escolas e universidades passaram a vender o produto aula para um público maior, para consumidores de ensino que
enchiam a linguiça das tabelas estatísticas.
Conforme aponta o filósofo Franklin Leopoldo e Silva, professor da USP: "Quando você democratiza, oferece o melhor ao maior número possível de pessoas; quando massifica, nivela por baixo e oferece o pior a um maior número de pessoas" (citado por Natália Viana em
Formados para o Mercado na revista
Caros Amigos, pág. 16, edição especial
A Direita Brasileira de outubro de 2008). Foi exatamente assim que se deu a catastrófica transição do sistema educacional da era ditatorial à "democrática".
Conforme apontamos em
Golpes Militares na América Latina - Brasil,
Um exemplo bastante prático dessa "venda" cultural do Brasil que ainda persiste são os números citados pela Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), publicados pelo jornal A Nova Democracia de novembro/dezembro de 2008 (Archibaldo Figueira): em 18 de outubro de 2007, Ernani Torres deu conta de que 3.875 prepostos do capital financeiro internacional completaram uma injeção de 412,5 milhões de dólares para assumir 80% do SEB (Sistema Educacional Brasileiro S.A). Com US$ 478.773.750,00, cerca de 12 mil estrangeiros assumiram 70% do controle da Kroton, criadora da rede Pitágoras e, com US$ 446.940.000,00 ficaram com 64% da Estácio de Sá, em um negócio para o qual cada aluno foi "avaliado" em R$ 10.800,00.
Em 12 de março do ano passado, 14.651 investidores estrangeiros desembolsaram 512,5 milhões de dólares para abocanhar 76% do capital da Anhanguera Educacional, complexo de ensino que possui 51 unidades distribuídas nas regiões Sul Sudeste e Centro-Oeste do Brasil congregando 140 mil alunos, rendendo cada um 18,8 mil dólares. (A Nova Democracia).
Nas faculdades do Brasil hoje, além da péssima qualidade de ensino o que menos de promove são debates, pelo contrário, há aversão à discussão dentro daquilo que deveria ser o núcleo de novas idéias e da promoção da intelectualidade do país.
Para piorar o cenário, neste anos no governo federal o PT manteve os pífios "investimentos" históricos em educação: em 2011, foram 2,99% do PIB, e em 2012, 5,1% pelos quais seguimos o último país do mundo com gastos proporcionais neste setor. Botsuana, país africano, aplica 10% do PIB em educação.
Desta maneira, e nem poderia ser diferente, lá tal qual cá:
Há que se ter ensino em massa. A razão é que milhões estão podendo votar, e deve-se educá-los a fim de que
não incomodem. Em outras palavras, deve-se treiná-los para a obediência e servilismo, para que não pensem
como o mundo funciona e, assim, não vão depois pegar no pé deles. (...) As escolas são projetadas para ensinar
o que vai cair na prova. Não existe a preocupação com a capacidade dos alunos de pensar, de se superar, de
levantar questões. (...) Isso acontece em toda parte. E possui a evidente técnica de emburrecimento da população,
e também de controlá-la. Para a maioria das pessoas, não há escolha. É o mesmo que dizer que todos têm
a chance de se tornar milionários.Tudo isso é uma forma de transformar a população em um bando de imbecis.
(Noam Chomsky em Truth Out, Estados Unidos) Apalhaçamento Midiático: Alma do Negócio
Quanto à mídia, ao contrário do que ocorre em países mais avançados democraticamente (inclusive nos próprios Estados Unidos, de cujos principais jornais - paradoxalmente enquanto opositores ferrenhos e vazios às Leis de Imprensa - os nossos traduzem reportagens, bem como nossas emissoras de rádio e TV nelas se pautam), a nossa não é regulada, ou seja, não possui leis a serem seguidas em descompasso a todas as instituições e cidadãos. Portanto, falsamente em nome de liberdade de expressão, o que a mídia predominante deste país defende é sua liberdade de empresa que mantém e acentua os oligopólios midiáticos além de contrariar a Constituição que proíbe políticos detentores de cargos eletivos controlarem concessionárias de serviço público.
Sobre isso, reporta o jornal semanal
Brasil de Fato:
Diversas emissoras afiliadas da Globo pelo país são controladas por políticos envolvidos em inúmeros casos de corrupção.
No Maranhão, a família Sarney controla a TV Mirante; em Alagoas, Fernando Collor responde pela Gazeta.
(...) A Organizações Globo é a empresa de comunicação que concentra 73% da verba pública de publicidade.
A Globosat detém 38 canais e tem poder de veto na definição dos canais da NET e SKY, que juntas controlam 80% de assinantes.
Em grandes cidades como Rio de Janeiro, a Globo controla os principais jornais impressos, TVs e rádio.
Se houvesse regulação da mídia, ela não seria controlada no conteúdo, estaria livre para publicar, mas sim regras conforme abordado mais acima, ela seria controlada na forma: a lei preveria direitos de resposta, informações acuradas, impediria esse oligopólio das empresas de mídia, fortaleceria as emissoras comunitárias enfim, não ocorreria a vergonha que ojornal mineiro O Tempo fez com a entrevista de Malalaï Joya, totalmente cortada e modificada, enviada a nós e publicada, na íntegra, no livro
Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" - ou ocorreria, mas o jornal teria que responder perante à Justiça pelo que fez.
Pois a mídia de alcance massivo, formadora de opinião, é o perfeito retrato do nível de amadurecimento societário em qualquer país.
"Procure Direitos na 'Justiça', Otário!"
Em relação às mais diversas instituições, o sistema brasileiro é totalmente verticalizado, baseado no velho, importado e nefasto
Big Stick (Grande Porrete), exportado também por Tio Sam personalizado no presidente Theodore Roosevelt e continuado por seus sucessores, em maior ou menor medida em determinados casos. Isso significa que nada pode ser questionado: aquele em posição mais privilegiada sempre tem a geralmente dura sentença final, ainda que um prestador de serviços contra clientes.
Além de termos sido secularmente adaptados a esse método de vida, desde a época colonial e imperial não há espaço no país para reivindicar nossos direitos, nem sequer fazer ecoar nossa voz. Fomos o último país a deixar o sistema monárquico para proclamar, na marra, a República em 1889. Um ano antes, verticalmente o Brasil fora o último do mundo a abolir a escravatura: tal sistema já não interessava mais ao mercado britânico. Mais uma imposição.
É muito comum por aqui, cheios de razão, ouvirmos nos mais diversos estabelecimentos o
tapa na cara moral, cheio de ironia desafiante: "Então, vá à Justiça buscar seus direitos". A
velha pizza esfregada impiedosamente na cara da sociedade que a sufocava dia a dia, mas não necessariamente a mantinha generalizadamente indiferente, ao contrário de nossas percepções.
Internet como Arma Social: Fim da Dieta de Sapos
Pois aí entra a Internet. Este observador, profundo indignado com esse sistema, já acionou a
metralhador de correios eletrônicos: mensagens e Cartas Abertas (algumas delas publicadas nesta página) enviadas a corruptores das leis (geralmente, instituições particulares, Câmara dos Deputados e políticos), enviadas não apenas a eles diretamente mas também coletivamente aos mais diversos contatos entre emissoras de TV, rádio, jornais, revistas, políticos, empresas, até protestos à Embaixada e consulados dos EUA no Brasil, etc, expondo o que existe de mais podre enraizado em nossa sociedade.
É também uma forma de tentar mexer com as pessoas, com o brio delas mesmo com as que nada têm a ver com o
barraco. Sempre a esperança de contagiar as pessoas no sentido de se manifestar, de não aceitar passivamente a imposição e a corrupção. E quem sabe, levar alguma consciência, constrangimento, vergonha na cara de nossos concidadãos acostumados com o nunca dá em nada, mostrando que podem estar sob ameaça de algum tipo de exposição sem poder se defender - portanto, é sempre melhor não arriscar e mudar os hábitos da relação
casarão-senzala que marca nossa sociedade.
Pois muito mais que algo doutrinário, didático, o acionamento da metralhadora virtual se dá devido à intolerância crônica com a corrupção, e pior, a seguida de descaso cínico, e a anos de
pizza esfregada na cara recheada de falso moralismo. A Internet veio como pacote do céu para os indignados há anos sem voz, tendo que se submeter a uma verdadeira dieta de sapos - que souberem aproveitá-la, apesar do grande dilema que envolve a insegurança que ela traz consigo.
Obviamente, o
rabinho entre as pernas acaba sempre enfiado por parte dos sem vergonha nenhuma entre quatro paredes, mas que temem até a morte um bom escândalo público, expondo o que há de pior neste país. Após o endêmico descaso em particular, os corruptores achariam que morreriam no acaso, mas a Internet permite que isso seja mudado, logo a realidade exploradora. Para o politicamente correto, é melhor um mau acordo que uma boa briga, mas isso não é nada bom para a vida do Brasil, e por essa lei somada à de Gérson -
tanto quanto possível, levar vantagem em tudo -,
todo mundo faz,
todos erram e achado não é roubado, imperantes nesse país que encontra os mais precários argumentos para justificar o que existe de pior.
Copa das Manifestações: "Basta!"
Nunca um grande evento mundial (no caso de junho, a Copa das Confederações que se transformou na das Manifestações) havia tido seus holofotes voltados a protestos como no Brasil, dada sua magnitude. O brasileiro está menos adormecido, sim, embora em grande parte contenha as maléficas características apontadas no início. Mas indubitavelmente, deu um espetáculo a nível mundial na Copa das Manifestações!
A soma de todos esses fatores - uma sociedade exausta, de certa forma despertando à realidade através das manifestações locais ao longo dos anos impulsionadas por movimentos sociais e ativistas por direitos humanos, a imediatez das informações que dificultam a sustentação de falsos cenários, e a capacidade organizacional das redes sociais - evidentemente têm levado as massas as ruas.
Mantidos todos os sintomas e cada vírgula mais contida nesta seção Dias para Mudar o Brasil, inclusive a possibilidade de influência externa, observações em outras seções, especialmente em
O Brasil no Espelho, possui verdade relativa: a sociedade brasileira não é exatamente a mesma, está menos sonolenta. De alguma maneira o Brasil mudará no futuro, fruto dessas semanas de mobilizações, e são inúmeras as possibilidades:
1. Mudança radical, derrubada da falsa democracia representativa,junto de seus atores ladrões, e instalação de uma democracia plena (improvável); 2. Governo enfraquecido, por sua incapacidade em atender às reivindicações ou por manipulação midiática, e derrota eleitoral em 2014; 3. Governo fortalecido (ouvindo as ruas e tendo a capacidade de vencer mídia, Congresso e classes dominantes, ou através de demagogias e muito marketing), vitória eleitoral ainda mais folgada que a anteriormente prevista, aprofundamento de políticas sociais e abertura de mão das alianças orgíacas (não haveria mais desculpa de falta de apoio popular); 4. Cassação do mandato presidencial (certamente, em pauta secreta entre a oposição, política e midiática); 5. Golpe militar (sempre latente no Brasil).
O que não pode voltar a ser a mesma, é a passividade do brasileiro. Ao menos de modos mais localizados, deve haver avanços. Espíritos amplamente participativos são possíveis com os investimentos em educação, politização e efetiva inclusão social que não têm existido.
Hipocrisia à Esquerda - e Joias Raras no Mesmo Sentido
Em meio a tudo isso, vale destacar o melancólico papel de
jornalecos e
saitecos, empesteados de militantes petistas que hoje desconversam sobre as manifestações como era de se esperar. Não são nada analíticos, limitando-se a "isso é fruto de avanços, a sociedade quer mais e melhor - e tem razão" conforme o militante e porta-voz do PT, e da própria dita esquerda brasileira, Emir Sader, enquanto os "comentaristas do povão", militantes petistas também, saem-se com "a sociedade não está politizada", "não há organização", nada disso para se fazer uma abordagem crítica, advertir construtivamente e fortalecer as reivindicações, mas para deslegitimar as mobilizações populares (que sempre defenderam - contra outros governos) e safar-se das velhas retóricas, deste tipo: "o povo está feliz, e isso é o que importa", "vamos ouvir o povo", "você é da direita reacionária com a mídia golpista, ou da ultra-esquerda para ficar criticando o PT?", pateticamente palradas para, cinicamente, fugir dos debates de outrora, quando se apontava críticas ao governo. Pois aí está a voz do povo pela qual tanto prezavam, ressoando dia a dia como o próprio PT nunca teve competência de fazer quando era oposição.
Sectarismo e interesses político-partidários no estágio mais avançado. Tão ridículos que os portadores dessa miopia intelectual e moral não são capazes de enxergar a que se prestam. Mas, enfim, o alvo deles é outro, a mentalidade está bem distante dessa discussão e do que, em certa medida, toma conta do Brasil.
São militantes falando para militantes, trocando farpas contra seus desafetos enfim, não falam a linguagem da sociedade, não raciocinam como os cidadãos de quem vivem completamente distantes, em grande ou total descrédito: mentalidades viciadas de
politicagem.
Cumprimente-se a brilhante cobertura jornalística de
Caros Amigos,
A Pública e
Brasil de Fato, sem tendencionismos apresentando diversidade opinativa e amplas reportagens do que tem ocorrido nas ruas, com rara fidelidade, jamais hesitando em apresentar os problemas (muitos deles graves) enfrentados pelo Brasil, dando a eles a devida importância.
O Tempo Dirá: Ditamos o Destino, ou Fomos Novamente Ditados pelo "Casarão"
De acordo com ele [dr. Fábio Konder Comparato, jurista], os brasileiros ainda têm a mentalidade e os costumes marcados por séculos
de escravidão e precisam se desvencilhar da submissão e passividade. '(...) Para mudar tudo isso, é preciso um trabalho longo
e contínuo de educação cidadã. Isto, evidentemente, a partir de um trabalho de contínua denúncia dessa situação oligárquica"
Entrevista do dr. Comparato ao jornal Brasil de Fato O quanto a sociedade realmente despertou e adquiriu maior senso cidadão é algo impreciso, muito difícil de ser dimensionado neste momento embora o dia a dia insista que segue enraizado seu caráter apático, individualista, reacionário, de maneira geral. Há realmente os levados pela onda nestes dias de manifestações, há a possibilidade de artificialidade praticada pelos porões do poder ao impulsionar e seguir incitando parte disso tudo, o que o tempo também poderá evidenciar, ou não.
Ficaram faltando protestos pela Lei de Anistia e em favor da Comissão da Verdade, pela espionagem massiva dos EUA no país, pela negação ao pedido de asilo a Edward Snowden, por coroneis em nossa políticas acariciados pelo PT, tais como José Sarney, Paulo Maluf, Renan Calheiros, etc. Estes são alguns pontos fundamentais, inaceitáveis que fiquem de fora se devemos acreditar que tudo o que varre o Brasil é fruto de conscientização, e não de mera onda mais ou menos ao estilo Fora, Collor de 1992 e de tantos outros dentro e fora do país. Como pode uma Comissão da Verdade não ser sequer mencionada? Além de estar faltando na prática do dia a dia a consciência cidadã, advinda de amadurecimento democrático.
Mas também é realidade que parte dos brasileiros não está a mesma em matéria de consciência e ativismo, e oxalá tudo isso que varre o Brasil confirme-se como Primavera Cidadã (improvável), persistente a começar dentro de nós no dia a dia e nas mais diversas circunstâncias conforme alegado na apresentação, na janela acima. Se após tudo isso não cometermos o desastre de nos recolhermos cada um aos seus problemas como diz o vezo popular, então significará que avançamos bem mais do que agora mesmo parece.
Em parceria com a "grande" mídia e até com determinados veículos de informação ditos "alternativos, a hipocrisia à esquerda, e com os oligarcas da nossa política, o sistema de ensino brasileiro, com especial destaque às universidades, segue imbecilizador em massa, a sociedade está abarrotada de informação sem conhecimento, mas há setores transformando-se para bem melhor.
Ainda há muito a ser feito pelo povo, e que essas manifestações não sejam mais uma medida legítima a servir predominantemente aos interesses imperialistas, relegando a sociedade ao seu lugar de sempre, usando-a apenas como massa de manobra. O perigo é histórico, e existe.
Massa de Manobra Novamente, Não!
Nunca, jamais devemos nos esquecer disto: a
Marcha da Família com Deus, pela Liberdade, foi arquitetada e financiada pela CIA em parceria com a "grande" mídia e com as classes dominantes brasileiras, levando às ruas do país em um só dia um milhão de pessoas - apenas em São Paulo, na região do Vale do Anhangabaú, 500 mil cidadãos da classe média e alta foram manifestar sua "ânsia por democracia" inclusive com terços nas mãos. No final, o senso cidadão acabou sufocado e a "Revolução Democrática" era um golpe autoritário que derrubou um presidente democraticamente eleito, sem nada que pudesse condená-lo, cujo regime sucessor torturou e assassinou inocentes de maneira totalmente arbitrária, governando com mão de ferro jamais vista na história do Brasil.
Pois a história costuma se repetir, e tragicamente entre sociedades sem memória e que não resolveram seus problemas com o passado - nós não encaramos nossa história ainda, enquanto a impunidade é sempre o prenúncio de tal repetição. Mais que nunca, o Brasil precisa do senso cidadão e combatente ou seremos eternamente combatidos.
Mais recentemente, as "Primaveras" no norte da África e Oriente Médio se mostraram uma mentira no desenrolar dos protestos, tendo a causa popular sido abafada e a mesma opressão de sempre ou até pior tomado o lugar em nome dos interesses das elites globais: segundo documentos secretos liberados por
WikiLeaks, novamente a CIA, em nome dos interesses econômicos e regionais dos EUA, injetaram bilhões de dólares nos respectivos países, usaram "órgãos não-governamentais" fantoches, as mídias locais e redes sociais para jogar milhões de cidadãos às ruas como meras massas de manobra.
Se tudo isso for consequência de mera onda passageira, efeito dominó e não de conscientização conforme colocamos no início, a democracia inevitavelmente sairá enfraquecida destas manifestações, e a mídia continuará cooptando, pautando e manipulando-as até sua posteridade, a fim de atingir objetivos escusos, os quais passam bem longe de democracia e de justiça social. O monopólio da desinformação e seus sustentadores são impiedosos quando está em jogo sua acentuada patologia do poder.
Geral ou Numeradas?
O sistema vive de, sustenta-se em crises, exploração, opressão e, consequência disso tudo, de insatisfações. Geralmente, elas ficam guardadas a nós mesmos ou abafadas pelo poder do Estado escorado na mídia de massa. Negros vc brancos, pobres vs ricos enfim, são várias as formas que o poder estabelecido usa para fragmentar a sociedade. Embora legítimas e contendo grandes verdades, se as vozes das ruas hoje não advierem do senso cidadão, ecoarão tão profundamente na vida do país quanto as vozes das gerais dos estádios de futebol Brasil afora: barricadas e protestos até contra a ida do homem à Lua em que se extravasa exatamente todo o colocado nas primeiras linhas deste parágrafo, e no dia seguinte à partida, na segunda-feira estão todos~se abraçando fraternalmente inclusive confraternizando-se com a senhora mãe do técnico e do árbitro do jogo. No domingo seguinte, estarão essas massas batendo palmas entusiasticamente ao mesmo técnico e árbitro e todo o elenco de ogadores, e pedindo-lhes autógrafos.
O poder estabelecido já nos jogou na geral há 513 anos, e isso nunca mudou na essência. Trocar a posição e passar a frequentar as numeradas não é tarefa fácil, requer mais que vontade, mais que plena consciência: requer brios, muito compromisso cidadão e, nesta fase que adentramos nas manifestações, organização. Por fim, podemos ser condutores do nosso destino, mas o preço é alto. E vale a pena pagar por ele, afinal de contas, a vida é uma só.
PROTESTOS URBANOS
Estratégia de Tensão sem Fim
18 de julho de 2013, com Brasil de FatoA Estratégia de Tensão abordada nesta página, desde o início, não para de atentar contra a sociedade. Na imagem acima, retirada do vídeo abaixo produzida pelo jornal carioca
A Nova Democracia, policiais com armas nas mãos apontando e intimando manifestantes; comandante da PM disse ser a favor do uso de armas de fogo para controlar os atos na cidade do Rio de Janeiro, em protesto contra o governador Sérgio Cabral por má administração e pelo hábito de sobrevoar a sociedade a bordo de helicópteros e jatos particulares.
Para mais estes crimes oficiais, as justificativas do comandante geral da PM do RJ, Erir da Costa Filho, apoiando o uso de armas letais para controlar os atos, não poderia ser mais conivente e reacionária, fazendo-nos sentir em um Estado de exceção. “Depois do que ocorreu ontem vamos fazer uma reavaliação da forma de atuar. Como é que a polícia vai controlar uma turba com uma munição não letal. Boa ou ruim é a polícia que vocês precisam, para dar segurança de qualquer jeito. Vamos analisar todo inquérito que aconteceu, refazer o planejamento e ver o que e onde podemos melhorar. As ações são flexíveis”
A Polícia Militar brasileira possui fortes resquícios da época ditadura militar (1964-1985), conforme argumentamos especialmente em
Reflexões e Perspectivas mais abaixo. Portanto, ela é repressiva ao invés de preventiva. Contudo, nestes dias de manifestações ela tem ido além e praticado o que caracteriza Estratégia de Tensão, enquanto incitante de revoltas e violência conforme argumentado com ligações para vídeos no artigo abaixo,
O 13º e Mais Forte Sintoma (ou 15º), em A Força das Ruas (
Página 2)e em
Reflexões e Perspectivas mesmo.O que diferencia repressão, medida violenta unicamente para sufocar determinado (s) ato (s) da Estratégia de Tensão, é que esta, usada pelo Estado e suas forças, gera crises apoiada, na maioria das vezes, em repressão e prática de atos violentos com fins políticos: oficiais causam ocultamente danos ao patrimônio público e/ou a indivíduos criando um cenário de caos pelo qual se culpa cidadão (s), a fim de justificar políticas de linha dura e até golpes de Estado.
Adolf Hitler praticou Estratégia de Tensão diversas vezes para justificar violência estatal interna, e suas invasões a países europeus. A maior delas se deu quando ordenou que se incendiasse o Parlamento (Reichstag) em 1933 na capital alemã de Berlim, a fim de culpar os comunistas. Tal fato foi fator de suma importância, grande impulsor do nazismo dentro da Alemanha, causando também leniência externa ao seu terrorismo de Estado.
Há fortes indícios de que os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos também se trataram da mesma estratégia, a fim de ser possível colocar em prática a agenda de George Bush (2001-2009) elaborada em campanha presidencial, ou mais que isso, dar seguimento à política de seu pai, George H. W. Bush (1989-1993) no Oriente Médio.
Retornando ao Brasil de hoje, a sociedade do Rio está dando belos exemplos de senso cidadão e compromisso com a causa social/; questionando contundentemente a realização da tal Copa do Mundo, os serviços públicos, a "grande" mídia (especialmente a Rede Globo), corrupção política e a própria violência policial.
Em grande parte, a sociedade está no caminho certo, em diversos locais como no Rio mesmo se vive uma autêntica "Primavera Cidadã" e melhor ainda que a presidente tem estado ao lado dela, mas devemos todos estar muito atentos. A violência injustificada contra a sociedade carioca é diária, e muito acentuada a exemplo do que ocorre em todo o pais.
Escancaração de um Estado brasileiro terrorista, exterminador, criminalizador de movimentos sociais como sempre foi, da pobreza em parceria com uma Polícia extremamente truculenta, precariamente preparada, nos moldes da ditadura militar de péssima memória (leia a ampla reportagem
Saneamento Público: Onde Jogar Tanto Lixo Humano?).
Sempre foi assim, o que ocorre é que nestes dias de manifestação que varrem o país, torna-se mais difícil de se esconder, embora a "grande" mídia faça tudo para ocultar tais práticas ainda hoje.
Enquanto isso, vale ressaltar que um novo golpe militar sempre esteve latente no Brasil, e independente disso, a perseguição sistemática, baixa da mídia predominante, porta-voz das grandes corporações e dos coroneis da nossa política, é, desde o início do governo em 2003, impiedosa, claramente, excessivamente tendenciosa não fazendo muitas vezes as críticas corretas, isentas que o país tanto necessitava e necessita. Tal postura midiática, que pauta e manipula as manifestações em diversos casos, atinge níveis alarmantes nestes dias.
Portanto, a sociedade deve continuar se manifestando sim, e reivindicando: a própria presidente legitimou tudo isso, disse que a voz das ruas deve ser ouvida e se reúne constantemente no Palácio do Planalto com movimentos sociais, além de suas propostas em grande medida populares.
Por outro lado, até porque não é essa postura presidencial que espera a oligarquia brasileira, a sociedade antes de tudo deve defender nas ruas o Estado de direito, a ideia de que a solução é mais democracia e que, ao menos que haja justificativa (casos comprovados de corrupção, sobre o que a presidente Dilma é intocável), apenas as urnas podem colocar um novo presidente da República no Palácio do Planalto. Muito se engana quem não acredita que os porões do poder têm arquitetado golpe (não necessariamente militar) contra o Brasil hoje. A Estratégia de Tensão nunca é gratuita.
Em meio a isso tudo, o poder corruptamente estabelecido está extremamente apreensivo com o cálido clima e ressonante voz das ruas, inclusive determinados setores petistas. O futuro do país está nas mãos da sociedade: basta saber usar esse poder agora. Vale ecoar novamente: é agora ou nunca.
ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
13º e Mais Forte Sintoma de Influência Externa (ou 15º)
17 de julho de 2013Em
Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas de 22 de junho, mais abaixo, discorremos sobre 12 fatos sintomáticos envolvendo as manifestações que varrem o país há exato um mês. Na semana seguinte, o programa Mesa Redonda Internacional da rede de TV venezuelana
Telesur debateria as repentinas manifestações brasileiras, em determinado momento uma das participantes observou: "não se pode descartar influência externa".
Em 1º de julho, já não somos mais os
terroristas latino-americanos,
comunistas comedores de criancinhas a ponderar o inimaginável e, por que não, politicamente incorreto que nos move mesmo com toda a história (muito parcialmente) registrada a nossa disposição, talvez uma realidade que não queremos enxergar (des)motivados por interesses, por medo ou por uma combinação de ambos, parafraseando David Zeman no livro Síndrome de Pinóquio [dados técnicos e resenha em
Mateando com Edu (role a tela)].
No sítio de pesquisas dos Estados Unidos
Strategic Culture Foundation, de altíssimo nível, o jornalista russo Nil Nikandrov publicou artigo
Who is Shaking Up Brazil and Why, cua tradução
Quem Agita o Brasil, e Por Quê, consta no
Arquivo deste Blog.
Uma das grandes "curiosidades" apontadas por Nikandrov que, dentro do contexto mais amplo se tornam mais um forte sintoma de impulsores artificiais dos protestos, é justamente o apoio de Mark Zuckerberg a um manifesto internacional "Change Brazil" (Mude, Brasil). O jornalista russo questiona a "preocupação" do criador do
Facebook com o preço da passagem de ônibus no Patropi: Zuckerberg, por acaso, foi financiado exatamente pela CIA e pela NSA de Edward Snowden (imagem à esquerda), observa o jornalista russo.
Outra "obra do acaso" é que o maior impulsor das manifestações por aqui tem sido, desde o início, exatamente a rede social de propriedade de Zuckerberg e, se não bastasse, através de milhares de falsos perfis conforme diversas denúncias inclusive de movimentos sociais. Estes mesmos movimentos relataram que páginas criadas no
Facebook eram repentina e assustadoramente expandidas: no caso do Movimento do Passe Livre, segundo seus integrantes 61 mil "pessoas" curtiram uma página criada por eles no início dos protestos repentinamente, como que automaticamente.
Mark Zuckerberg (dono do Facebook)
O cartaz diz: "Não são 20 centavos! Mude, Brasil!"
Com o passar do tempo, outro sintoma que não para de se desenvolver envolve as Estratégias de Tensão: policiais criando ocorrências violentas a fim de acusar civis e, assim, justificar repressão. Além das evidências (com vídeo) já apontadas nas
Reflexões e Perspectivas mais abaixo,
o vídeo da Telesur publicado junto da tradução da reportagem de Nikandrov, mostra um Fuzileiro Naval à paisana infiltrado entre manifestantes em Brasília, destruindo o Palácio do Itamaraty.
Neste caso, até se poderia argumentar (o que não reflete nossa visão perante o contexto de tudo o que envolve o Brasil nestes dias) de influência da oposição ao PT no governo federal. Mas o que dizer dessa mesma prática, documentada conforme apontamos acima, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, governado justamente pela oposição do PT, isto é, o PSDB? Com que fim praticariam violência contra o patrimônio público no início dos protestos, neste caso contra a própria viatura, senão dentro de uma Estratégia de Tensão a fim de generalizar a violência, e não "apenas" atacar uma das sedes do governo?
Pois o caso trazido pelo diário carioca
O Globo com gráficos que aponta justamente o Brasil como país mais monitorado em toda a América Latina por Tio Sam, e em janeiro em todo o mundo (leia
Espionagem Massiva Made in USA: Brasil, o Mais Vigiado do Mundo, com gráficos), são não "mais uma" peça-chave neste quebra-cabeça que, até agora, gerou milhares de análises por todo o mundo sobre o que varre o Brasil, todas insatisfatórias: o caso Snowden, quem confirmou o quanto o país é vigiado pela Inteligência norte-americana, é o mais forte sintoma, a peça que talvez faltava, que vem se encaixar perfeitamente neste jogo, muito provavelmente, arquitetado e financiado pelos porões do poder dominados pela elite global.
As análises não podem deixar de considerar tal forte hipótese, sob risco de se construir mais uma história mentirosa deste país e do próprio mundo, com todas as suas consequências nocivas ao amadurecimento da democracia, sistema em nosso país tão atrasado. Também deve ser ponderada esta possibilidade a fim de se precaver de possível retorno a épocas mais negras da nossa história, as quais tiveram início exatamente assim.
Aos mais desinformados e/ou céticos, vale ressaltar: nos países do Oriente Médio e Norte da África, as massas vão às ruas impulsionadas justamente pela CIA, e isso é documental (leia
telegramas secretos liberados por
WikiLeaks em que oficiais dos EUA detalham isso).
No caso particular do Egito (em um dos documentos secretos traduzidos na página acima indicada, embaixador dos EUA naquele paós detalha política secreta no país incitando manifestações populares) que tem vivido de Primavera em Primavera em grande parte justificáveis, no fim servindo aos interesses dos EUA, é o segundo país que mais recebe "ajuda" militar norte-americana depois de Israel, em forma de bilhões de dólares. Enquanto isso, por aqui somos os mais controlados do mundo pelo governo de Washington: será tudo isso outra mera coincidência?
O sistema corrupto mundial sempre gerou e se apoiou em crises, exploração e insatisfações. Geralmente, estas são abafadas, ou as sociedades não encontram onde nem como ecoar sua voz, extravasar seu descontentamento, amarguras, revoltas. Às vezes, especialmente em tempos de crise econômica envolvendo as elites globais em que elas necessitam de mudanças estruturais, as massas são "liberadas" e usadas como massas de manobra. "Estamos à beira de uma transformação global. Tudo o que precisamos é da certa grande crise, e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial" (David Rockefeller, membro da sociedade secreta de Bilderberg).
Gera também um tanto de curiosidade que, enquanto por um lado a nós, pessoalmente, o governo do PT tenha estado muito aquém do desejável inclusive do que ele mesmo prometera nas campanhas presidenciais, por outro, perante o gosto geral estava razoavelmente bem além de ser fato que o país tem vivido estabilidade como em poucos momentos da história, tanto que a popularidade da presidente Dilma era, até o estouro de tudo, a maior da história considerando-se 3º ano de um 1º mandato presidencial.
De mais prático ao país agora, é profundamente verdadeiro e urgente o que
escreveu o brilhante ser humano Leonardo Boff, dia 14/7 no sítio
Carta Maior:
(...) A estratégia [das classes dominantes] é fazer sangrar mais e mais a presidenta Dilma e desmoralizar o PT, e assim criar uma atmosfera que lhe permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.
(...) Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT, mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações politico-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa, que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.
E mais que o atual governo federal, é preciso defender o sistema democrático. O momento é crucial ao país e, certamente, têm-se movido nos porões do poder muitos pauzinhos em meio às manifestações os quais, se trazidos à tona pelo menos em parte, escandalizariam a milhões de cidadãos.
Felizmente, a presidente Dilma demonstra raríssima dignidade e se coloca ao lado da sociedade em meio a tudo isso: desde o início, condenou a repressão policial publicamente afirmando que a voz das ruas são legítimas e devem ser ouvidas, enquanto ela apresenta projetos populares ao país (tais como consulta à sociedade para reforma política, o que apenas um político totalmente transparente e realmente compromissado com a causa popular pode propor) e se reúne frequentemente com movimentos sociais para discutir os rumos do Brasil.
Assim, se realmente há influência externa sobre o que varre o país (vale ressaltar a legitimidade de grande parte disso, há 513 anos necessário e oxalá que a sociedade tenha definitivamente acordado), a intenção de derrubar a presidente através de cassação ou golpe contra o Estado democrático (ambas as hipóteses altamente prováveis no caso de participação da Inteligência dos EUA), devem naufragar.
Vale apontar ainda que, em nossa conta por aqui, as denúncias de Snowden envolvendo mais especificamente o Brasil na realidade são o 15º sintoma: a Estratégia de Tensão aqui e nas
Reflexões e Perspectivas apresentada, nesta não foi enumerada mas apenas mencionada dentro de um dos pontos já que não estava tão generalizada {a época, sendo então 13º ponto do nosso rompe-cucas. O 14º sintoma ao longo destas semanas, desde que iniciamos as análises paralelamente à saída às ruas da sociedade, é a pauta canalha da "grande" mídia (leia artigo de mesmo nome mais abaixo).
PROTESTOS URBANOS
Aperte, e Eles Gemem!
13 de julho de 2013, com Folha de S. PauloNesta sexta-feira (12), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, informou que não usará mais o helicóptero do Estado para se deslocar diariamente de sua casa ao Palácio Guanabara (sede governamental), separados por 10 quilômetros.
A decisão absolutamente pessoal, sem nenhuma exigência jurídica, veio após o Ministério Público ter instaurado investigação sobre suposto uso irregular da aeronave. Segundo edição da revista
Veja desta semana, o helicóptero teria sido utilizado para transportar filhos do governador, babás e o cachorro da família, pelo que Cabral havia respondido: "Não estou fazendo nenhuma estripulia, nenhuma novidade".
Em outras palavras: todo mundo faz! Como sempre, os usurpadores do poder servindo-se da sociedade através de uma democracia representativa mundialmente falida, projetada para corromper e administrar crises.
Porém, Cabral e demais bandidos que se enriquecem e vivem privilégios às custas do trabalho, da fome e das doenças da sociedade, que assaltam os cofres públicos, indiretamente os hospitais, as detenções, as escolas, o transporte público, o saneamento básico, a moradia, o esporte e o lazer do cidadão: todo mundo
fazia!
Tal postura com
o rabinho entre as pernas de mais esse dono do poder deve-se às intensas mobilizações populares, as quais boa medida seguem o caminho correto - tirando apenas toda a grande mídia (que muitas vezes noticia para cumprir obrigação do que não tem mais como ser ocultado, através de notas escondidas sem devidas reportagens nem espaço editorial), todo o Congresso além dos oportunistas e reacionários entre a população nestes dias.
Oxalá a sociedade tenha fôlego para seguir adiante, apesar das grandes frentes contrárias, e que consiga despertar mais cidadãos para a realidade que, mesmo noticiando os protestos, a mídia predominante e mesmo alguns setores da mídia dita "alternativa" tentam tapar com a velha peneira da excessiva hipocrisia e manipulação descomedida, em busca de seus interesses político-comerciais.