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DIAS PARA MUDAR O BRASIL 02/07/2013

DIAS PARA MUDAR O BRASIL
DIAS PARA MUDAR O BRASIL


DIAS PARA MUDAR O BRASIL



ONDA DE MANIFESTAÇÕES
Ou Primavera Brasileira?

De onde veio e para onde vai a efervescência que toma conta do Brasil desde 6 de junho é algo que se tenta ser diariamente interpretado pelos analistas mais sérios do Brasil e do mundo, dado o repentismo e ineditismo que a envolve. A realidade é que não se pode fazer uma leitura minimamente lúcida do que está acontecendo, sem ser politicamente incorreto, sem abrir mão dos muitos vícios ideológicos e interesses, especialmente político-partidários aos quais muitos insistem em se ater, dentro e fora da Imprensa.

O que tem varrido o Brasil tampouco pode ser pensado sem se considerar a geopolítica internacional, especialmente latino-americana, cuja região passa por transformações profundas enquanto sofre com a velha ingerência norte-americana - nem sempre à vista mas clarividentes e hoje, era da Internet, revelações para muitos inimagináveis têm desconcertado os velhos e envelhecidos xerifes do mundo.

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Tudo o que envolve tais manifestações no Brasil hoje escancaram as contradições da "democracia" brasileira e seus oportunistas em todos os setores: não apenas o conteúdo das reivindicações, em grande medida justificável, mas também em relação à forma em que elas se dão entre a sociedade, em relação ao desempenho político frente a elas (entre muita omissão e oportunismo), e ao papel da mídia predominante ao tentar cooptá-las para cumprir seus interesses político-comerciais, pautando e manipulando informações gritantemente. As manifestações evidenciam uma sociedade farta deste sistema falido, extremamente corrupto e opressor que precisa ser radicalmente transformado.

Mas se existe nisso tudo uma urgentemente necessária mudança rumo à participação ativa da sociedade nas questões políticas, sociais e econômicas do país, o breve futuro vai confirmar - se se trata de onda passageira, artificialmente estimulada, meramente desestabilizadora o que não seria novidade na história nacional e global, ou realmente fruto de maior consciência cidadã. Realidade incontestável é que as reivindicações são legítimas, e estão levando as velhas oligarquias do país ao constrangimento e enorme preocupação.

Abaixo, série de análises da sucessão de acontecimentos disto que se configura um paradoxo profundamente enigmático: legítimas manifestações populares de norte a sul de um país que, atolado em corrupção e desigualdades sociais das mais acentuadas do globo, esperou por elas 513 anos.

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A situação caótica dos serviços públicos essenciais - saúde, educação, transportes, segurança, saneamento básico, moradia, etc -, partidos políticos defensores descarados de interesses próprios, em busca do poder a qualquer custo, totalmente distantes da sociedade, um Estado altamente discriminador e violento além de empresas de mídia acima do bem e do mal, escandalosamente tendenciosas, defensoras de interesses políticos e comerciais, do poder corruptamente estabelecido -, são fatores tão pateticamente evidentes quanto um governo (em muito pouco diferente dos que o antecederam, com algumas pequenas vantagens da presidente Dilma Rousseff) muito mais compromissado com a governabilidade que com a sociedade, invertendo catastroficamente (como todos os outros no Brasil) a máxima de Platão que a sociedade é fator primeiro, e o Estado, segundo.

Apenas a opinião pública mobilizada, massiva e continuamente, pode modificar o atual descaso político diante de um sistema dominador e explorador, corrupto em sua essência.

Por outro lado, a mídia predominante manipulada pelos grandes políticos e corporações, guiada descaradamente por interesses político-comerciais, trata de pautar as atuais mobilizações de rua, e de manipular as informações do que ali ocorre. Enquanto isso, alguns meios tidos como "alternativos" que o são apenas no tamanho nanico e na tendência política, tratam de pegar carona nas manifestações usando fraseologia oportunista em favor do governo, minimizando os problemas do país e, assim como a "grande" mídia, descaracterizam as revindicações populares. A outra face de uma mesma moeda midiático-politiqueira.

Vários aspectos apontam a uma artificialidade envolvendo essas manifestações, ao invés de amadurecimento democrático. Pior que isso, há também sérios sintomas, dado o contexto atual e histórico, de se tratar de Estratégia de Tensão, conforme abordado em Reflexões e Perspectivas mais abaixo algo tão antigo quanto a própria formação dos Estados testemunhado caoticamente aqui mesmo, na América Latina no pós-II Guerra Mundial, e no caso específico o Brasil, às vésperas do golpe militar de 1964. E no caso da implantação desta Estratégia, poucos países possuem tanta propensão à intervenção militar hoje quanto o Brasil, através de retrocesso constitucional.

Em ambos os casos, (com pior cenário no breve futuro ao se confirmam esta segunda hipótese, é claro) passada a onda de protestos não apenas a sociedade tenderia a se reencontrar com o histórico vácuo que a distancia da vida política do país, como a própria política em si correria sérios riscos no futuro breve, saindo de fase conturbada.

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Contudo, se for realmente fruto de amadurecimento democrático o país também sairá amadurecido, e não atribulado dessa fase de protestos. Afinal, "a coisa que mete medo em político, é o povo na ruas", conforme dizia Ulysses Guimarães (1916-1992), um dos maiores lutadores pela redemocratização do país em 1985, e pai da Constituição Federal de 1988.

Eis o grande dilema brasileiro. O mais preocupante é que já vimos este filme, e ele tem sido uma constante na região mais rica em biodiversidade do planeta, exatamente a América Latina que vive período de amadurecimento democrático e prosperidade jamis visto em sua história, chamando a atenção e os interesses de todo o mundo.

Um ponto é absolutamente consensual hoje: o Brasil não sairá o mesmo dessa fase de manifestações. Tal destino depende, fundamentalmente, da leitura que façamos do que está ocorrendo além, é claro, das mobilizações das ruas (que dependem da conscientização) pois não há mais como recuar enquanto existe uma força contrária muito bem estruturada contra os interesses da sociedade, de maneira que se deve ir até o fim. Mais que de aplicação, o brasileiro precisa de alma. Agora, ou tudo ou nada no Brasil.

Tanto o entendimento quanto a luta prática que nos cabe, não são tarefas nada fáceis. Que o brasileiro tenha fôlego suficiente, e é certo que: 1. Mais que legítimas, as manifestações por todo o país indicam insatisfação profunda não exatamente com este governo como a maioria tem afirmado, mas com o sistema, e 2. O Futuro pode estar nas mãos do povo, e contamos para isso com a presidente da República, quem também conta conosco conforme tem declarado e demonstrado.

Não podemos negar os preocupantes sintomas que envolvem as manifestações conforme argumentado mais acima, forças externas por trás delas são muito prováveis inclusive dado o cenário internacional - documentada a participação da CIA em desestabilizações de nações exatamente como se dá no Brasil, onde tudo ocorreu repentinamente. Cabe à sociedade trazer este cenário a seu favor pois, conforme já afirmado, as reivindicações são, em grande parte, justificáveis.

Que tenhamos fôlego para que tudo isso seja escrito na história como uma verdadeira Primavera, não como mera fase de protestos e pior, que acabe pesando contra a própria sociedade. E que nem esse senso cidadão se esvaia no futuro, mas que apenas cresça, impulsione muitos outros movimentos apartidários a começar por uma Primavera Cidadã em nosso dia a dia dentro de nós, a se manifestar nos mínimos detalhes da vida cotidiana, e que proporcione um novo país possível. É só uma questão de liberdade...

Agora, ou tudo ou nada no Brasil.


Artigos de 26 de julho a 20 de junho, abaixo // Artigos de 20 a 16 de junho, na Página 2

Conteúdo abaixo:

Mau Presságio: Deputados Conclamam Novas Manifestações Massivas

Politicagem Endêmica: Defendendo o Correto, Oportunisticamente // Consciência Cidadã e Novos Horizontes

Estratégia de Tensão sem Fim // Espionagem Massiva Made in USA: 13º e Mais Forte Sintoma (ou 15º)

Aperte, e Eles Gemem! // Manifestantes de Rio Preto Acampados na Câmara Municipal // Pauta Canalha da "Grande" Mídia

Pesquisa - Corrupção: Alto Índice, Devagar com a Dor, o Santo É de Barro

Aprovação de Dilma: Queda Vertiginosa, e Brasil Pautado pelo Nada Midiático // Jornalecos & Saitecos: Hilariantemente Trágicos

Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas // Respostas Práticas da Presidente - e Louváveis: Ou Tudo ou Nada no Brasil

Conteúdo da Página 2:

A Força das Ruas // Onde Estão Marco Feliciano e Silas Malafaia? // Sociedade Despertando // "Terroristas" Versão Tupiniquim


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Não deixe de ler: Quem Agita o Brasil, e Por Quê - Papel da CIA, NSA, USAID nas manifestações no país vai sendo revelada

Reportagem traduzida de Strategic Culture Foundation (Estados Unidos), na seção Arquivo - Os Noticiários Mundiais

Mais reportagens sobre a conjuntura brasileira na Contracapa - Últimas Notícias

Leia também:

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Pagamento de Mil Reais por Hostilidade a Ciro Gomes: Qual a Origem do Dinheiro?

A mídia oligárquica não investiga origem dos "líderes" dos movimentos opositores e seus fundos. Nada indica que mudará posição omissa (por questões óbvias). Não se trata de movimentos espontâneos e nem de líderes movidos por amor à democracia e ao povo brasileiro

SERGIO MORO
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Um dos crimes mais bárbaros e nebulosos dos altos escalões da política brasileira, tenha ou não relação com Operação Carbono,
deve ter investigação reaberta - ainda que, desde os anos de Luiz Inácio, a contragosto do PT para tornar o caso ainda mais "estranho"

ONDA DE PROTESTOS NO 'BRAZIL'
Primavera ou Massa de Manobra?

'BRAZIL'
Crise, Cenário de Golpe e as Lições Nunca Aprendidas

Educação precária. Sociedade despolitizada, "esquerda" inerte. PT aliado aos banqueiros e às classes dominantes, distante do povo
Mídia desregulada manipulando suas velhas massas de manobra. Governo federal é vítima dos próprios deslumbres com o poder

02/07/2013


MAU PRESSÁGIO
Deputados Conclamam Novas Manifestações Massivas

Quando a classe política pauta a sociedade, e chamando-a às ruas, evidencia que algo está errado. Para onde querem levar o Brasil?

Publicado no Observatório da Imprensa

3 de agosto de 2013

A Câmara dos Deputados tem convocado novos protestos em massa por parte da sociedade brasileira, sugerindo como suposto foco "eles [os políticos] não me representam", frase a ser levada em cartazes conforme sugerido exatamente por "eles", os políticos que realmente não nos representam.

Os deputados federais, em parceria com o Senado, têm sido o maior entrave para que a parte consciente e legítima das vozes das ruas não seja colocada em prática pela presidente Dilma Rousseff, especialmente a própria reforma política. A presidente sim, tem se colocado, no discurso e na prática, ao lado da sociedade e praticamente sozinha frente à grande omissão inclusive de seu próprio partido.

Qual a posição desta mesma Câmara quando os principais representantes dos poderes constituídos se comportaram com escárnio frente às demandas das ruas, utilizando-se de jatinhos da Força Aérea Brasileira para ir a festas e jogo da seleção brasileira de futebol na Copa das Confederações? Totalmente omissa, passividade conivente.

Por que a Câmara não se pronuncia sobre os escândalos de corrupção envolvendo o governo do PSDB e as obras do metrô em São Paulo, além da constante repressão policial contra manifestantes locais a exemplo do que ocorre em todo o país?

É evidente que os interesses da Câmara não são os da sociedade, resta saber quais suas motivações para que as massas tomem as ruas novamente. O tendencionismo politiqueiro em meio a isso tudo, em coro com a mídia predominante e tudo o que sabemos a seu respeito, está mais que claro, inversamente proporcional ao foco dos protestos: desgastar o governo. Até quando, até onde e par deixar o Brasil nas mãos de quem, é a dúvida que paira no ar, e não é de hoje.

Tais fatos, para nem se discorrer no histórico de defesa de interesses próprios, ausência de prestação de contas, corrupção e o próprio distanciamento da sociedade que marca os congressistas, curiosamente deixando à população a única responsabilidade de se manifestar agora, e contra tudo o que defendem nesta suposta "Primavera Cidadã" que, desde o início entre manipulação e Estratégias de Tensão comprovadas, exala o cheiro de atentado ao Estado democrático.

Manuel Castells, sociólogo espanhol, fez esta análise no programa Capital Natural da TV Band News, em 29/7: “Muitos manifestantes não sabem o que está errado, mas sabem que há algo errado e saíram às ruas”. Neste sentido, o jornal The New York Times perguntou a uma manifestante o que ela pretendia, e a resposta foi: "Nós queremos tudo, e agora". São apenas alguns exemplos das inúmeras evidências de alienação que envolve os protestos que varrem o Brasil hoje. A falta de representatividade de movimentos para que o governo possa negociar e, mais grave, de objetivos claros, leva o Brasil a andar em círculos que tendem apenas a agravar o Estado de direito.

Quando a classe política pauta os cidadãos, mais ainda para que saiam às ruas em massa, evidencia que algo não está bem - nos porões do poder, onde pauzinhos certamente estão sendo mexidos, e no seio da própria sociedade civil, em geral despolitizada, sem senso cidadão e, conforme desde o começo de tudo e bem antes disso temos apontado, instrumento de massa de manobra mesmo em situações com faces legítimas como destes protestos que se estendem e, de benefício prático, não têm trazido praticamente nada ao Brasil.

Afinal, para onde querem conduzir o Brasil? Enquanto sociólogos não explicam o que ocorre no Brasil, ou quanto mais tentam explicar menos se entende e mais dúvidas lançam ao ar, quem sabe nos ajude a encontrar uma resposta o nerd e mais novo brasilianista Mark Zuckerberg, proprietário do Facebook cuja rede social, elaborada e financiada por seus padrinhos da CIA [Inteligência dos EUA que, segundo telegramas secretos revelados por WikiLeaks, promoveu protestos massivos no Egito e na Síria (traduções exclusivas aqui)] além de censurar e bloquear jornalistas e meios alternativos brasileiros sem nenhuma justificativa neste momento dos mais críticos da história do Brasil.

O mesmo Zuckerberg, “ativista pró-Brasil” que também surpreendeu vindo a público logo no início das manifestações, com cartaz que continha as inscrições Change Brazil (Muda Brasil) no momento exato que jornais conservadores norte-americanos e britânicos, vozes oficiais da Casa Branca {a qual teve o Brasil como mais vigiado do mundo em janeiro deste ano, cujos dados sigilosos de instituições e cidadãos têm sido entregues também pelo Facebook, máquina de espionagem segundo havia revelado WikiLeaks [leia artigo aqui, (role a tela)]}, entusiasmavam-se com as mobilizações populares daqui.

Sintomas não faltam para que se aponte atentado à democracia no Brasil hoje. A revista Caros Amigos de julho foi a única a publicar, ao lado de alguns artigos do semanário Brasil de Fato no início das manifestações, questionamentos de sociólogos e historiadores sobre manipulação e influência externa em questão – sem análises de seus jornalistas, é verdade, e sem uma mínima abordagem editorial que fosse.

Comunicador não é bidu, não é esperado que adivinhe, não é prioritário acertar ou errar previsões, mas é sim, ou deveria ser construtor social da realidade a partir da precisão na veiculação dos fatos e da consideração de todas as possibilidades: por que ninguém está querendo ver agora? Tanto ceticismo em relação às capacidades do Império e de uma classe dominante local (ambos historicamente golpistas quando seus interesses estão em questão), mesmo com todas as revelações de espionagem (nenhuma novidade, mas em níveis comprovadamente alarmantes) classificadas pela "grande" mídia de mera "bisbilhotice"? Por que esta minimização que também serve para descontextualizar fatos? Ainda que se tenha na conta da nossa história o golpe militar de 31 de março de 1964, cuja impulsora foi a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade em março de 1964, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas, impulsora da derrocada do presidente João Goulart e, março daquele ano, manifestação arquitetada e patrocinada pela CIA segundo documentos e testemunhas oficiais?

Passou da hora de sermos impopulares se for o caso – efetivamente o é –, encaramos a realidade, considerarmos possibilidades e constatarmos fatos por mais duro e por menos audiência que isso tudo possa proporcionar agora, em época de manifestações que nenhum sociólogo nem historiador explica - ou quando se explica, mais dúvidas gera -, ao passo que as evidências de mais uma massa de manobra encaixam-se naturalmente, perfeitamente. Isso, desde que não separemos o contexto nacional e global em “cadernos”, físicos e intelectuais conforme ditam os meios de comunicação deste país, e ensinam os fraquíssimos cursos de Jornalismo por aqui, grandes destruidores sociais da realidade e da capacidade de pensar.


não deixe de ler:

PROTESTOS URBANOS
Reflexões e Perspectivas

12 pontos fortemente sintomáticos de influência externa

"Há muito ainda a ser compreendido sobre o que tem acontecido nos últimos dias, muitas lições a serem tiradas disso tudo.
Se houver entendimento e souber tirar tais lições, significará que boa parte dessas manifestações aponta a uma mudança
positiva no conteúdo e na postura histórica da sociedade brasileira, alheia à vida política do país. O tempo mesmo dará
essa resposta, muito brevemente, e dependendo do caminho que o Brasil seguir nos próximos dias, a grande mídia tratará
de continuar desinformando e confundindo a sociedade por um longo tempo ainda, deixando-a à mercê da 'compreensão' do
que está acontecendo apenas nos livros de história algum dia, segundo a versão distorcida do poder corrupto estabelecido."

mais abaixo


POLITICAGEM ENDÊMICA
Defendendo o Correto, Oportunisticamente

Pegando carona nos protestos, PMDB defende correta e tardiamente redução ministerial, mas certamente não abriria mão de suas pastas. Quanto o oportunismo e a briga selvagem de pelo poder, envolvendo lutas internas no próprio PT, são realidade na sociedade?

26 de julho de 2013

O PMDB, aliado ao PT no governo federal, tem pregado a redução ministerial, das atuais 39 pastas para 25, críticas que, com certa razão, têm desagradado a presidente Dilma Rousseff neste momento de incertezas, e queda vertiginosa dos índices de aprovação à sua administração.

O altíssimo número de ministérios criado pelo ex-presidente Lula da Silva tratou-se de mais do que erro político, mas de um oportunismo a fim de acomodar toda a companheirada da dita governabilidade a qual, conforme sempre insistimos, colocava o poder antes da sociedade e da ética na política. A presidente Dilma garante que não mexerá em nada.

O PMDB agora, certamente, não aceitaria abrir mão dos cinco ministérios que lhe foram concedidos, Minas e Energia, Previdência, Agricultura, Turismo e Secretaria da Aviação Civil, em nome da "governabilidade" e dos interesses do país antes do poder. Trata-se de mais um oportunismo, conforme temos abordado nestas páginas (principalmente em Especial: Dias Para Mudar o Brasil), pegando carona nas manifestações populares que varrem o Brasil hoje.

O ex-presidente Lula bem observou no dia 23/6, em sua conferência Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino-americana e Caribenha, em Brasília:

Fiquem espertos porque ninguém vai querer acabar com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Defesa.
Vão tentar mexer é no Ministério da Igualdade Racial, no das Mulheres, no dos Direitos Humanos.

Essa gente que tentará, oportunisticamente, mexer em pastas como as acima muito bem apontadas pelo ex-presidente, é a mesma com a qual formou aliança já no primeiro mandato presidencial, vale enfatizar.

Tanto quanto o próprio PT (mas não apenas ele, pelo contrário, algo generalizado), rachado em seu jogo de interesses, vaidades e briga ferrenha pelo poder, faz agora em seu nada novo oportunismo político, afirmando que a presidente Dilma “passou do prazo” para reduzir as pastas ministeriais. Apenas agora se dão conta disso? Não éramos os que cobrávamos tudo isso que se tem requerido hoje, especialmente nas ruas, golpistas e extremistas?

O PMDB trata de tentar aturar o PT hoje por conveniência - e, nenhuma descoberta no campo da ciência política, na primeira oportunidade arrematarão o pé nos fundilhos do PT, e se estiverem de muito bom humor sem dar tiros a todos os lados, o que é improvável que aconteça. Isso deve acontecer na eleição de 2014, mas pode ser adiado de acordo com as costuras partidárias que se deem até lá.

Para prever isto que escrevemos em dezembro de 2012, aqui em Uma Questão de Liberdade (10 Anos de Retórica Petista e a Irregenerável Mídia Brasileira) e no Observatório da Imprensa, valendo ataques de militante petista vendo seus interesses político-partidários confrontados, não se requer nenhuma bola de cristal: basta sobriedade e isenção para avaliar o sujo jogo pelo poder que não mede consequências neste país, o qual é absolutamente previsível sempre.

Por que o governo, especialmente a presidente Dilma, enfim, não abre mão do PMDB agora? A escusa sempre foi a tal "governabilidade", sem apoio das massas, algo contundentemente contestada por nós desde o início. E por que não se fazer profunda faxina ministerial, afastando personagens que não ouviram às ruas, ao contrário do que a própria presidente, desde o início, garantiu estar disposta a fazer?

A presidente Dilma está perdendo a maior oportunidade de sua vida e da história do Brasil de revolucionar a política do país, de transformar esse sistema endêmico com consequências drásticas à economia, sociedade etc - embora muito não dependa apenas dela, mas de aprovações de um Congresso viciado.

Desfazer as alianças nefastas e reciclar os ministérios seriam as primeiras medidas a serem tomadas pela presidente para mudar o cenário político brasileiro, algo que dependeria apenas dela. E não faz isso por que, os políticos de seu partido estão moralmente reféns daqueles com quem se aliaram?

E Eu com Isso?

Enquanto se sai às ruas vale deixar a pergunta à sociedade, em especial às classes média e alta (pelas condições de vida e maior acesso à informação e educação) por mais impopular que seja tal indagação: a postura de peemedebistas e petistas exposta aqui, resume-se à política ou faz parte da vida cotidiana da sociedade? Tal caráter se esvaiu da nação tão repentinamente quanto ela saiu às ruas? O quanto estamos dispostos a executar a Primavera Cidadã dentro de nós, no dia a dia? Quanto os protestos são realmente fruto de amadurecimento democrático e consciência cidadã?

A vida cotidiana mais prática não aponta respostas a nosso favor, e se não mudarmos o quadro a pretensa Primavera será efêmera e inócua, consolidada como mera onda de protestos, a sociedade será usada (e já está, em grande medida) como massa de manobra e tudo seguirá como sempre esteve - ou até piore, cenário nada improvável.

Caráter abre o entendimento e gera brio, exatamente o que a sociedade mais precisa agora. Até para que as ruas não terminem como em 1º de abril de 1964, dia da mentira que insiste em se perpetuar desgraçadamente neste país, quando o Exército saiu às ruas e elas ficaram vazias, absolutamente desertas surpreendendo ao presidente João Goulart, com índices de aprovação recorde até então.

É verdade que o sistema corruptamente endêmico é, em grande parte, responsabilidade do Estado desde a era colonial, mas muito também depende de cada cidadão, especialmente nesta era da informação global em tempo real. Agora, ou tudo ou nada no Brasil: ou nosso compromisso é realmente com o país tendo início na consciência cidadã, ou as ruas terminarão vazias no primeiro grito mais sério que forças militares derem, ou seja qual for o vento opressor - por exemplo, esta ventania midiática artificial que pauta e manipula a seu bel-prazer - de seus patrocinadores - as próprias manifestações. Ventania esta, tão artificial quanto os protestos que varrem o Brasil hoje? Eis a questão...

A sociedade organizada neste ideal é o que faz a diferença. Uma questão de liberdade.


Matérias relacionadas: Aliança PT-PMDB: Briga de Casal – Mas de Casal Bandido
10 Anos de Retórica Petista e a Irregenerável Mídia Brasileira


PROTESTOS URBANOS
Consciência Cidadã e Novos Horizontes

21 de julho de 2013

Enquanto se tornam mais localizadas e se mantêm as várias faces, algumas profundamente intrigantes envolvendo estes dias que varrem o Brasil, e permanecem até agora os sinais de que a vida política do país não mudará para melhor, apesar da boa-vontade e certa eficiência da presidente Dilma Rousseff, autoafirma-se e se sobressai a face mais positiva dessas mobilizações populares.

Após longo período de hibernação societária profunda (saltemos as precárias, completamente artificiais manifestações contra o então presidente Fernando Collor de Melo em 1992), com todos os motivos mesmo nestes mais recentes anos para que se protestasse intensamente, se tudo o que diversos cidadãos precisavam era de um impulso, o efeito dominó para se tornar sem vergonha em seu melhor sentido e manifestar toda a sua indignação e revolta contra um sistema excessivamente desumano, corrupto, opressor, explorador, muitos têm aproveitado muito bem o empurrãozinho entre grande parte de maus cidadãos e alienados levados como onda.

Mas se grande parte da saída às ruas se deve ao efeito dominó, a uma onda e não da conscientização que gera plena disposição ao ativismo e à mudança, elas serão efêmeras. Temos indícios para fazer constatações, apesar da grande nebulosidade disso tudo ainda.

O dia a dia é o maior termômetro da consciência cidadã, e ele continua apontando temperatura baixa: jeitinho, apatia, indiferença, excessiva passividade, individualismo, oportunismo, competitividade onde deveria haver solidariedade, forte caráter discriminatório, reacionário, alta fragmentação, preguiça intelectual e física, grande conservadorismo intensamente hipócrita etc. A constância dessas manifestações no futuro e a vida diária, sobretudo (aquela consequência desta, do contrário aquela é artificial), dirá exatamente o quanto se amadureceu no Brasil.

A autocrítica é fundamental sempre, e agora, mais que nunca. Os fatores apontados acima pesam contra a sociedade e momentos de lutas como esse. Conforme observamos em O (Eterno?) Autoengano Democrático do Brasil, na seção o Brasil no Espelho:"(...) Se o Brasil quiser realmente mudar para melhor algum dia terá que passar antes, inevitavelmente, por essa dura revisão de sua identidade".

Ainda não passamos por esse processo, pelo contrário, vivemos em uma terra das mais profundas ilusões, fruto também da ditadura militar ufanista: "Prá frente, Brasil", Melhor país do mundo para se viver", Brasil: ame-o ou deixe-o". Nossa sociedade em geral é tão dessituada, que nem latino-americana se sente.

Abaixo, relato de RMA, 34 anos anos, médico e portador do HIV há dois anos citado na revista Caros Amigos de julho deste ano, na reportagem de Marina Pecoraro, Aids: Momento É Crítico:

Sabia que do ponto de vista da doença não era tão grave e nem me mataria em poucos meses, mas do ponto de vista social me vi em um drama que nunca imaginei. De repente, me senti em uma sociedade secreta onde nada pode ser dito, em um lugar repleto de culpa, vergonha e maldição. Por se uma doença relacionada ao sexo, ao descontrole e a excessos, a Aids é repleta de estigma e preconceitos.

Essa declaração dramática, que não se resume ao Brasil, mas aqui tal espírito reacionário e discriminatório é notadamente bem mais acentuado, sintetiza de maneira clara e objetiva o que estamos colocando aqui e temos firmando nesta e nas mais diversas páginas na Internet a fim se despertar para a conscientização e apontar possíveis caminhos a seguir dentro do que acreditamos corretos.

Concorde-se o não com observações aqui expostas, (gerais, não individuais), parcialmente ou em sua totalidade, é preciso que pensemos o Brasil, o que se está fazendo aqui e em, geral, tampouco se faz, nunca se fez mesmo no meio acadêmico, também imposto de cima. Prova disso são as reações nervosas quando se faz tais apontamentos fundamentados em fatos, na realidade cotidiana nua e crua, o que seguiremos fazendo nas linhas a seguir: simplesmente os fatos. Isso tudo pode nos ajudar a precisar onde estamos, e para onde iremos. Em antítese à análise e sóbrias contra-argumentações a elas, o espírito reacionário a essas análises, por mais duras que sejam, são a essência da falta de conscientização revelando consigo o fruto da imposição de ideias ou até de uma defesa vazia de interesses, em muitos casos da "pátria de chuteiras" acima das críticas como ditatoria: "a força excessiva é o sinal da fraqueza", já pensava o filósofo.

Mas amadureceu-se alguma coisa ao longo destes anos entre assustadora pobreza ideológica nas mais diversas tendências, setores e classes sociais, e em todos os partidos) e nem poderia ser diferente na era da informação global em tempo real, talvez bem abaixo da média mundial (sem dúvida, bem menos que demais países latino-americanos, historicamente bem mais politizados: basta observar como se deu golpes militares naqueles países enquanto aqui, mais fácil que tomar doce da mão, além de terem todos lutado por independência, aqui imposta, e proclamado logo República, aqui regime imperial por 67 anos), e no decorrer dos próprios protestos certamente se tem acumulado senso cidadão a servir de bagagem e, tomara, hoje mesmo mudar esse sistema falido que pode ser derrubado apenas através da força das ruas. E a rua pode vencer. Apesar da mídia, apesar dos políticos, apesar das forças repressivas de uma semicolônia autoritária, apesar da própria sociedade em grande parte reacionária, apesar de todas as adversidades a rua pode trazer o novo Brasil, possível.

Muito mais que as redes sociais e a possibilidade de mobilização sem precedentes que trazem consigo, diversos movimentos sociais - muitos apartidários como o Passe Livre (MPL) além de ativistas ambientais e por direitos humanos - têm se desenvolvido nas últimas décadas a que pesem a repressão governamental (inclusive petista) e a ausência de cobertura midiática que trata de criminalizá-los (não faz isso nestes dias motivada, na melhor das hipóteses, por oportunismo conforme temos evidenciado nestas páginas). A que pesem os pífios "investimentos" em educação, que colocam nossa semicolônia de bananeiras na última posição mundial neste quesito.

Sistema de Ensino: Emburrecimento como Política de Estado e Lei de Mercado

Durante a ditadura militar (1964-1985), nosso sistema de ensino passou por uma fase de emburrecimento social que talvez só possua antecedentes na era imperial ou até mesmo, proporcionalmente, colonial do Brasil: foi amplamente "ajudado" pelo USaid, órgão governamental dos EUA (colonialismo moderno em forma de "ajuda", o mesmo expulso da Venezuela e da Bolívia após ter sido um dos mais fortes instrumentos da CIA na tentativa de aplicar golpes de Estado contra os presidentes eleitos, Hugo Chávez e Evo Morales, respectivamente) que tratou de exportar sua decadência intelectual e moral ao nosso país, antes de tudo despejando bilhões de dólares além de enviar seus programas de paradigmas e diretrizes. A educação se tornou um negócio para poucos, amplamente elitizado entregue às leis do lucro sob restrita supervisão estatal quanto ao conteúdo do que se ensinava.

Logo que os EUA "impuseram" a redemocratização latino-americana em meados dos anos de 1980, frente a uma então União Soviética se dissolvendo, nosso sistema de ensino passou da repressão oficial para ser guiada pela mercantilização absoluta, levada às últimas consequências: escolas e universidades passaram a vender o produto aula para um público maior, para consumidores de ensino que enchiam a linguiça das tabelas estatísticas.

Conforme aponta o filósofo Franklin Leopoldo e Silva, professor da USP: "Quando você democratiza, oferece o melhor ao maior número possível de pessoas; quando massifica, nivela por baixo e oferece o pior a um maior número de pessoas" (citado por Natália Viana em Formados para o Mercado na revista Caros Amigos, pág. 16, edição especial A Direita Brasileira de outubro de 2008). Foi exatamente assim que se deu a catastrófica transição do sistema educacional da era ditatorial à "democrática".

Conforme apontamos em Golpes Militares na América Latina - Brasil,

Um exemplo bastante prático dessa "venda" cultural do Brasil que ainda persiste são os números citados pela Secretaria de Assuntos Econômicos do BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), publicados pelo jornal A Nova Democracia de novembro/dezembro de 2008 (Archibaldo Figueira): em 18 de outubro de 2007, Ernani Torres deu conta de que 3.875 prepostos do capital financeiro internacional completaram uma injeção de 412,5 milhões de dólares para assumir 80% do SEB (Sistema Educacional Brasileiro S.A). Com US$ 478.773.750,00, cerca de 12 mil estrangeiros assumiram 70% do controle da Kroton, criadora da rede Pitágoras e, com US$ 446.940.000,00 ficaram com 64% da Estácio de Sá, em um negócio para o qual cada aluno foi "avaliado" em R$ 10.800,00.

Em 12 de março do ano passado, 14.651 investidores estrangeiros desembolsaram 512,5 milhões de dólares para abocanhar 76% do capital da Anhanguera Educacional, complexo de ensino que possui 51 unidades distribuídas nas regiões Sul Sudeste e Centro-Oeste do Brasil congregando 140 mil alunos, rendendo cada um 18,8 mil dólares. (A Nova Democracia).

Nas faculdades do Brasil hoje, além da péssima qualidade de ensino o que menos de promove são debates, pelo contrário, há aversão à discussão dentro daquilo que deveria ser o núcleo de novas idéias e da promoção da intelectualidade do país.

Para piorar o cenário, neste anos no governo federal o PT manteve os pífios "investimentos" históricos em educação: em 2011, foram 2,99% do PIB, e em 2012, 5,1% pelos quais seguimos o último país do mundo com gastos proporcionais neste setor. Botsuana, país africano, aplica 10% do PIB em educação.

Desta maneira, e nem poderia ser diferente, lá tal qual cá:

Há que se ter ensino em massa. A razão é que milhões estão podendo votar, e deve-se educá-los a fim de que
não incomodem. Em outras palavras, deve-se treiná-los para a obediência e servilismo, para que não pensem
como o mundo funciona e, assim, não vão depois pegar no pé deles. (...) As escolas são projetadas para ensinar
o que vai cair na prova. Não existe a preocupação com a capacidade dos alunos de pensar, de se superar, de
levantar questões. (...) Isso acontece em toda parte. E possui a evidente técnica de emburrecimento da população,
e também de controlá-la. Para a maioria das pessoas, não há escolha. É o mesmo que dizer que todos têm
a chance de se tornar milionários.Tudo isso é uma forma de transformar a população em um bando de imbecis.
(Noam Chomsky em Truth Out, Estados Unidos)

Apalhaçamento Midiático: Alma do Negócio

Quanto à mídia, ao contrário do que ocorre em países mais avançados democraticamente (inclusive nos próprios Estados Unidos, de cujos principais jornais - paradoxalmente enquanto opositores ferrenhos e vazios às Leis de Imprensa - os nossos traduzem reportagens, bem como nossas emissoras de rádio e TV nelas se pautam), a nossa não é regulada, ou seja, não possui leis a serem seguidas em descompasso a todas as instituições e cidadãos. Portanto, falsamente em nome de liberdade de expressão, o que a mídia predominante deste país defende é sua liberdade de empresa que mantém e acentua os oligopólios midiáticos além de contrariar a Constituição que proíbe políticos detentores de cargos eletivos controlarem concessionárias de serviço público.

Sobre isso, reporta o jornal semanal Brasil de Fato:

Diversas emissoras afiliadas da Globo pelo país são controladas por políticos envolvidos em inúmeros casos de corrupção.
No Maranhão, a família Sarney controla a TV Mirante; em Alagoas, Fernando Collor responde pela Gazeta.

(...) A Organizações Globo é a empresa de comunicação que concentra 73% da verba pública de publicidade.

A Globosat detém 38 canais e tem poder de veto na definição dos canais da NET e SKY, que juntas controlam 80% de assinantes.
Em grandes cidades como Rio de Janeiro, a Globo controla os principais jornais impressos, TVs e rádio.

Se houvesse regulação da mídia, ela não seria controlada no conteúdo, estaria livre para publicar, mas sim regras conforme abordado mais acima, ela seria controlada na forma: a lei preveria direitos de resposta, informações acuradas, impediria esse oligopólio das empresas de mídia, fortaleceria as emissoras comunitárias enfim, não ocorreria a vergonha que ojornal mineiro O Tempo fez com a entrevista de Malalaï Joya, totalmente cortada e modificada, enviada a nós e publicada, na íntegra, no livro Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" - ou ocorreria, mas o jornal teria que responder perante à Justiça pelo que fez.

Pois a mídia de alcance massivo, formadora de opinião, é o perfeito retrato do nível de amadurecimento societário em qualquer país.

"Procure Direitos na 'Justiça', Otário!"

Em relação às mais diversas instituições, o sistema brasileiro é totalmente verticalizado, baseado no velho, importado e nefasto Big Stick (Grande Porrete), exportado também por Tio Sam personalizado no presidente Theodore Roosevelt e continuado por seus sucessores, em maior ou menor medida em determinados casos. Isso significa que nada pode ser questionado: aquele em posição mais privilegiada sempre tem a geralmente dura sentença final, ainda que um prestador de serviços contra clientes.

Além de termos sido secularmente adaptados a esse método de vida, desde a época colonial e imperial não há espaço no país para reivindicar nossos direitos, nem sequer fazer ecoar nossa voz. Fomos o último país a deixar o sistema monárquico para proclamar, na marra, a República em 1889. Um ano antes, verticalmente o Brasil fora o último do mundo a abolir a escravatura: tal sistema já não interessava mais ao mercado britânico. Mais uma imposição.

É muito comum por aqui, cheios de razão, ouvirmos nos mais diversos estabelecimentos o tapa na cara moral, cheio de ironia desafiante: "Então, vá à Justiça buscar seus direitos". A velha pizza esfregada impiedosamente na cara da sociedade que a sufocava dia a dia, mas não necessariamente a mantinha generalizadamente indiferente, ao contrário de nossas percepções.

Internet como Arma Social: Fim da Dieta de Sapos

Pois aí entra a Internet. Este observador, profundo indignado com esse sistema, já acionou a metralhador de correios eletrônicos: mensagens e Cartas Abertas (algumas delas publicadas nesta página) enviadas a corruptores das leis (geralmente, instituições particulares, Câmara dos Deputados e políticos), enviadas não apenas a eles diretamente mas também coletivamente aos mais diversos contatos entre emissoras de TV, rádio, jornais, revistas, políticos, empresas, até protestos à Embaixada e consulados dos EUA no Brasil, etc, expondo o que existe de mais podre enraizado em nossa sociedade.

É também uma forma de tentar mexer com as pessoas, com o brio delas mesmo com as que nada têm a ver com o barraco. Sempre a esperança de contagiar as pessoas no sentido de se manifestar, de não aceitar passivamente a imposição e a corrupção. E quem sabe, levar alguma consciência, constrangimento, vergonha na cara de nossos concidadãos acostumados com o nunca dá em nada, mostrando que podem estar sob ameaça de algum tipo de exposição sem poder se defender - portanto, é sempre melhor não arriscar e mudar os hábitos da relação casarão-senzala que marca nossa sociedade.

Pois muito mais que algo doutrinário, didático, o acionamento da metralhadora virtual se dá devido à intolerância crônica com a corrupção, e pior, a seguida de descaso cínico, e a anos de pizza esfregada na cara recheada de falso moralismo. A Internet veio como pacote do céu para os indignados há anos sem voz, tendo que se submeter a uma verdadeira dieta de sapos - que souberem aproveitá-la, apesar do grande dilema que envolve a insegurança que ela traz consigo.

Obviamente, o rabinho entre as pernas acaba sempre enfiado por parte dos sem vergonha nenhuma entre quatro paredes, mas que temem até a morte um bom escândalo público, expondo o que há de pior neste país. Após o endêmico descaso em particular, os corruptores achariam que morreriam no acaso, mas a Internet permite que isso seja mudado, logo a realidade exploradora. Para o politicamente correto, é melhor um mau acordo que uma boa briga, mas isso não é nada bom para a vida do Brasil, e por essa lei somada à de Gérson - tanto quanto possível, levar vantagem em tudo -, todo mundo faz, todos erram e achado não é roubado, imperantes nesse país que encontra os mais precários argumentos para justificar o que existe de pior.

Copa das Manifestações: "Basta!"

Nunca um grande evento mundial (no caso de junho, a Copa das Confederações que se transformou na das Manifestações) havia tido seus holofotes voltados a protestos como no Brasil, dada sua magnitude. O brasileiro está menos adormecido, sim, embora em grande parte contenha as maléficas características apontadas no início. Mas indubitavelmente, deu um espetáculo a nível mundial na Copa das Manifestações!

A soma de todos esses fatores - uma sociedade exausta, de certa forma despertando à realidade através das manifestações locais ao longo dos anos impulsionadas por movimentos sociais e ativistas por direitos humanos, a imediatez das informações que dificultam a sustentação de falsos cenários, e a capacidade organizacional das redes sociais - evidentemente têm levado as massas as ruas.

Mantidos todos os sintomas e cada vírgula mais contida nesta seção Dias para Mudar o Brasil, inclusive a possibilidade de influência externa, observações em outras seções, especialmente em O Brasil no Espelho, possui verdade relativa: a sociedade brasileira não é exatamente a mesma, está menos sonolenta. De alguma maneira o Brasil mudará no futuro, fruto dessas semanas de mobilizações, e são inúmeras as possibilidades:

1. Mudança radical, derrubada da falsa democracia representativa,junto de seus atores ladrões, e instalação de uma democracia plena (improvável); 2. Governo enfraquecido, por sua incapacidade em atender às reivindicações ou por manipulação midiática, e derrota eleitoral em 2014; 3. Governo fortalecido (ouvindo as ruas e tendo a capacidade de vencer mídia, Congresso e classes dominantes, ou através de demagogias e muito marketing), vitória eleitoral ainda mais folgada que a anteriormente prevista, aprofundamento de políticas sociais e abertura de mão das alianças orgíacas (não haveria mais desculpa de falta de apoio popular); 4. Cassação do mandato presidencial (certamente, em pauta secreta entre a oposição, política e midiática); 5. Golpe militar (sempre latente no Brasil).

O que não pode voltar a ser a mesma, é a passividade do brasileiro. Ao menos de modos mais localizados, deve haver avanços. Espíritos amplamente participativos são possíveis com os investimentos em educação, politização e efetiva inclusão social que não têm existido.

Hipocrisia à Esquerda - e Joias Raras no Mesmo Sentido

Em meio a tudo isso, vale destacar o melancólico papel de jornalecos e saitecos, empesteados de militantes petistas que hoje desconversam sobre as manifestações como era de se esperar. Não são nada analíticos, limitando-se a "isso é fruto de avanços, a sociedade quer mais e melhor - e tem razão" conforme o militante e porta-voz do PT, e da própria dita esquerda brasileira, Emir Sader, enquanto os "comentaristas do povão", militantes petistas também, saem-se com "a sociedade não está politizada", "não há organização", nada disso para se fazer uma abordagem crítica, advertir construtivamente e fortalecer as reivindicações, mas para deslegitimar as mobilizações populares (que sempre defenderam - contra outros governos) e safar-se das velhas retóricas, deste tipo: "o povo está feliz, e isso é o que importa", "vamos ouvir o povo", "você é da direita reacionária com a mídia golpista, ou da ultra-esquerda para ficar criticando o PT?", pateticamente palradas para, cinicamente, fugir dos debates de outrora, quando se apontava críticas ao governo. Pois aí está a voz do povo pela qual tanto prezavam, ressoando dia a dia como o próprio PT nunca teve competência de fazer quando era oposição.

Sectarismo e interesses político-partidários no estágio mais avançado. Tão ridículos que os portadores dessa miopia intelectual e moral não são capazes de enxergar a que se prestam. Mas, enfim, o alvo deles é outro, a mentalidade está bem distante dessa discussão e do que, em certa medida, toma conta do Brasil.

São militantes falando para militantes, trocando farpas contra seus desafetos enfim, não falam a linguagem da sociedade, não raciocinam como os cidadãos de quem vivem completamente distantes, em grande ou total descrédito: mentalidades viciadas de politicagem.

Cumprimente-se a brilhante cobertura jornalística de Caros Amigos, A Pública e Brasil de Fato, sem tendencionismos apresentando diversidade opinativa e amplas reportagens do que tem ocorrido nas ruas, com rara fidelidade, jamais hesitando em apresentar os problemas (muitos deles graves) enfrentados pelo Brasil, dando a eles a devida importância.

O Tempo Dirá: Ditamos o Destino, ou Fomos Novamente Ditados pelo "Casarão"

De acordo com ele [dr. Fábio Konder Comparato, jurista], os brasileiros ainda têm a mentalidade e os costumes marcados por séculos
de escravidão e precisam se desvencilhar da submissão e passividade. '(...) Para mudar tudo isso, é preciso um trabalho longo
e contínuo de educação cidadã. Isto, evidentemente, a partir de um trabalho de contínua denúncia dessa situação oligárquica"
Entrevista do dr. Comparato ao jornal Brasil de Fato

O quanto a sociedade realmente despertou e adquiriu maior senso cidadão é algo impreciso, muito difícil de ser dimensionado neste momento embora o dia a dia insista que segue enraizado seu caráter apático, individualista, reacionário, de maneira geral. Há realmente os levados pela onda nestes dias de manifestações, há a possibilidade de artificialidade praticada pelos porões do poder ao impulsionar e seguir incitando parte disso tudo, o que o tempo também poderá evidenciar, ou não.

Ficaram faltando protestos pela Lei de Anistia e em favor da Comissão da Verdade, pela espionagem massiva dos EUA no país, pela negação ao pedido de asilo a Edward Snowden, por coroneis em nossa políticas acariciados pelo PT, tais como José Sarney, Paulo Maluf, Renan Calheiros, etc. Estes são alguns pontos fundamentais, inaceitáveis que fiquem de fora se devemos acreditar que tudo o que varre o Brasil é fruto de conscientização, e não de mera onda mais ou menos ao estilo Fora, Collor de 1992 e de tantos outros dentro e fora do país. Como pode uma Comissão da Verdade não ser sequer mencionada? Além de estar faltando na prática do dia a dia a consciência cidadã, advinda de amadurecimento democrático.

Mas também é realidade que parte dos brasileiros não está a mesma em matéria de consciência e ativismo, e oxalá tudo isso que varre o Brasil confirme-se como Primavera Cidadã (improvável), persistente a começar dentro de nós no dia a dia e nas mais diversas circunstâncias conforme alegado na apresentação, na janela acima. Se após tudo isso não cometermos o desastre de nos recolhermos cada um aos seus problemas como diz o vezo popular, então significará que avançamos bem mais do que agora mesmo parece.

Em parceria com a "grande" mídia e até com determinados veículos de informação ditos "alternativos, a hipocrisia à esquerda, e com os oligarcas da nossa política, o sistema de ensino brasileiro, com especial destaque às universidades, segue imbecilizador em massa, a sociedade está abarrotada de informação sem conhecimento, mas há setores transformando-se para bem melhor.

Ainda há muito a ser feito pelo povo, e que essas manifestações não sejam mais uma medida legítima a servir predominantemente aos interesses imperialistas, relegando a sociedade ao seu lugar de sempre, usando-a apenas como massa de manobra. O perigo é histórico, e existe.

Massa de Manobra Novamente, Não!

Nunca, jamais devemos nos esquecer disto: a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade, foi arquitetada e financiada pela CIA em parceria com a "grande" mídia e com as classes dominantes brasileiras, levando às ruas do país em um só dia um milhão de pessoas - apenas em São Paulo, na região do Vale do Anhangabaú, 500 mil cidadãos da classe média e alta foram manifestar sua "ânsia por democracia" inclusive com terços nas mãos. No final, o senso cidadão acabou sufocado e a "Revolução Democrática" era um golpe autoritário que derrubou um presidente democraticamente eleito, sem nada que pudesse condená-lo, cujo regime sucessor torturou e assassinou inocentes de maneira totalmente arbitrária, governando com mão de ferro jamais vista na história do Brasil.

Pois a história costuma se repetir, e tragicamente entre sociedades sem memória e que não resolveram seus problemas com o passado - nós não encaramos nossa história ainda, enquanto a impunidade é sempre o prenúncio de tal repetição. Mais que nunca, o Brasil precisa do senso cidadão e combatente ou seremos eternamente combatidos.

Mais recentemente, as "Primaveras" no norte da África e Oriente Médio se mostraram uma mentira no desenrolar dos protestos, tendo a causa popular sido abafada e a mesma opressão de sempre ou até pior tomado o lugar em nome dos interesses das elites globais: segundo documentos secretos liberados por WikiLeaks, novamente a CIA, em nome dos interesses econômicos e regionais dos EUA, injetaram bilhões de dólares nos respectivos países, usaram "órgãos não-governamentais" fantoches, as mídias locais e redes sociais para jogar milhões de cidadãos às ruas como meras massas de manobra.

Se tudo isso for consequência de mera onda passageira, efeito dominó e não de conscientização conforme colocamos no início, a democracia inevitavelmente sairá enfraquecida destas manifestações, e a mídia continuará cooptando, pautando e manipulando-as até sua posteridade, a fim de atingir objetivos escusos, os quais passam bem longe de democracia e de justiça social. O monopólio da desinformação e seus sustentadores são impiedosos quando está em jogo sua acentuada patologia do poder.

Geral ou Numeradas?

O sistema vive de, sustenta-se em crises, exploração, opressão e, consequência disso tudo, de insatisfações. Geralmente, elas ficam guardadas a nós mesmos ou abafadas pelo poder do Estado escorado na mídia de massa. Negros vc brancos, pobres vs ricos enfim, são várias as formas que o poder estabelecido usa para fragmentar a sociedade. Embora legítimas e contendo grandes verdades, se as vozes das ruas hoje não advierem do senso cidadão, ecoarão tão profundamente na vida do país quanto as vozes das gerais dos estádios de futebol Brasil afora: barricadas e protestos até contra a ida do homem à Lua em que se extravasa exatamente todo o colocado nas primeiras linhas deste parágrafo, e no dia seguinte à partida, na segunda-feira estão todos~se abraçando fraternalmente inclusive confraternizando-se com a senhora mãe do técnico e do árbitro do jogo. No domingo seguinte, estarão essas massas batendo palmas entusiasticamente ao mesmo técnico e árbitro e todo o elenco de ogadores, e pedindo-lhes autógrafos.

O poder estabelecido já nos jogou na geral há 513 anos, e isso nunca mudou na essência. Trocar a posição e passar a frequentar as numeradas não é tarefa fácil, requer mais que vontade, mais que plena consciência: requer brios, muito compromisso cidadão e, nesta fase que adentramos nas manifestações, organização. Por fim, podemos ser condutores do nosso destino, mas o preço é alto. E vale a pena pagar por ele, afinal de contas, a vida é uma só.


PROTESTOS URBANOS
Estratégia de Tensão sem Fim



18 de julho de 2013, com Brasil de Fato

A Estratégia de Tensão abordada nesta página, desde o início, não para de atentar contra a sociedade. Na imagem acima, retirada do vídeo abaixo produzida pelo jornal carioca A Nova Democracia, policiais com armas nas mãos apontando e intimando manifestantes; comandante da PM disse ser a favor do uso de armas de fogo para controlar os atos na cidade do Rio de Janeiro, em protesto contra o governador Sérgio Cabral por má administração e pelo hábito de sobrevoar a sociedade a bordo de helicópteros e jatos particulares.



Para mais estes crimes oficiais, as justificativas do comandante geral da PM do RJ, Erir da Costa Filho, apoiando o uso de armas letais para controlar os atos, não poderia ser mais conivente e reacionária, fazendo-nos sentir em um Estado de exceção. “Depois do que ocorreu ontem vamos fazer uma reavaliação da forma de atuar. Como é que a polícia vai controlar uma turba com uma munição não letal. Boa ou ruim é a polícia que vocês precisam, para dar segurança de qualquer jeito. Vamos analisar todo inquérito que aconteceu, refazer o planejamento e ver o que e onde podemos melhorar. As ações são flexíveis”

A Polícia Militar brasileira possui fortes resquícios da época ditadura militar (1964-1985), conforme argumentamos especialmente em Reflexões e Perspectivas mais abaixo. Portanto, ela é repressiva ao invés de preventiva. Contudo, nestes dias de manifestações ela tem ido além e praticado o que caracteriza Estratégia de Tensão, enquanto incitante de revoltas e violência conforme argumentado com ligações para vídeos no artigo abaixo, O 13º e Mais Forte Sintoma (ou 15º), em A Força das Ruas (Página 2)e em Reflexões e Perspectivas mesmo.

O que diferencia repressão, medida violenta unicamente para sufocar determinado (s) ato (s) da Estratégia de Tensão, é que esta, usada pelo Estado e suas forças, gera crises apoiada, na maioria das vezes, em repressão e prática de atos violentos com fins políticos: oficiais causam ocultamente danos ao patrimônio público e/ou a indivíduos criando um cenário de caos pelo qual se culpa cidadão (s), a fim de justificar políticas de linha dura e até golpes de Estado.

Adolf Hitler praticou Estratégia de Tensão diversas vezes para justificar violência estatal interna, e suas invasões a países europeus. A maior delas se deu quando ordenou que se incendiasse o Parlamento (Reichstag) em 1933 na capital alemã de Berlim, a fim de culpar os comunistas. Tal fato foi fator de suma importância, grande impulsor do nazismo dentro da Alemanha, causando também leniência externa ao seu terrorismo de Estado.

Há fortes indícios de que os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos também se trataram da mesma estratégia, a fim de ser possível colocar em prática a agenda de George Bush (2001-2009) elaborada em campanha presidencial, ou mais que isso, dar seguimento à política de seu pai, George H. W. Bush (1989-1993) no Oriente Médio.

Retornando ao Brasil de hoje, a sociedade do Rio está dando belos exemplos de senso cidadão e compromisso com a causa social/; questionando contundentemente a realização da tal Copa do Mundo, os serviços públicos, a "grande" mídia (especialmente a Rede Globo), corrupção política e a própria violência policial.

Em grande parte, a sociedade está no caminho certo, em diversos locais como no Rio mesmo se vive uma autêntica "Primavera Cidadã" e melhor ainda que a presidente tem estado ao lado dela, mas devemos todos estar muito atentos. A violência injustificada contra a sociedade carioca é diária, e muito acentuada a exemplo do que ocorre em todo o pais.

Escancaração de um Estado brasileiro terrorista, exterminador, criminalizador de movimentos sociais como sempre foi, da pobreza em parceria com uma Polícia extremamente truculenta, precariamente preparada, nos moldes da ditadura militar de péssima memória (leia a ampla reportagem Saneamento Público: Onde Jogar Tanto Lixo Humano?).

Sempre foi assim, o que ocorre é que nestes dias de manifestação que varrem o país, torna-se mais difícil de se esconder, embora a "grande" mídia faça tudo para ocultar tais práticas ainda hoje.

Enquanto isso, vale ressaltar que um novo golpe militar sempre esteve latente no Brasil, e independente disso, a perseguição sistemática, baixa da mídia predominante, porta-voz das grandes corporações e dos coroneis da nossa política, é, desde o início do governo em 2003, impiedosa, claramente, excessivamente tendenciosa não fazendo muitas vezes as críticas corretas, isentas que o país tanto necessitava e necessita. Tal postura midiática, que pauta e manipula as manifestações em diversos casos, atinge níveis alarmantes nestes dias.

Portanto, a sociedade deve continuar se manifestando sim, e reivindicando: a própria presidente legitimou tudo isso, disse que a voz das ruas deve ser ouvida e se reúne constantemente no Palácio do Planalto com movimentos sociais, além de suas propostas em grande medida populares.

Por outro lado, até porque não é essa postura presidencial que espera a oligarquia brasileira, a sociedade antes de tudo deve defender nas ruas o Estado de direito, a ideia de que a solução é mais democracia e que, ao menos que haja justificativa (casos comprovados de corrupção, sobre o que a presidente Dilma é intocável), apenas as urnas podem colocar um novo presidente da República no Palácio do Planalto. Muito se engana quem não acredita que os porões do poder têm arquitetado golpe (não necessariamente militar) contra o Brasil hoje. A Estratégia de Tensão nunca é gratuita.

Em meio a isso tudo, o poder corruptamente estabelecido está extremamente apreensivo com o cálido clima e ressonante voz das ruas, inclusive determinados setores petistas. O futuro do país está nas mãos da sociedade: basta saber usar esse poder agora. Vale ecoar novamente: é agora ou nunca.


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
13º e Mais Forte Sintoma de Influência Externa (ou 15º)

17 de julho de 2013


Em Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas de 22 de junho, mais abaixo, discorremos sobre 12 fatos sintomáticos envolvendo as manifestações que varrem o país há exato um mês. Na semana seguinte, o programa Mesa Redonda Internacional da rede de TV venezuelana Telesur debateria as repentinas manifestações brasileiras, em determinado momento uma das participantes observou: "não se pode descartar influência externa".

Em 1º de julho, já não somos mais os terroristas latino-americanos, comunistas comedores de criancinhas a ponderar o inimaginável e, por que não, politicamente incorreto que nos move mesmo com toda a história (muito parcialmente) registrada a nossa disposição, talvez uma realidade que não queremos enxergar (des)motivados por interesses, por medo ou por uma combinação de ambos, parafraseando David Zeman no livro Síndrome de Pinóquio [dados técnicos e resenha em Mateando com Edu (role a tela)].

No sítio de pesquisas dos Estados Unidos Strategic Culture Foundation, de altíssimo nível, o jornalista russo Nil Nikandrov publicou artigo Who is Shaking Up Brazil and Why, cua tradução Quem Agita o Brasil, e Por Quê, consta no Arquivo deste Blog.

Uma das grandes "curiosidades" apontadas por Nikandrov que, dentro do contexto mais amplo se tornam mais um forte sintoma de impulsores artificiais dos protestos, é justamente o apoio de Mark Zuckerberg a um manifesto internacional "Change Brazil" (Mude, Brasil). O jornalista russo questiona a "preocupação" do criador do Facebook com o preço da passagem de ônibus no Patropi: Zuckerberg, por acaso, foi financiado exatamente pela CIA e pela NSA de Edward Snowden (imagem à esquerda), observa o jornalista russo.

Outra "obra do acaso" é que o maior impulsor das manifestações por aqui tem sido, desde o início, exatamente a rede social de propriedade de Zuckerberg e, se não bastasse, através de milhares de falsos perfis conforme diversas denúncias inclusive de movimentos sociais. Estes mesmos movimentos relataram que páginas criadas no Facebook eram repentina e assustadoramente expandidas: no caso do Movimento do Passe Livre, segundo seus integrantes 61 mil "pessoas" curtiram uma página criada por eles no início dos protestos repentinamente, como que automaticamente.

Mark Zuckerberg (dono do Facebook)
O cartaz diz: "Não são 20 centavos! Mude, Brasil!"

Com o passar do tempo, outro sintoma que não para de se desenvolver envolve as Estratégias de Tensão: policiais criando ocorrências violentas a fim de acusar civis e, assim, justificar repressão. Além das evidências (com vídeo) já apontadas nas Reflexões e Perspectivas mais abaixo, o vídeo da Telesur publicado junto da tradução da reportagem de Nikandrov, mostra um Fuzileiro Naval à paisana infiltrado entre manifestantes em Brasília, destruindo o Palácio do Itamaraty.

Neste caso, até se poderia argumentar (o que não reflete nossa visão perante o contexto de tudo o que envolve o Brasil nestes dias) de influência da oposição ao PT no governo federal. Mas o que dizer dessa mesma prática, documentada conforme apontamos acima, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, governado justamente pela oposição do PT, isto é, o PSDB? Com que fim praticariam violência contra o patrimônio público no início dos protestos, neste caso contra a própria viatura, senão dentro de uma Estratégia de Tensão a fim de generalizar a violência, e não "apenas" atacar uma das sedes do governo?

Pois o caso trazido pelo diário carioca O Globo com gráficos que aponta justamente o Brasil como país mais monitorado em toda a América Latina por Tio Sam, e em janeiro em todo o mundo (leia Espionagem Massiva Made in USA: Brasil, o Mais Vigiado do Mundo, com gráficos), são não "mais uma" peça-chave neste quebra-cabeça que, até agora, gerou milhares de análises por todo o mundo sobre o que varre o Brasil, todas insatisfatórias: o caso Snowden, quem confirmou o quanto o país é vigiado pela Inteligência norte-americana, é o mais forte sintoma, a peça que talvez faltava, que vem se encaixar perfeitamente neste jogo, muito provavelmente, arquitetado e financiado pelos porões do poder dominados pela elite global.

As análises não podem deixar de considerar tal forte hipótese, sob risco de se construir mais uma história mentirosa deste país e do próprio mundo, com todas as suas consequências nocivas ao amadurecimento da democracia, sistema em nosso país tão atrasado. Também deve ser ponderada esta possibilidade a fim de se precaver de possível retorno a épocas mais negras da nossa história, as quais tiveram início exatamente assim.

Aos mais desinformados e/ou céticos, vale ressaltar: nos países do Oriente Médio e Norte da África, as massas vão às ruas impulsionadas justamente pela CIA, e isso é documental (leia telegramas secretos liberados por WikiLeaks em que oficiais dos EUA detalham isso).

No caso particular do Egito (em um dos documentos secretos traduzidos na página acima indicada, embaixador dos EUA naquele paós detalha política secreta no país incitando manifestações populares) que tem vivido de Primavera em Primavera em grande parte justificáveis, no fim servindo aos interesses dos EUA, é o segundo país que mais recebe "ajuda" militar norte-americana depois de Israel, em forma de bilhões de dólares. Enquanto isso, por aqui somos os mais controlados do mundo pelo governo de Washington: será tudo isso outra mera coincidência?

O sistema corrupto mundial sempre gerou e se apoiou em crises, exploração e insatisfações. Geralmente, estas são abafadas, ou as sociedades não encontram onde nem como ecoar sua voz, extravasar seu descontentamento, amarguras, revoltas. Às vezes, especialmente em tempos de crise econômica envolvendo as elites globais em que elas necessitam de mudanças estruturais, as massas são "liberadas" e usadas como massas de manobra. "Estamos à beira de uma transformação global. Tudo o que precisamos é da certa grande crise, e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial" (David Rockefeller, membro da sociedade secreta de Bilderberg).

Gera também um tanto de curiosidade que, enquanto por um lado a nós, pessoalmente, o governo do PT tenha estado muito aquém do desejável inclusive do que ele mesmo prometera nas campanhas presidenciais, por outro, perante o gosto geral estava razoavelmente bem além de ser fato que o país tem vivido estabilidade como em poucos momentos da história, tanto que a popularidade da presidente Dilma era, até o estouro de tudo, a maior da história considerando-se 3º ano de um 1º mandato presidencial.

De mais prático ao país agora, é profundamente verdadeiro e urgente o que escreveu o brilhante ser humano Leonardo Boff, dia 14/7 no sítio Carta Maior:

(...) A estratégia [das classes dominantes] é fazer sangrar mais e mais a presidenta Dilma e desmoralizar o PT, e assim criar uma atmosfera que lhe permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.

(...) Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT, mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações politico-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa, que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.

E mais que o atual governo federal, é preciso defender o sistema democrático. O momento é crucial ao país e, certamente, têm-se movido nos porões do poder muitos pauzinhos em meio às manifestações os quais, se trazidos à tona pelo menos em parte, escandalizariam a milhões de cidadãos.

Felizmente, a presidente Dilma demonstra raríssima dignidade e se coloca ao lado da sociedade em meio a tudo isso: desde o início, condenou a repressão policial publicamente afirmando que a voz das ruas são legítimas e devem ser ouvidas, enquanto ela apresenta projetos populares ao país (tais como consulta à sociedade para reforma política, o que apenas um político totalmente transparente e realmente compromissado com a causa popular pode propor) e se reúne frequentemente com movimentos sociais para discutir os rumos do Brasil.

Assim, se realmente há influência externa sobre o que varre o país (vale ressaltar a legitimidade de grande parte disso, há 513 anos necessário e oxalá que a sociedade tenha definitivamente acordado), a intenção de derrubar a presidente através de cassação ou golpe contra o Estado democrático (ambas as hipóteses altamente prováveis no caso de participação da Inteligência dos EUA), devem naufragar.

Vale apontar ainda que, em nossa conta por aqui, as denúncias de Snowden envolvendo mais especificamente o Brasil na realidade são o 15º sintoma: a Estratégia de Tensão aqui e nas Reflexões e Perspectivas apresentada, nesta não foi enumerada mas apenas mencionada dentro de um dos pontos já que não estava tão generalizada {a época, sendo então 13º ponto do nosso rompe-cucas. O 14º sintoma ao longo destas semanas, desde que iniciamos as análises paralelamente à saída às ruas da sociedade, é a pauta canalha da "grande" mídia (leia artigo de mesmo nome mais abaixo).


PROTESTOS URBANOS
Aperte, e Eles Gemem!


13 de julho de 2013, com Folha de S. Paulo

Nesta sexta-feira (12), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, informou que não usará mais o helicóptero do Estado para se deslocar diariamente de sua casa ao Palácio Guanabara (sede governamental), separados por 10 quilômetros.

A decisão absolutamente pessoal, sem nenhuma exigência jurídica, veio após o Ministério Público ter instaurado investigação sobre suposto uso irregular da aeronave. Segundo edição da revista Veja desta semana, o helicóptero teria sido utilizado para transportar filhos do governador, babás e o cachorro da família, pelo que Cabral havia respondido: "Não estou fazendo nenhuma estripulia, nenhuma novidade".

Em outras palavras: todo mundo faz! Como sempre, os usurpadores do poder servindo-se da sociedade através de uma democracia representativa mundialmente falida, projetada para corromper e administrar crises.

Porém, Cabral e demais bandidos que se enriquecem e vivem privilégios às custas do trabalho, da fome e das doenças da sociedade, que assaltam os cofres públicos, indiretamente os hospitais, as detenções, as escolas, o transporte público, o saneamento básico, a moradia, o esporte e o lazer do cidadão: todo mundo fazia!

Tal postura com o rabinho entre as pernas de mais esse dono do poder deve-se às intensas mobilizações populares, as quais boa medida seguem o caminho correto - tirando apenas toda a grande mídia (que muitas vezes noticia para cumprir obrigação do que não tem mais como ser ocultado, através de notas escondidas sem devidas reportagens nem espaço editorial), todo o Congresso além dos oportunistas e reacionários entre a população nestes dias.

Oxalá a sociedade tenha fôlego para seguir adiante, apesar das grandes frentes contrárias, e que consiga despertar mais cidadãos para a realidade que, mesmo noticiando os protestos, a mídia predominante e mesmo alguns setores da mídia dita "alternativa" tentam tapar com a velha peneira da excessiva hipocrisia e manipulação descomedida, em busca de seus interesses político-comerciais.



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02/07/2013


FIASCO SINDICAL E MIDIÁTICO
Brasil, entre Meras Manifestações e Autêntica Primavera

13 de julho de 2013

Desde essa sexta-feira (12), um dia após o Dia Nacional de Lutas, os jornalões destacam, baseados na velhaca arte de manipular usando muita fraseologia e pouco conteúdo apoiado em fatos e dados estatísticos, as manifestações inócuas e até mercenárias da centrais sindicais da quinta-feira (11), tão artificiais quanto a "defesa" delas pela causa trabalhista. E nisso tudo, os veículos de desinformação têm toda a razão.

Centrais Sindicais Manifestando Pateticidade

Conforme previmos aqui mesmo, antes do Dia Nacional de Lutas no artigo mais abaixo, Pauta Canalha da "Grande" Mídia, a quinta-feira de saída às ruas das centrais sindicais teria tudo para ser mais um fiasco baseado em politicagem e muita demagogia: acabou havendo adesão inferior à desejada (distantes que estão, há anos, da sociedade) e pagamento de R$ 50 a R$ 70 por cabeça "manifestante" por parte de pelo menos União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Força Sindical. 10 mil manifestantes ao todo. Patético.

Pelos motivos mencionados no comentário mais abaixo, não teria como ser diferente assim como nunca foi; conforme comentado em Manifestantes de Rio Preto Acampados na Câmara Municipal abaixo, a história se constrói, o que as sindicais não fizeram no que diz respeito à construção de conscientização, exercício da cidadania e inclusão social.

Fica, portanto, mais uma lição agora, quando a sociedade e a democracia brasileira mais precisam de organizações populares: não resolve ficar anos no armário da politicagem comodista, para sair dele quando a situação adquire dimensões preocupantes. Exercício da cidadania e Estado de direito se constroem, assim é a democracia. É efêmero virem as centrais sindicais hoje e desejarem dar um banho de senso cidadão nos trabalhadores, e contagiarem a sociedade.

Monopólio da Manipulação Midiática

Contudo, o monopólio da manipulação midiática trata de resumir as manifestações do dia 11 a essas sindicais no que diz respeito a reivindicações voltadas ao campo social, o que não foi monopolizada pelas mesmas. Movimentos sociais e diversos cidadãos levantaram essa bandeira, na maior parte dos casos de maneira absolutamente legítima (com exceção desses bloqueios de vias públicas).

Melhorias e barateamento dos transportes públicos, com diversas greves de seus respectivos profissionais por todo o país; protestos contra a construção de barragens e leilões do petróleo e das usinas hidrelétricas; reforma agrária (assunto que faz os donos do poder deste país perderem noites de sono, e matar vidas humanas); contra invasão dos territórios de camponeses, quilombolas e povos originários por empresários do agronegócio; além dos próprios protestos por melhorias trabalhistas e contra a "grande" Imprensa nacional.

Faltam aí diversos assuntos de suma importância ao país, desde que as manifestações repentinamente tomaram as ruas do país: contra a Lei de Anistia, contra a espionagem massiva norte-americana no país, e por medidas enérgicas do Itamaraty a esse respeito. Quanto à mídia, faltou ainda noticiar que os protestos pacíficos no Rio ao longo da semana têm sido, uma vez mais ali a exemplo do que ocorre em todo o país, reprimidos com grande violência pela Polícia Militar, injustificadamente.

O fato de a mídia predominante também tratar de criticar duramente (com toda a razão) as centrais sindicais colocando a pateticidade dentro do contexto político e de histórico mais recente delas, deve-se a mais um jogo de interesses se colocamos também o gritante tendencionismo midiático em contexto: concluímos que, como tem se dado em todos essas semanas, em cada dia de protestos, se fossem reivindicações de acordo com os interesses politico-comerciais do monopólio da manipulação informativa do país, o Dia Nacional de Lutas teria sido facilmente transformado em absoluto sucesso pelos artistas da desinformação, e as centrais sindicais, nas grandes representantes da sociedade hoje.

Por outro lado, as centrais da politicagem que atendem por sindicais trabalhistas agora devem ler todo esse festival de vaias, uma ducha gelada de falso moralismo dos meios de comunicação predominantes, e partir para uma próxima. Talvez em agosto, para quando marcaram novas manifestações.

Assim segue o Brasil, bombardeado pelo excesso de informações com raso conteúdo, dividido na disputa pelas ruas e pelo poder, a sociedade entre onda de manifestações e uma autêntica Primavera que tem lugar em diversos pontos do país a qual, para se firmar como única realidade deste país, ainda deve vencer muitos obstáculos. Às vezes parece que vai, em grande parte a razão diz que não: a presidente Dilma está no caminho certo, ao lado da sociedade, mas todos os outros ventos sopram no sentido oposto.

Quando as manifestações atingiram seu ponto mais crítico (e tomara que não retorne), em que setores reacionários com declarado discurso golpista, apoiados em muita agressividade física, a mídia predominante apoiou entusiasticamente a "luta pela democracia". Desta vez, quando a pauta não e modificou em relação ao que tem predominado, apenas se aprofundou nas causas sociais, os veículos de informação mais uma vez mudam de lado. É sempre evidente qual o lado deles.

Primavera dentro de Nós

O Gigante não acordou tanto quanto a mesma mídia "grande" alardeou, e por isso tudo ele deve estar desperto 24 horas por dia agora. Como observa Carlos Castilho no Observatório da Imprensa nesta sexta-feira, e cumprindo nossas previsões desde o início de toda a efervescência que toma conta do Brasil as manifestações massivas estão agora localizadas, esvaziadas (o que, bem apona Castilho, é de se esperar).

Por outro lado, evidencia-se que muito daquela "grande mobilização nacional" era artificial de acordo com nossa insistência aqui, mas esta fase é de suma importância pois nada ou muito pouco de concreto foi concedido à sociedade, além do principal: os oportunistas sem noção do que fazem nas ruas, servindo apenas como massa de manobra, e setores reacionários com ar de golpe têm saído de cena. Mais que nunca, ou tudo ou nada no Brasil agora. A médio e longo prazo, o coração segue no tudo, mas a razão aposta no nada.

Enquanto a Primavera se esvai tão repentinamente quanto se iniciou, sem ninguém entender nada e sem nenhuma perspectiva, o Brasil deve voltar ao outono anticidadão do dia a dia: muito jeitinho, achado não é roubado e, tanto quanto possível, levar vantagem em tudo. Que os poucos alimentem a Primavera interior, exercendo cidadania nas mais diversas situações cotidianas. É disso que o país mais precisa, e nisso cada um mostra se realmente tem garrafa vazia para vender.


PROTESTOS URBANOS
Manifestantes de Rio Preto Acampados na Câmara Municipal

13 de julho de 2013, com Agência Estado

Cerca de 50 integrantes do movimento "Vergonha Rio Preto" da cidade paulista de São José do Rio Preto, mobilizados através de redes sociais, ocuparam o interior da Câmara Municipal nesta quinta-feira (11), desde quando passaram a se alimentar e a dormir no local. A maioria de estudantes e professores afirma não deixar o prédio enquanto suas reivindicações não forem atendidas.

As exigências não diferem em nada da sociedade brasileira em geral no país onde tudo (ainda) é possível, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (11): fim do recesso parlamentar, o desconto nos salários dos vereadores que faltam às reuniões ordinárias, a participação da população nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), aberturas de CPIs para investigar contas de quatro secretarias do município, reforma administrativa na Casa e a não construção de um grande terminal rodoviário projetado pela Prefeitura.

Na cidade das mais avançadas do Estado paulista, cujo prefeito é Valdomiro Lopes (PSB), o grupo requer ainda reunião com o presidente da Câmara, Paulo Pauléra (PP). O professor José Paulo Dias, um dos líderes do movimento, afirmou: "Queremos receber os moradores para que eles também falem o que querem mudar na cidade".


Este belo aspecto de uma autêntica Primavera Brasileira, assim como diversos outros localizados, pacíficos, briosos, centrados com as mais justas reivindicações e apartidários, não merece mais que uma nota de 3 parágrafos do jornalão paulista neste sábado, e nem poderia ser diferente: não há repressão policial a fim de se manipular informações, e assim culpar manifestantes e desgastar o governo federal (merecedor de críticas e protestos em massa nas ruas sim, jamais de tendencionismo midiático).

O Brasil como um todo não dá mostras de vir a sair radicalmente diferente desta onda de manifestações como muitos dizem, nem na política nem entre a sociedade em geral, em grande parte apática, indiferente e sem nenhum senso cidadão - até porque, por um lado despertando muitos, tudo isso é de diversas formas artificial, e o passar do tempo está mostrando isso.

Nada aponta para que tenha havido amadurecimento democrático e efetivo exercício da cidadania, advindos de muita educação e Imprensa realmente democrática, diversificada especialmente em um país com dimensões continentais como o Brasil, fatores ausentes por aqui. A presidente Dilma está ao lado da sociedade, porém em enorme medida atada ao mafioso Congresso e refém (muito por sua culpa ao não levar adiante as Leis de Imprensa) da "grande" mídia, seu único meio de comunicação com a sociedade.

Mas um capítulo inédito da nossa história, certamente, está sendo escrito nestas três semanas de manifestações por todo o Brasil através de cidadãos como esses de Rio Preto, acordando, mobilizando-se, dando exemplos de cidadania, uma vital contribuição para a construção de uma nova realidade no país a ser colhida nesses mesmos locais hoje, e em um futuro com uma sociedade generalizadamente transformada, logo o Estado brasileiro. Assim se faz a história, assim se transforma a realidade.

Ainda falta muito, mas viva nossa sociedade combatente! Alguma mudança aguarda indiscutivelmente o Brasil no futuro imediato; cidadãos estão provando sua força, ganhando experiência na luta democrática. Cabe a essa parcela da sociedade manter-se mobilizada para que as transformações continuem, e as radicais que esperamos e o país tanto carece, sejam apressadas.


PROTESTOS URBANOS
Pauta Canalha da "Grande" Mídia

11 de julho de 2013

A "grande" mídia segue pautando de maneira tão pobre quanto canalha as manifestações populares que, em sua essência legítimas e tão esperadas no país por 513 anos, já duram três semanas. Pois a mídia comercial deste país embarca em tais protestos de rua não apenas pautando, mas "curiosamente" incitando e, não poderia faltar isto, manipulando informações sobre o que se reivindica nas ruas.

Enquanto impulsionados em grande parte pela velha mídia gorda, envelhecida, não poderiam faltar nesses protestos componentes inerentes e historicamente defendidos por ela: alienação, cidadãos reacionários ganhando a cena ("coincidentemente", no mesmo dia em que a mídia gorda passou a apoiar os protestos, em 17 de junho; leia Reflexões e Perspectivas, mais abaixo, onde apontamos 12 pontos sintomáticos em relação ás "curiosidades" e "coincidências" disso tudo que varre o Brasil hoje), clamores golpistas e violência, tanto dos setores reacionários quanto da Polícia, além de muita mentira nas telas de TV, de computadores e nos papeis, todos em descrédito no país mas, tudo indica, o jornalismo dos mais precários do mundo, uma vez mais, ditará impiedosamente o destino do Brasil.

Desinformação e Manipulação: Tomada I

Esta quinta-feira (11) apresenta mais um caso emblemático desta forra midiática: ele, o jornal gordão (já nem tanto assim pela crise, mas bobão como sempre, sem conteúdo que suporte tanto peso) O Estado de S. Paulo (impulsor e apoiante irredutível do golpe militar de 1964) noticia como sua principal manchete: "Ninguém sabe hoje quem apoiará Dilma em 2014", diz Rui Falcão.

Para quem lê a chamada de capa, a impressão inevitável que deve ter causado inclusive a Galileu Galilei, no alto de sua glória galáctica hoje, é que Falcão, presidente nacional do PT, não apoia a reeleição da presidente Dilma assim como o partido. Contudo, na segunda resposta da entrevista onde Falcão disse isso, deixa claro que a ideia é bem diferente da vendida: "(...) Com as manifestações e a queda de Dilma nas pesquisas pode haver outro quadro partidário [alianças com outros partidos, grifo nosso]. Ninguém sabe hoje quem apoiará Dilma em 2014".

No contexto de sua resposta, ele deixa claro não saber qual aliança será formada com o PT na eleição presidencial do próximo ano, o que não é nenhuma calamidade governamental, muito pelo contrário: a possível candidatura de Eduardo Campos, governador de Pernambuco (PSB) alterará o quadro político, e pensando nisso o presidente do PT certamente fez tal observação. Mas não é o que julgaram e sentenciaram com letras garrafais nossos gênios do jornalismo nacional, enquanto ao longo de toda a entrevista Falcão deixou claro apoio à presidente da República e a suas atitudes hoje, em meio às manifestações populares.

Desinformação e Manipulação: Tomada II

Em outra manchete, o mesmo Estado manda mais esta: "Países vizinhos temem influência de manifestações de protestos". Lembremos que os países vizinhos, aliados do governo Dilma, são progressistas, todos eleitos democraticamente, apoiados pelas massas e anti-imperialistas (com exceção de Paraguai, Chile e Colômbia), e que cada um deles é alvo do ápice da histeria antijornalística predominante a qual, incluindo o mesmo Estado, sistematicamente cria factoides, esconde fatos e manipula totalmente diversas informações.

Pois logo no início, a mesma reportagem diz: "A influência regional do Brasil na América do Sul começa a ser temida por empresários e desejada por sindicalistas de países vizinhos". Os empresários mencionados são os mesmos que se opõem aos governos locais, pois estes têm tomado medidas populares tais coo significativo aumento salarial, diminuição da jornada de trabalho como é o caso da demonizada Venezuela, cujo Partido Socialista Unido venceu a quinta eleição consecutiva em abril, através de sistema eleitoral considerado por observadores internacionais o mais seguro do mundo (inclusive norte-americanos).

Contudo, o Estado impõe a ideia de que governos e quiçá sociedades vizinhas estão amedrontados com os protestos urbanos do Brasil. A mídia latino-americana tem noticiado e debatido amplamente o que varre as cidades brasileiras hoje e de outros países da região, como o Chile, inclusive fazem isso as redes estatais dos países desses mesmos empresários que se sentem ameaçados pelas manifestações por aqui, com muito mais independência, o que implica dizer fidelidade jornalística, que nossos jornalões e jornalecos por aqui, e seus que velhos parceiros internacionais na conhecida prática da desinformação indiscriminada - The New York Times, The Washington Post, Newsweek (hoje na Internet), Financial Times etc.

A rede de TV Telesur, do Sistema Bolivariano de Comunicação e Informação (Venezuela) não apenas traz constantemente em seus noticiários as manifestações no Brasil, como o programa Dossier do jornalista Walter Martinez, de documentários e análises, dedicou programas inteiros a elas, e o programa Mesa Redonda Internacional debateu a questão: ambos elogiando a sociedade brasileira, apontando a importância de tais atos para o avanço democrático, embora o Mesa Redonda, em dado momento, tenha considerado, de maneira embasada (ao contrário da "grande" mídia brasileira em geral) a possibilidade de influências externas a fim de desestabilizar o país.

É nesta mesmo dia 11 que a mídia predominante qualifica de "Dia Nacional de Luta", com direito a belos banners, em que centrais sindicais sairão às ruas. Há um perigo enorme quando a Imprensa incita mobilizações populares, e as aplica tais títulos: em março de 1964 foi a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade em nome da "Revolução Democrática", de péssima memória.

O caráter politiqueiro dos sindicatos brasileiros é bem conhecido, bem como o dos próprios partidos políticos (ambos se confundem, em seu sentido mais amplo): se é fundamental organização hoje enquanto representa sério risco democrático o antipartidarismo, alguém costuma ver nas manifestações dos países bem mais avançados democraticamente cidadãos nas ruas com bandeiras, camisetas e bonés de sindicatos e partidos? É difícil, mas pode acontecer. Aqui, não há manifestação a esses setores se não puderem "marcar presença" com seus ícones da mais lamentável demagogia - a politicagem e a exploração alheia sob discurso de apoio popular.

Evidência do papel nocivo desses sindicatos é que, uma vez que seu líder histórico, Lula, assumiu a Presidência e ali colocou sua sucessora, Dilma (combatente da corrupção ao contrário de seu padrinho, além de não ser em nada demagoga, como ele), para eles estava tudo certo ainda que muita coisa, na prática, tenha estado errada: ao longo de todos esses anos, mantiveram-se afastados das reivindicações trabalhistas, mas eis que agora surgem (oxalá consigam exercer influência positiva).

Com exceção do aumento significativo de trabalhadores com carteira assinada e das próprias vagas de emprego (fatores de importância indiscutível), a precarização do trabalho, em todos os aspectos, não se modificou em nada, nem como o trabalho análogo à escravidão que tem gerado massacres no campo. Sobre nada disso, centrais sindicais se manifestaram desde que o PT assumiu o poder, em 2003.

Essa prática tem outro nome além de politicagem, e tampouco agradável: sectarismo. O espírito sectário e corporativista são muito fortes no Brasil, e ultrapassam as fronteiras políticas atingindo todos os setores da sociedade.

Desinformação e Manipulação: Tomada III

Retornando à arte midiática ímpar em criar cenários, em 26 de junho os jornais de todo o país apresentaram manchete que ficou neste padrão do Diário Catarinense: "Pressão das Ruas Sepulta PEC 37". Pelo que um integrante tivo do Movimento Passe Livre de Florianópolis, que prefere não ser identificado, comentou:

Ontem o Diário Catarinense, fez uma [ ] gigante. Colocou uma foto na primeira página da manifestação entrando
no túnel e colocou uma manchete: Pressão Popular Derruba PEC 37! Desde quando o MPL luta contra a PEC 37?

Qual o interesse da direita em não aprovar essa maldita PEC? Será mesmo que os 460 votos contra dos deputados, foi
mobilizado pela população ou usaram o povo, como feito em outras ocasiões, como fantoches de uma "maracutaia"
política, apenas para colocar essa "derrubada" como uma conquista popular?

Estou inconformado com a mídia, é absurdo como distorcem os fatos.

Além do MPL, a sociedade não colocou como pauta a PEC 37 (um tanto desinformada inclusive a esse respeito) e este vídeo publicado no Youtube sobre a manifestação em Florianópolis no dia 26, em que estava o manifestante dono da indignação acima, não aponta nenhuma bandeira, faixa nem clamor em referência à PEC 37.

História sem Fim

Esses são apenas alguns exemplos do tendencionismo constante, excessivo que toma conta dos noticiários brasileiros, desde os editoriais. Enquanto isso, movimentos sociais já denunciaram inúmeros perfis falsos no Facebook em suas páginas incitando pessoas às ruas, pautando-as.

Detalhe: o proprietário desta rede social, norte-americano Mark Zuckerberg, apoia surpreendentemente a ideia de "change, Brazil", isto é, mude, Brasil. Se não bastasse, a rede é uma das que fornecem dados sigilosos ao governo de Washington. Desta maneira, sintomas não faltam às repentinas manifestações em massa do Brasil hoje.

O Que É Bom à Mídia, É Bom ao Brasil?

"O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil", palrou, logo que foi aplicado o golpe de 1964 no Brasil, o primeiro presidente militar deste período que se estenderia por 21 anos, o marechal Humberto Castelo Branco. Conforme apontado mais acima, apoiado entusiasticamente pela "grande" mídia brasileira incluindo o Estado de S. Paulo, todos sob discurso de "Revolução Democrática".

A "grande" mídia é ultraconservadora, tem ojeriza a mobilizações populares e o que existe de sério e justificável para que os protestos ocorram hoje, vão totalmente contra o interesse dela, colocam e risco sua própria sobrevivência. Ainda assim, porém, a Imprensa brasileira aderiu irredutivelmente a eles, cuja transparência jornalística anda tão distante das ruas quanto as intenções midiáticas.

Não fazem parte dos protestos de rua assuntos de suma importância, como por exemplo a Lei de Anistia (que prescreve os crimes à época da ditadura) pela qual foi criada a Comissão da Verdade, e a própria espionagem massiva praticada pelo governo dos EUA no Brasil, pelo qual o Itamaraty deve agir seriamente - e para isso, deve ser cobrado pela sociedade, ou ao menos se esperaria que fosse neste efervescente momento de "profunda preocupação com causa pública".

Além das leis de Imprensa, outrora propostas pelo PT, tudo isso é muito mais familiar à sociedade que a PEC 37, e de urgência extrema. Tanto quanto não são do interesse dos partidos predominantes nem de suas vozes oficiais, os grandes meios de comunicação.

Golpe contra a Democracia: Mais uma Revolução Libertina?

A sociedade possui todos os motivos para se mobilizar e acampar (pacificamente) nas ruas. Contudo, a presidente Dilma, que sempre mantém postura louvável em relação à corrupção (exceção á regra neste país) tem se colocado ao lado do povo desde o início, garantindo que a voz das ruas devem ser ouvidas, apresentado propostas populares em reuniões dela mesma com movimentos sociais. Isso, em se tratando de Brasil que historicamente reprime e oprime, é um grande avanço.

Quanto à grande parte das reivindicações societárias, são absolutamente contrárias aos interesses das empresas de mídia, aos seus patrocinadores (banqueiros, Indústria Farmacêutica, Automobilística e outras grandes corporações). Para isso tudo, o silêncio de Lula agora, desde o início dos protestos contrariando seu histórico, pode dizer muito.

A sociedade "limpa" dos vícios ideológicos e da própria politicagem, ínfima minoria preocupada e profundamente comprometida com a causa cidadã deve fazer de tudo para que isso tudo se afirme e traga consequências de uma autêntica Primavera, mas a realidade é que, enquanto legítimas por um lado, as manifestações de rua são em grande parte artificiais, uma onda momentânea, manipulada, pela qual o país não sairá amadurecido em geral, consequentemente não será mudado em sua essência.

O Brasil está mais próximo de um grande conflito interno a ser duramente reprimido (sem dificuldades, enquanto a Imprensa joga cada vez mais abacaxi para que a presidente, sozinha, descasque), que de mudanças consistentes. A Imprensa mesma não permitirá, como não está permitindo que as mudanças necessárias sejam realizadas. Quem viver, verá.

Um golpe militar sempre esteve latente no Brasil, o que pode não acontecer hoje dependendo da postura da presidente Dilma, (e do quanto ela aguentar isso tudo) e da própria sociedade nas ruas, mas certamente esta "Primavera" se trata de mais um cenário montado pelos porões do poder, a velha Estratégia de Tensão tão antiga quanto a própria formação dos Estados. Tanto quanto primaveras que se revelaram uma mentira e terminaram em golpe (não necessariamente militar) e repressão, conforme revelaram documentos de WikiLeaks. Vale observar também que a "Primavera" na América Latina se dá no país mais vigiado da região. Será mera coincidência?

Quanto ao governo, aproximar-se da sociedade apenas agora, por todos estes 10 anos e meio fechado em suas orgíacas alianças com os oligarcas da política e da mídia, parece estar sendo tarde demais. Para a democracia, tomara que não... Justiça seja feita: durante os dois mandatos do presidente Lula (2003-2011), promotor das atuais alianças em parceria com seu grande arquiteto, José Dirceu, seu partido possuía maioria paramentar, o que não é o caso da presidente Dilma hoje. Mas, de qualquer maneira, é o mesmo PT quem está no poder, e a presidente aceitou se candidatar por este partido ao contrário de Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio e Heloísa Helena.

Enfim, se era importante que entrassem em cena nas ruas mais cidadãos progressistas devido à luta ideológica e de interesses que se transformaram as manifestações, eis que surgem elas, as centrais sindicais em coro com ela, nada menos que a mídia gorda. Brasil, uma questão de libertinagem.


PESQUISA: CORRUPÇÃO
Alto Índice - Devagar com a Dor, o Santo É de Barro

9 de julho de 2013

Nesta segunda-feira (8), o Ibope entregou à Transparency International (TI, organização não-governamental internacional) resultados de pequisa sobre corrupção no Brasil, exatamente no meio do olho do furacão que sacode o país (pesquisa necessária, se não fossem pontos a serem considerados mais adiante: cerca de 81% dos brasileiros consideram os partidos “corruptos ou muito corruptos”, é uma das conclusões.

Além da corrupção no âmbito político, índice historicamente alto entre os cidadãos, tal pesquisa considerou ainda outras questões conforme os gráficos abaixo, publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (9):



Gera um tanto de curiosidade Judiciário e Polícia, e extrema surpresa Imprensa e Igreja (apesar da inconsistência da pesquisa: qual Igreja?) aparecerem com tais índices: não é esta a credibilidade sentida entre a sociedade, não é o que se diz entre as mais diversas classes sociais, nos mais diversos locais: tudo leva a crer que a descrédito de cada um deles, especialmente os dois últimos, são bem maiores (o dobro destes números seriam pouco perante o que se constata há anos).

Também pode surpreender o fato de os militares aparecerem com índice de maior credibilidade que as ONGs, por exemplo, para não ir além nas considerações. Relatos comprovados (não apenas suspeitas) de manipulação por parte desses institutos de pesquisa não faltam nos momentos mais sérios do Brasil, vale ressaltar.

Enfim, dentre os três maiores jornais do país que noticiam neste dia 9 o resultado dessas sondagens, O Globo, Folha de S. Paulo e o próprio O Estado - os três que mais intensamente apoiaram o golpe militar de 1964 fantasiado de "revolução democrática" - deu maior destaque ao relatório do TI com base no Ibope o Estado,e de uma maneira que chama tanta atenção quanto os próprios resultados, ou até mais.

Lobo no Galinheiro Democrático Brasileiro

Antes de considerar a reportagem do Estado, vale apontar que:

1. A corrupção é o maior mal do Brasil, enraizado em nossa sociedade e via de regra na política. Maior mal pois gera toda a miséria do país. Portanto, deve ser sempre denunciada e combatida constantemente (apenas a "grande" mídia, formadora de opinião e autodenominada Quarto Poder,, deveria se lembrar disso; poderia ser cumprimentada agora se não fosse o fato de ela se silenciar tendenciosamente perante tal mal, cujo caso emblemático foi a reeleição comprada por Fernando Henrique Cardoso junto ao Congresso, já que a Constituição não previa reeleição presidencial);

2. Sempre houve o desejo de os militares voltarem a ditar as regras deste país, acompanhado pela "grande" mídia ultraconservadora e sua aversão ao atual sistema. A mesma mídia que atualente pauta e manipula informações da onda de manifestações (legítimas) que viram o Brasil ao avesso.

A Folha, em fevereiro de 2009, já havia qualificado os 21 anos de ditadura militar no Brasil (1964-1985) de ditabranda, a fim de minimiizar seus efeitos nocivos.

Nas manifestações de hoje, inéditas em si mesmas além de repentina e surpreendentemente apoiadas pela mídia predominante, têm sido vistos cartazes clamando pelo retorno à ditadura militar, enquanto militantes partidários, especialmente de tendência esquerdista, têm sido agredidos violentamente e expulsos.

Disposição

Reporta O Estado que,

Outra constatação da Transparência Interna cional é que, no Brasil, a proporção de pessoas
disposta a denunciar a corrupção é mais baixa que a média mundial: 68% diante de 80%.

Cerca de 44% dos entrevistados disseram que não denunciam por medo, enquanto outros 42% alertam que
suas ações não teriam qualquer resultado. “Se o governo estiver sendo sincero de que quer combater a corrupção,
precisa criar mecanismos que permitam a denúncia e que protejam as pessoas”, disse Salas. Entre os que
aceitam fazer a denúncia, a maioria revela que para tal usaria os jornais, e não os órgãos oficiais do governo.

Um a cada quatro entrevistados no Brasil admitiu que pagou propinas nos últimos dez meses para ter acesso
a um serviço público. “O pagamento de propinas continua muito alto. Mas as pessoas acreditam que têm o poder
para parar isso”, disse Huguette Labelle, presidente da Transparência Internacional. Para ela, os políticos devem
dar o exemplo, tornando públicos a sua renda e os ativos de família.

Portanto, além do antigo descrédito da sociedade em relação à política, o mal está enraizado em nossa sociedade. A argumentação de que se gostaria de de denunciar a corrupção mas muitos não fazem isso por há medo, por sua vez, em muitos casos pode ser algo falso: uma resposta àquilo que se espera que respondam baseado em ideais e não em práticas. Indivíduos corruptos nunca estão predispostos a denunciar corrupção, de um modo geral - ao menos, não motivados por causas justas.

Solução É Mais Democracia

O jornal O Estado, uma vez mais seguindo suas tradições e "grandes" meios de comunicação no Brasil, desqualifica o sistema democrático como que gerando repúdio na sociedade, e conclui a reportagem de maneira tendenciosa (e sintomática, dadas as atuais circunstâncias que tomam o país hoje?): encerra-a mencionando justamente que "as Forças Armadas aparecem com índice baixo de percepção de corrupção. No Brasil é de 30% e na média dos outros países da pesquisa da Transparência Internacional, 34%".

Em maio, logo que as manifestações populares se alastraram por todo o país e que a mídia gorda aderiu a elas, a o Datafolha, Instituto de pesquisas da Folha, lançou pesquisa indagando, curiosamente, se o brasileiro gostaria de um retorno à ditadura (leia mais em Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas).

A realidade é que a corrupção é um problema endêmico neste país, a hipócrita Imprensa, excessivamente manipuladora e defensora de interesses político-comerciais, nunca cumpriu seu papel de construtora social da realidade e do Quarto Poder que tanto se diz, jamais cumpriu seu papel exigido pela Constituição, informar e educar, mas, ao contrário, limita-se a vender desinformação e, portanto, não se pode esperar que parta exatamente dela agora combate à corrupção conforme recém campanha do próprio Estadão, nesta mesma reportagem sobre o relatório do TI, intitulada "Diga Não à Corrupção".

A sociedade deve, isto sim, estar muito atenta perante tudo o que ocorre no Brasil agora, e jamais confiar nesta esquizofrenia anticorrupção midiática, desde que as multidões foram às ruas em grande parte "lutar" contra... "tudo o que está aí!". Exatamente assim se deu em março de 1964... A história costuma se repetir, e tragicamente em países onde reina a impunidade.

E justiça seja feita: temos uma presidente contra cuja postura e caráter não se pode dizer absolutamente nada de mal: não apenas não se envolve em escândalos de corrupção (ao contrário de seu muitos de seu partido), como tem expulsado do governo qualquer membro que seja apenas "suspeito" de tal envolvimento. Ale´m disso, tem-se mostrado com ditos e feitos estar ao lado da sociedade nas atuais reivindicações, o que apenas um político forte o suficiente de caráter pode fazer.


APROVAÇÃO DE DILMA
Queda Vertiginosa e Brasil Pautado pelo Nada Midiático

1º de julho de 2013

A presidente Dilma Rousseff caiu vertiginosamente nos índices de aprovação: do recorde histórico (considerando 3º ano de 1º mandato) de 57% em meados de junho, para 30% após 3 semanas de protestos que varrem o Brasil, segundo o Datafolha, Trata-se da pior queda de aprovação de um presidente desde Fernando Collor, quem sofreu impedimento em 1992.

A reprovação ao governo subiu também meteoricamente, segundo o instituto de pesquisas que ouviu 4.717 pessoas em 196 cidades entre a quinta-feira, 27: de 9% antes do inicio dos protestos, para 25% agora.

Tão intrigante quanto o repentismo dessa queda nos índices de aprovação e das próprias manifestações (absolutamente legítimas), é que nada de drástico ocorreu envolvendo a presidente nessas 3 semanas de protestos, a fim de justificar a queda histórica em tais índices.

Tanto quanto não tem havido ao longo dos anos, nem nos índices nem na dura realidade política brasileira nenhum nome capaz de superar o da presidente nas eleições de 2014: há menos de um mês, Dilma Rousseff se reelegeria, muito provavelmente, já em 1º turno. Tais fatos devem ser discutidos, não se pode permitir que as massivas mobilizações populares sejam usadas como mais um ópio agora.

Pois há algo que ajuda a explicar, se não a totalidade, ao menos imensa parte dessa reviravolta baseada no nada: a desinformação e manipulação midiática no que dizem respeito a tudo o que ocorre no Brasil nestes dias conturbados, surpreendendo ao país e ao mundo. É a "grande" mídia quem tem pautado as manifestações populares, além de manipular informações sobre o que ocorre nas ruas.

Este setor, aliado às redes sociais (comprovadamente através também de inúmeros perfis falsos, fato curioso ou mesmo sintomático tendo em vista as recentes denúncias de Snowden e a minimização midiática brasileira, classificando a espionagem em massa do governo de Washington de mera "bisbilhotice") é quem incita diária e sistematicamente a desestabilização do atual governo desde que, após qualificar injustamente os protestos do Movimento Passe Livre (MPL) de vandalismo, contraria sua linha editorial histórica para apoiar, apostar todas as suas fichas nas mobilizações populares, algo anteriormente impensável em se tratando deste setor.

Faz isso ao mesmo tempo que mantém grande alarmismo e sem conseguir esconder o velho senso policialesco, inerente à sua ideologia ultraconservadora. Isso tudo é altamente preocupante. Preocupante enquanto evidencia que grande parte do que varre o país hoje não advém de amadurecimento democrático, além de deixar, naturalmente, sérias dúvidas sobre o futuro institucional brasileiro. Estamos sendo levados pelos meios de comunicação. Resta saber para onde.

Vale ainda destacar que a maior parte das reivindicações de rua hoje envolvem tudo o que a política historicamente dominante e a própria Imprensa predominante sempre rechaçaram completamente. Eis mais um grande paradoxo, os principais meios de comunicação apoiam as manifestações, mas "esqueceram de avisar": não apoiam a essência das reivindicações que preponderam nessas manifestações.

A questão fundamental que se coloca é: quem Dilma vai desagradar em meio a todo esse paradoxo que, repentinamente, tomou o Brasil? Se desagradar ao povo e satisfizer aos usurpadores do poder, aquele não tende a sair das ruas apoiado pela "grande" mídia casuísta. Se desagradar a estes últimos em atenção ao povo como vem demonstrando, a presidente dificilmente termina o mandato, sem nenhum apoio no Legislativo além da bateria midiática potencializada em várias vezes.

A presidente Dilma foi colocada em uma sinuca de bico por um setor que, nitidamente e como em qualquer lugar do mundo, manipula opiniões e atos. A conjuntura atual está totalmente atípica, extremamente frágil, e o conserto não será tarefa fácil. O brasileiro, milhares dando grandes lições de cidadania, deve ter consciência dessa triste realidade, inclusive e sobretudo para protestar nas ruas.

As mobilizações populares são absolutamente justificáveis, motivos não faltam no país mas o caminho que o Brasil está seguindo estão sendo colocados sob sério risco pelo mesmo setor midiático que apoiou o golpe de 64 e os sangrentos 21 anos que o seguiram, nebulosa época em que a mídia gorda lucrou como nunca.

"Resta saber se os jovens que foram para as ruas tomar um banho de liberdade, estão dispostos a jogar fora a democracia com a água do banho", é um dos editoriais do jornal O Estado de S. Paulo deste dia 1º, um dos que apoiaram o golpe de 1964. Naquela ocasião, para derrubar um governo democraticamente eleito e amplamente apoiado pela sociedade, foi utilizado esse mesmo discurso, "salvar a democracia". Mas era um golpe, para o qual mobilizações populares financiados pela CIA (algo documentado, especialmente envolvendo a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade que reuniu 500 mil em São Paulo) serviram como argumento.

O velho jogo midiático manipulatório encontra muita facilidade, de novo. Sem amadurecimento do senso cidadão, a principal Primavera que deveria se dar no dia a dia através do exercício efetivo da cidadania nos estudos, no trabalho, nos espaços públicos, estabelecimentos etc, seguirá castrada pela velha apatia, indiferença, caráter discriminatório e do jeitinho que marcam nossa sociedade.

Manifestações populares devem ser consequência de uma série de fatores que se iniciam na conscientização - e devem ser manifestações desses próprios fatores, para não serem inócuas -. Corrupção, injustiça e exploração endêmicas não fazem parte apenas da política, mas dos mais diversos setores da sociedade. Qual a postura predominante perante isso tudo na vida cotidiana? Acompanha a indignação das ruas hoje? Estamos dispostos a trocar seis por meia dúzia, ou mesmo a retroceder drasticamente?

Se não houver amadurecimento democrático hoje, não haverá amanhã para deter as possíveis traquinagens político-midiáticas em cima do que varre o Brasil atualmente e não pode estar nas mãos deles, mas lamentavelmente está. O tempo urge, e que tais manifestações não venham a ser efêmeras ou se voltar contra a própria sociedade. "Não é hora de recuar, nem de viver de lendas", já cantava o venezuelano Ali Primera.


JORNALECOS & SAITECOS
Hilariantemente Trágicos

Brasil virou ao avesso: louve-se a mobilização popular, mas quando está em jogo o poder, faz-se evidente pobreza de ideais e de caráter

30 de junho de 2013 / Publicado no Observatório da Imprensa


É hilariantemente trágico ler determinados jornalecos, saitecos (a outra face de uma mesma moeda midiático-politiqueira), pseudo-intelectuais e militantes petistas (diversos destes, escondidos detrás de nomes falsos nos espaços para comentários) defendendo pateticamente hoje, no mais absoluto desespero com o estado caótico que virou o Brasil de cabeça para baixo há 3 semanas, exatamente aquilo que sempre cobramos do governo federal enquanto esses mesmos nos acusavam de extremistas, além das muitas chacotas que desqualificavam totalmente o debate - a principal se dava através da (des) qualificação de "puritano".

O ex-presidente Lula, por sua vez, quem governou duas vezes (2003-2006/2007-2010) apoiado em maioria parlamentar, e até recentemente, antes de todo esse furacão, não deixava por nada os holofotes (exceto para opinar sobre o Mensalão), agora simplesmente desapareceu deixando a presidente Dilma (governança com minoria parlamentar) falando sozinha, dando cara à tapa para todos os lados em meio à selva de pedras.

É claro que aquelas que sempre tentaram se fazer crer a última palavra em Estado de direito, fazem tais defesas atualmente com o devido cuidado, escolhendo cínica e minuciosamente as palavras e o modo a fim de serem o menos patético possível.

Regulação da mídia; mais investimentos em saúde, educação, segurança e transporte públicos, em moradia e em saneamento básico; não se privatizar bens que tanto custaram à sociedade; não aos despejamentos forçados; não à violência contra os povos originários; não ao desmatamento permitido pelo Código Florestal; não ao Pão e Circo do mero assistencialismo sem produção, nem melhoria das condições de trabalho e nem de ensino somado aos bilionários espetáculos de 2014 (Copa) e 2016 (Olimpíada); além de reforma política e agrária.

Muitos até defendiam todos ou quase todos esses pontos, porém "compreendendo" a ineficiência estatal aplicando diversos eufemismos e subterfúgios para se justificar, na realidade defendendo seus próprios interesses - nunca entenderam ineficiência nenhuma quando não se tratava de seu partido no poder. Impiedosos.

Contrariaram a própria história. Mancharam-se. Caíram de bumbum no chão, feio. Em nome da politicagem, compromissados com o poder, não com a sociedade nem com sua própria dignidade pessoal, militante. Se o PT levar um definitivo tombo, não será de pé. Mas, certamente, cairão todos abraçados entre si, com os erros para todo o sempre.

Se o governo federal vier a deixar o poder antes das eleições de 2014, muito provavelmente o autoritarismo o substituirá de maneira que seremos todos vítimas do oportunismo alheio, das prepotências desse mesmo governo em nome da governabilidade a qualquer custo. Neste caso, certamente ninguém aparecerá para se justificar, muito menos se desculpar: não há ombridade, não há brios suficientes.

Última palavra em comédia no Brasil, a "grande" mídia ultraconservadora que apoiou o golpe militar de 1964 e lucrou como nunca com os sangrentos 21 anos de ditadura que o seguiram, muito "curiosamente" hoje contraria seu histórico editorial e mesmo o do início das manifestações, as quais classificou histericamente de vandalismo incitando em direção a um Estado policialesco, para posteriormente defender entusiasticamente, é isto mesmo, defender mobilizações populares que, literalmente, param o Brasil há 3 semanas.

Deste setor da Imprensa brasileira não se poderia esperar nada além de contradição e muita manipulação, mas chama profundamente a atenção o quanto o Brasil virou repentinamente ao avesso há 3 semanas. Tal "revolução editorial", evidentemente efêmera, deve-se, no mínimo, na "melhor" das hipóteses agora, à oportunidade que a grande mídia descobriu em desgastar o governo, contra que exerce oposição histericamente sistemática, através das manifestações (leia mais em Reflexões e Perspectivas, abaixo)

O mundo dá mesmo muitas voltas. A que ridículo as pessoas não se prestam neste país, em nome, unicamente, de seus interesses político-partidários? Enfim, ruim com eles, vítimas em grande parte do próprio veneno com isso tudo que varre o Brasil, pior seria com a iminente ditadura militar.

Deixem o PT aí, que venham as eleições de 2014 e que a sociedade acorde de verdade. E, é claro, que haja opções eleitorais dignas em contraposição a esse sistema falido em um país historicamente pobre em ideais, com uma dita esquerda sempre frágil intelectualmente, demagoga, altamente oportunista nos mais diversos aspectos, nos mais diferentes partidos.

Não há como tentar fazer uma leitura sóbria da atual conjuntura, equação com sério aspecto de insolubilidade, sem ser politicamente incorreto, sem abrir mão dos próprios vícios ideológicos e dos interesses. Eis um dos desafios que se colocam, chegou a hora de ver quem tem garrafa vazia para vender, e disto depende hoje o destino do Brasil.


www.edumontesanti.skyrock.com
quem poderia ter-lhe contado?

02/07/2013


Protestos Urbanos: Manipulação, Massas de Manobra, Estratégia de Tensão?

Nas redes sociais, via-se à beça comentários ofensivos nas páginas do atos, pedindo que os partidários enfiassem suas bandeiras aqui e acolá. Ao mesmo tempo, as manifestações nas ruas foram tornando-se carnavalescas, com cara de comemoração de final de Copa com o Brasil campeão em vários sentidos, desde a enxurrada de verde e amarelo que tomara conta dos acontecimentos, até as músicas alegres tocando de fundo e sorrisos felizes nos tantos rostos que ocupavam a venida Paulista.

"Professora, achei legal as manifestações, mas eu não posso ir porque depois do trabalho corro para casa... e moro longe de onde estão acontecendo. Sabe, minha patroa está indo aos atos... primeiro foram os filhos, agora ela vai junto. Ela disse que está tudo lindo, que temos que lutar pelos nossos direitos... que quem sustenta o país é a classe média... Aí, eu fiquei me perguntando, se temos que exigir nossos direitos por que ela não assina minha carteira de trabalho (e já tem onze anos que trabalho com ela)?

Não aguentei e perguntei para ela, que me disse que não assina porque teria que descontar do meu salário e só o governo ia lucrar com isso. Sabe, errado... se quer lutar pelos direitos dela, deveria me dar os meus direitos também".

De ameaças verbais, em coro e cusparadas a socos e porradaria, sujeitos de grupos urbanos conservadores e também pessoas não ligadas a esses grupos mas "antivermelhos", entraram em ação, de forma que tanto o próprio MPL, quanto partidários, militantes sociais e simpatizantes tiveram que sair do ato (que comemoraria a baixa dos preços das passagens), assustados.


Camila Petroni e Débora Lessa, manifestantes. No semanário Brasil de Fato, 24.6.2013


Há, nesse momento, uma direção política, sim, conduzindo os protestos. E essa condução é dada pela grande mídia. Foi ela quem "capturou" a agenda e fez transitar a pauta principal dos protestos da luta pela redução das passagens à luta abstrata contra a corrupção. A ação política da mídia lançou nas bocas - e nos cartazes - dos manifestantes a PEC 37, cujo conteúdo quase ninguém conhecia até poucos dias.

E não há motivos para ilusões: trata-se de um processo organizado. (...) movimentos e organizações que estavam na origem dos atos já identificaram, inclusive, a criação de 'eventos' no facebook em seus nomes por pessoas completamente estranhas à suas estruturas. Os telejornais selecionam em suas edições cartazes e depoimentos que se referem, exclusivamente, ao tema da corrupção.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Oxford e publicada no "Scientific Reports", em 2011, analisou os mecanismos por trás das mobilizações políticas realizadas nas redes sociais. A pesquisa observou que as pessoas recebiam uma quantidade enorme de mensagens, num curto espaço de tempo, gerando uma sensação de urgência, que as levava a aderir aos atos de forma explosiva, num movimento em cascata. É um verdadeiro boca a boca digital.

A aprovação dos atos está se contagiando rapidamente (pesquisas já indicam quase 90% de apoio) e a experiência de aprovação de um contagia outros com uma velocidade impressionante. Estima-se que a cada minuto 600 pessoas tenham sido convidadas para o ato em São Paulo na última semana. E o problema é que a mídia é quem está compartilhando e canalizando o sentimento das pessoas. Governos e partidos, não.


Vinicius Wu, secretário geral do RS e coordenador do Gabinete Digital, publicado no editorial de Carta Maior, 24.6.2013

A sociedade não se transforma, se não se transforma o ser humano,
não o objeto mas aquilo que ele tem dentro da cabeça. Revoluções são culturais, ou não são tais

Gustavo Pereira Prêmio Nacional de Literatura (Veneuela), 22.6.2013 (entrevista à TV Telesur)

Educação rende votos, sim, e muitos - a governos transparentes: quando vierem as
tempestades, apoiar-se-ão na educação e na politização social para se sustentar

Edu Montesanti, 24.6.2013


PROTESTOS URBANOS
Reflexões e Perspectivas

Sociólogos tão intrigados quanto a própria sociedade com o que se alastra. Em tese não há organização, lideranças nem amadurecimento democrático, enquanto se queima bandeiras de partidos em meio aos protestos. Quem está por trás disso tudo?

22 de junho de 2013

"Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, energia e criatividade, de sua aposta no futuro e capacidade de questionar erros do passado e do presente.

"Precisamos oxigenar nosso sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade. É a cidadania , e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar".


Tais palavras foram proferidas pela presidente Dilma Rousseff neste 21 de junho. Mesma semana em que, finalmente, foram baixados os preços das tarifas dos transportes públicos em 15 capitais e em dezenas de cidades brasileiras, atendendo às respectivas reivindicações que levaram, simultaneamente, milhares de brasileiros às ruas de norte a sul do país, totalizando cerca de 1 milhão até agora em mais de duas semanas de protestos absolutamente legítimos, cujas reivindicações são, há muito, providenciais ao Brasil sob poderes políticos casuístas, cínicos, corruptos e totalmente distantes da sociedade.

Por um lado, há profundo e súbito exoticismo nessas circunstâncias (o repentismo dos acontecimentos chama a atenção tanto quanto os próprios fatos em si) em se tratando de Brasil, fazendo com que sociólogos e cientistas políticos, diariamente, escrevam e se declarem abertamente incapazes de explicar a inéditas e aparentemente infinitas manifestações que varrem, de uma hora para outra, um país com dimensões continentais, historicamente indiferente, alheio aos assuntos políticos e mesmo aos do próximo. Até analistas internacionais se mostram intrigados com o que leva milhões de brasileiros às ruas, e desta maneira.

Contudo, a nível internacional não há nenhuma novidade no que vem ocorrendo no Brasil, pelo contrário, tornam os protestos brasileiros sintomáticos se colocados dentro do contexto global, enquanto internamente um novo golpe militar sempre esteve latente através de uma extrema-direita poderosa, profundamente influente em todos os setores e instituições deste país, frente à primeira presidente do sexo feminino, presa e torturada pelo mesmo regime que aplicou o golpe de 1964, e ditou sanguinariamente as regras deste país por 21 anos apoiado na mesma mídia conservadora que, hoje, incita as manifestações. Por quais motivos?

Sobre tudo isso, é fundamental considerar alguns pontos para que possamos refletir sobre o que acontece, se é realmente fruto de amadurecimento democrático, e, em caso negativo, tentarmos identificar suas origens, refletirmos sobre sua essência e as prováveis consequências dos protestos urbanos para o Brasil.

12 Pontos Sintomáticos

1. Manifestações homogeneamente longas em um país com dimensões continentais é possível apenas em sociedades, no mínimo, amplamente politizadas (para nem dizermos bem organizadas), e neste exato ponto reside o ninho de pulgas atrás da orelha de sociólogos hoje os quais, com razão, não entendem absolutamente nada do que ocorre - nem os manifestantes mesmo, em sua maioria entendem absolutamente nada disso: conversa-se hoje em universidades, para ficar apenas na considerada "elite intelectual" do país, e se observa claramente, como sempre, uma sociedade extremamente alienada, sem opinião, sem dar grande importância aos assuntos sócio-políticos, muitos sem nenhum senso cidadão; usar termos como "atual processo democrático" soa como palavrão, ou algo assim, além da profunda indiferença que nos marca - você se assusta com o susto alienado, ingênuo dessas pessoas. Tal despolitização se reflete, obviamente, nas ruas hoje.

A estranha homogeneidade relativa dá-se na forma como ocorrem as manifestações, de norte a sul do país, conforme será abordado no próximo parágrafo, embora tal forma não seja única. Trata-se de fator mais intrigante que a homogeneidade temporal, isto é, a saída simultânea às ruas sem uma liderança nacional ou grandes lideranças locais conectadas, portanto não sendo, aparentemente, pré-estabelecida. Somos amplamente ajudados pela era da informação em tempo real, é inegável que a sociedade está mudando bem mais que o sistema político, mas uma mobilização repentina a nível nacional entre uma sociedade em grade parte despolitizada, desinteressada, pode ser enigmática. Nossa sociedade é profundamente reacionária, o que observamos claramente nos mínimos detalhes do dia a dia, perante um Estado, que não investe em educação, altamente policialesco, para isso incentivado pela grande mídia.

Bandeiras de partidos têm sido queimadas nessas manifestações por todo o país, e muitos portadores desses materiais, agredidos verbal e fisicamente, o que fere gravemente a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal, evidenciando também algo bem organizado e com caráter profundamente reacionário presente nesses protestos, de maneira dominante. Vale ressaltar ainda que a anulação de partidos políticos, base da democracia e de debates públicos, é matéria-prima de regimes ditatoriais e totalitários. As manifestações poderiam ser apartidárias (talvez nestas circunstâncias hoje, já seja essencial a participação dos partidos para afirmar o Estado democrático), mas jamais antipartidárias.

Não que os partidos brasileiros tenham desempenhado importante papel na "democracia" nacional, nem que sejam peça vital nas manifestações de rua hoje e nem sequer em uma ideal democracia em si, a participativa do povo, pelo povo, para o povo, muito pelo contrário: são sectários, politiqueiros, dominadores e corruptos em sua imensa maioria sendo, exatamente por isso tudo, muito mais obstáculo à ativa participação da sociedade na vida política do país que impulsores.. Eis aí o sistema para falar por nós.

O Ato Institucional 2, Artigo 18 de 27 de outubro de 1965 da ditadura militar (1964-1985), dizia: "A Revolução [ditadura militar] é um movimento que veio da inspiração do povo brasileiro para atender suas aspirações mais legítimas: erradicar uma situação e um governo que afundava o País na corrupção e na subversão [...]". Assim, foram extintos os partidos enquanto os militares apelavam para o discursos ufanisticamente patrióticos, "Brasil, ame-o ou deixe-o", Prá frente, Brasil!" etc, eliminando desta maneira a crítica e qualquer oposição (a "tática do nacionalismo" é tão antiga quanto a formação dos Estados, cujos exemplos mais recentes são o nazi-fascismo e Bush para eliminar todo e qualuer questionamento sobre as implicações do 11 de Setembro, e da subsequente "Guerra ao Terror", acusando os questionadores de apátridas, exatamente como se dava na época da Guerra Fria para colocar em descrédito quem contestava o sistema).

A atual agressividade antipartidária, em si mesma um ato político, pode nada mais ser que um meio disfarçado para que partidários ultraconservadores se apresentem e, como vem acontecendo, ganhem o controle da situação (exatamente o que ocorreu no golpe militar de 1964).

Outra curiosidade sintomática reside neste ponto: os mesmos que se dizem pacifistas, combatentes da violência nos protestos de rua, têm agido com extrema brutalidade (apoiados pela grande mídia) contra militantes partidários (de esquerda). E para isso, desta vez não há a Polícia Militar truculenta (incentivada pela grande mídia) contra os esquerdistas do MPL que, pacificamente, protestavam no início de tudo pelo aumento das tarifas dos transportes públicos.

Cartaz a favor da intervenção militar, no quinto grande
ato, dia 17, por redução da tarifa dos transoprtes / SP

Quem está por trás disso? Quem são? Por que não aparecem? E por que não se permitir que determinados partidos, especialmente de tendência esquerdista, deem sua cara? Para justificar "alguma" medida no futuro próximo? Qual?

Os grandes jornais brasileiros não têm divulgado consistentemente a presença de setores fascistas nessas manifestações, nem muito menos levantado tais questões;

2. Os jornalões conservadores contradizem sua história e multiplicam editoriais sobre as manifestações populares, o que é ainda mais curioso: incitam-as sob lemas ufanistas, patrióticos vazios tais como "festa da democracia", exatamente como se deu às vésperas do golpe de 64. O Estado de S. Paulo entrevistou o Movimento Passe Livre (MPL, impulsor das manifestações reivindicando redução nas tarifas dos transportes públicos) no dia 21, referindo-se a ele como libertário, contrário ao livre-mercado. Normal?

Não apenas os grandes meios de comunicação contradizem suas linhas editoriais históricas, mas sua razão de ser, aquilo que está por trás dessa editoria: todos os seus proprietários, monopolizadores da informação, são diretamente ligados ao latifúndio, ao agronegócio ou até mesmo aos banqueiros: a revista Veja, ultraconservadora e oposicionista irracionalmente sistemática do governo Dilma, das mais entusiastas apoiantes das atuais manifestações populares (pasmem!), possui 15% de suas ações nas mãos de bancos multinacionais. E o governo Dilma tem baixado consideravelmente os juros, nas alturas há décadas, gerando lucros exorbitantes aos todo-poderosos bancos. Vale repetir e insistir: é, no mínimo, muito curioso que agora defendam o povo e sua "Primavera". Afinal, o interesse de quem está por trás isso tudo?

Analisando superficialmente que seja os grandes meios de comunicação do Brasil, que apoiaram e lucraram como nunca na época ditatorial, não consta em nada, nem no dia a dia hoje nem em seus podres anais mais remotos, que tenham mudado os ideais, isto é, que sejam hoje libertários - muito pelo contrário: em fevereiro de 2009, a própria Folha de S. Paulo amenizou a ditadura, qualificando-a carinhosamente de ditabranda.

A data da mudança midiática em direção ao apoio às manifestações coincide exatamente com a retirada do MPL e da própria Tropa de Choque das ruas de São Paulo no dia 17 (quinto ato, imagem acima), à qual a mesma mídia clamava pelo uso da força nos dias anteriores, e com a entrada em cena, com toda a força, dos antipartidários. Foi também nesta data que ganharam força os setores reacionários, principalmente nas ruas da capital paulista.

Por mais que se tenha ferramentas como o Facebook hoje, que vieram a revolucionar a informação e as próprias relações sociais, gera igualmente, no mínimo, bastante intriga observar um mesmo espírito nas capitais do Norte, Nordeste e no extremo Sul do Brasil, em alguns casos pessoas dizendo as mesmas palavras, "transporte foi a gota d'água" em entrevistas midiáticas simultâneas;

3. O jornal The New York Times desta quarta-feira, 19 de junho estampou em sua capa foto de meia página de policial atacando com spray de pimenta uma manifestante no Rio, "defendendo manifestação popular latino-americano".

Este é outro fato muito intrigante, outro ineditismo provocado pelas manifestações brasileiras. Desta vez, internacional: o espaço da grande mídia norte-americana, e do New York Times em particular, a uma manifestação popular latina e na capa, é algo atípico, contraria totalmente sua história "jornalística".

No dia seguinte, 20, o mesmo jornal promove debate um tanto curioso, incitante até (por que não, sintomático): “Os Protestos Mudarão o Brasil?”.

Tampouco consta nos anais deste jornalão a nível global mudança na linha editorial, especialmente enquanto voz semi-oficial da Casa Branca.

Um movimento nascido nos Estados Unidos, "Change", promoveu recentemente a corrente "Change Brazil', enquanto "curiosamente" ele, nada menos que proprietário do Facebook, Mark Zuckerberg, passa a defender mudanças no Brasil;

4. Na Síria, no Egito e na Líbia, WikiLeaks revelou que há vários anos a CIA injeta, secretamente, bilhões de dólares a organizações não governamentais e órgãos por direitos humanos "oposicionistas" (vale destacar), além de ter influenciar a cultura e a mídia predominante contra os governos locais, o que tem desencadeado as chamadas Primaveras naqueles países as quais, através de um artificial efeito dominó, revelaram-se falsas revoluções, motivo para intervenção militar, tática conhecida como Estratégia de Tensão a fim de justificar políticas de linha-dura (exatamente como se dá nos EUA hoje, os quais ferem as liberdades civis sem precedentes em sua história, encontrando para isso justificativa no artificial "terror" social, internacional e local).

Manifestações se proliferaram de maneira surpreendentemente rápida, subitamente, sem precedentes inclusive ideológicos naqueles países. Eles possuem a cara idêntica do que ocorre no Brasil hoje, embora, obviamente, as causas e diversas formas variem de nação à nação.

Na "corrida contra o terror" no Oriente Médio e Norte da África, as manipulações imperialistas são absolutamente sintomáticas, previsíveis, o filme vem sempre se repetindo na forma e no discurso desde 1979, por ocasião da Revolução Iraniana.

O velho discurso da caça aos comunistas foi substituída pela tentativa de caça aos terroristas de Bush, quem já havia considerado colocar o Brasil no tal Eixo do Mal. Pois essa caça terrorista, em moda internacional, pode muito bem se reavivar, ou ser substituída por outra escusa, ou mesmo reavivar o espírito da Guerra Fria acompanhado da retórica anti-comunista, dadas as origens do PT. É o que os próximos dias dirão;

5. Conforme já abordado, a grande mídia que por aqui "solidariza-se" às manifestações, é a mesma que apoiou o golpe de 64 financiado pela CIA (agência de Inteligência dos EUA), e a ditadura inclusive logisticamente contra a qual, vale enfatizar, a presidente Dilma Rousseff, que segue o distanciamento de Washington iniciado pelo antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, lutou contra a ditadura militar.

E não apenas isso: a presidente Dilma, para revolta da maioria dos militares antigos e mais jovens, está impulsionando amplamente a Comissão da Verdade a fim de esclarecer os crimes, muitos deles de lesa humanidade, cometidos pelo regime preferido dos meios de comunicação predominantes (leia Golpes Militares na América Latina - Brasil).

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram os setores conscientes da vida política brasileira. (Editorial de O Globo, 2/4/1964)

Marcha da Família com Deus, pela Liberdade, que reuniu
500 mil pessoas em SP e levou ao golpe de 64, financiado pela CIA

Alguma semelhança com o que lemos nas revistas e jornais, e assistimos nas telas de TV hoje? Sigamos adiante:

Esta grande mídia é também a mesma que pouco espaço deu (o que é presente constante e extremamente preocupante à mídia internacional, mesmo predominante, aqui é passado remoto) ao escândalo de espionagem de Obama (matérias consistentemente reveladoras aqui, aqui e aqui), o qual qualificou eufemisticamente de "bisbilhotice", algo gracioso partindo da raivosa mídia conservadora.

Entrevistou e em grande medida limitou-se a traduzir entrevistas e "análises" veículos mais conservadores dos EUA, "intelectuais respeitados" que justificaram a vigilância na segurança nacional dos EUA. Tal escândalo envolveu também o Facebook, que hoje bloqueia o semanário paulista Brasil de Fato, justamente quando este passou a cobrir de maneira crítica as manifestações no Brasil.

Facebook igualmente entremetido nestes crimes denunciados pelo ex-agente da CIA Edward Snowden (que virou notícia mundial ao liberar aos jornais The Washington Post (EUA) e The Guardian (Grã Bretanha) telegrama ultrassecreto do presidente Barack Obama) em 14 de junho ao diário South Morning China, de Hong Kong: "Snowden acredita que houve mais de 61 mil operações de hackers da NSA [National Security Agency, serviço de Inteligência dos EUA] no mundo"

São estes abaixo os jornais e esta a revista exatamente que comandam tal sistema que monopoliza a informação, e que apoiaram a ditadura militar, afirmações que não poderiam ter sido esquecidas embora muito pouco tenham sido divulgadas, devido à ditadura da informação:

"(...) O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja podem se dedicar a informar sobre os riscos que podem advir de se punir quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Esta Embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados (...)".

A Folha de S. Paulo tem pesquisado pesquisa o quanto o brasileiro deseja democracia ou aceitaria retorno à ditadura, segundo matéria do Brasil de Fato que expõe questionários e perguntas tendenciosas contra oo atual governo e em favor da ditadura. "Curiosamente", tal pesquisa coincide com a "Primavera" brasileira.

Importantes trechos da matéria do semanário:

Na pesquisa, os números estimulados foram:

- 53% dos entrevistados disserem concordar com a afirmação: "democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo".

- 19% escolheram: "em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático".

- 20% escolheram: "tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura".

Os 8% restantes se dividem entre quem se declarou explicitamente favorável a uma ditadura e os que respondem "não sei".

A notícia saiu sob o título “Apoio ao regime democrático tem ligeira queda” e tem viés de pregação antidemocrática. Isso porque, segundo a publicação, houve oscilação nos números em relação há 10 anos atrás, quando 57% dos entrevistados responderam "democracia sempre" e os que responderam "depende das circunstâncias" foram 16%.

por Gilberto Nascimento, no Facebook

Quanto à possibilidade de que pesquisas agora possam estar sendo instrumentalizadas, a página Vi o Mundo republicou um comentário postado por Gilberto Nascimento, no Facebook:

"Há cerca de uma hora, na esquina de casa, vi uma mulher abordando outra para perguntar o que achava das manifestações e quebra-quebra no País e se era a favor do que vinha acontecendo.

"Como o assunto me interessou, parei e fiquei um pouco próximo para ouvir do que se tratava. A mulher que perguntava tinha um crachá branco e azul, com o nome do Datafolha.

"Minha surpresa foi quando a pesquisadora indagou em quem a mulher votava e se ela gostava da Dilma e do Lula. A entrevistada respondeu que votava e continuaria votando no PT.

"Aí, a tal pesquisadora respondeu: 'Fala baixo, você pode apanhar'. Cheguei perto e questionei: 'Como pesquisadora, a senhora não pode interferir nas respostas'. A suposta representante do Datafolha disse que só estava avisando “porque gente do PT estava apanhando ontem na Paulista.

"Respondi novamente: 'A senhora quer amedrontar a entrevistada? Quer que ela mude de opinião?'. Peguei o nome da entrevistadora no crachá e disse que iria informar o instituto.

"Pelo visto, é assim que se colhe a opinião do povo nas ruas. E preparem-se: nas próximas horas pode sair uma nova pesquisa dizendo que o povo não quer mais a Dilma e o PT no poder."

Este mesmo setor da mídia que, hoje, muda seus editoriais, suas grades programáticas, que conduz as massas e dita a postura da segurança pública e dos discursos e das medidas políticas. Exatamente como se deu em 1964 no Brasil e em todos os golpes do mundo contemporâneo (Alemanha nazista, Itália fascista, EUA nos casos da II Guerra Mundial, Vietnã, "Guerra ao Terror", Lucio Gutiérrez, o falso progressista no Equador, golpe contra Fernando Lugo no Paraguai, etc).

Em outras palavras, os golpes iniciam-se na manipulação midiática, presente fortemente, nitidamente nas manifestações no Brasil hoje.

6. O Império agoniza, e tudo indica que apenas se agravarão sua crise econômica e o isolamento internacional, em descrédito vertiginoso enquanto se acumulam escândalos;

7. Enquanto isso, durante os governos do PT o Brasil, de certa forma, descola-se de Washington não seguindo tão fielmente quanto nos governos anteriores seus ditames, nem internos nem na agenda global.

Nestes dias, mais um pronunciamento do diplomata brasileiro Paulo Pinheiro da ONU (Organização das Nações Unidas) opõe-se frontalmente à concessão de armas a rebeldes sírios, afirmando em nome da organização que nada comprova ataque de armas químicas pelo governo local, ao contrário do que diz Washington, sem provas.

Valem destaque o amplo fortalecimento da aliança entre governos progressistas anti-imperialistas na América Latina, incluindo o Brasil, além da própria aliança Sul-Sul (mundial) que envolve - nesta região mais rica em biodiversidade do planeta e que abriga ainda a 6ª economia mundial, o Brasil - também as inimigas norte-americanas China e Irã (ambas temidas pelos EUA).

Países sul-americanos que formam esta consistente aliança, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Uruguai, Paraguai e Venezuela, fundaram o Banco do Sul, descolando ainda mais as economias nacionais dos ditames do FMI (Fundo Monetário Internacional), ao qual o Brasil não deve nada mais, pelo contrário: é credor.

O Equador oferece asilo a Julian Assange de WikiLeaks, a Argentina condena seus ex-ditadores e Carlos Menem, todos pró-EUA, a Venezuela já se descolou de Washington há mais de 10 anos, a Bolívia expulsou embaixador norte-americano de La Paz e nacionalizou gás natural, o Paraguai elegeu um progressista assim como o Uruguai (este último, governo estável enquanto o outro sofreu golpe influenciado decisivamente pela CIA, fato documentado revelado também por WikiLeaks).

Para o avanço de toda essa agenda, o gigante latino-americano desempenha papel preponderante;

8. Nestes mesmos países latino-americanos, tem havido constantes sabotagens, tentativas de golpe e de assassinato aos seus respectivos presidentes, casos comprovados em cada um deles - no Paraguai obteve êxito há exatamente 1 ano, quando o presidente Fernando Lugo foi deposto através de golpe que assustou todo o mundo pela rapidez, estando por trás daquilo, desde o início de seu mandato, exatamente a CIA (matérias aqui, aqui e aqui, além da cabos secretos liberados por WikiLeaks sobre a América Latina);

9. A presidente Dilma, cujo governo é realmente passível de inúmeros protestos, possui índices de aprovação variando na casa dos 50%, popularidade jamais alcançada por um presidente da República em 3º ano no 1º mandato;

10. A oposição de direita brasileira sabe, tanto quanto sua amestrada mídia local e tanto quanto os agentes da CIA travestidos de embaixadores no Brasil, que jogam suas migalhas a ambos àqueles, que Dilma ganhará as próximas eleições: se a vitória se der em 2º turno, será zebra, pois tudo indica que vencerá em 1º turno, com folga.

Tal reeleição, que configurará 16 anos de governo petista no Brasil - fortalecendo ainda mais a emancipação latino-americana em processo democrático e de prosperidade que chamam a atenção de todo o globo -, trata-se de denominador comum entre os mais diversos setores da sociedade, a começar por cientistas políticos das mais diversas tendências;

11. No último dia 5, manifestação contra o movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) liderada pelo pastor-deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, e pelo pastor Silas Malafaia, ambos com histórico discurso reacionário e em declarado pé de guerra com homólogos progressistas liderados pelo pastor Ariovaldo Ramos, curiosamente mencionaram, no meio de seus protestos, críticas ao governo Dilma, especificamente em relação ao julgamento do Mensalão (leia mais abaixo Ato Evangélico: Anti-Cidadania e Natural Truculência).

Não é novidade a ninguém as influências políticas ligadas à extrema-direita de grande parte dos líderes religiosos, especialmente esse setor evangélico, o qual possui grande bancada no Congresso.

Outros pontos curiosos é que as influências políticas evangélicas costumam ser silenciosas, não se costuma fazer oposição abertamente - tudo isso por questões óbvias. O outro, é que este setor religioso apoiou amplamente a então candidata Dilma Rousseff na campanha presidencial de 2010, concedendo-a inclusive os palcos de suas igrejas.

Hoje, apenas um motivo muito forte levaria este setor a criticar abertamente a presidente da República. Qual é este motivo?

12. De quebra, para quem deseja desestabilização nacional não poderia haver época mais oportuna que durante a Copa das Confederações, quando holofotes mundiais estão voltados ao Brasil. Ano que vem haverá Copa do Mundo, e uma desestabilização excessiva que alcançasse as vésperas de tal período (junho/julho), mesmo não chegando a uma guerra civil, seria motivo de pichação "apaixonadamente" mundial contra o atual governo ("apaixonada", dado o velho ópio para cujo fim usam o esporte, especialmente o futebol).

Considerações Finais, e Urgentes

Parece haver uma organização bem estruturada por trás dessas manifestações, chamando a atenção por serem forças da extrema-direita, ultrarreacionária, historicamente golpista que se sobrepôs às atuais manifestações iniciadas pelo MPL com aceitação de parte da população, valendo-se da força bruta descomedida para atingir seus objetivos políticos, sob escusa de mobilização apartidária para ser agressivamente antipartidária.

O fato de tudo ter se iniciado com o MPL, organização apartidária com tendências progressistas conforme já apontado, não elimina a hipótese de uma Estratégia de Tensão estar em curso nos porões da política por trás disso tudo, já que é sabido muito antes de WikiLeaks e Snowden trazerem à tona os passos ocultos dos donos do poder em todo o mundo, que inteligências policiais acompanham de perto todos os passos de movimentos sociais, de maneira que tal cenário de tensão, se realmente estiver ocorrendo, pode ter sido preparado antes de o MPL ter colocado em prática seus protestos nas ruas.

A resposta para o porquê dessa intolerante, inconstitucional rechaça antipartidária sob ameaça de agressões físicas (sem que a segurança pública faça nada, sem que os jornalões agora "humanitários" cobrem tal postura), pergunta formulada no ponto primeiro, teremos proximamente. Há, nitidamente, uma ampla face reacionária se desenvolvendo rapidamente nas ruas do Brasil hoje.

Em face disso tudo, embora necessárias há muito tempo, são sintomáticas contra o Estado de direito as inéditas manifestações, rapidamente tomando formas extremamente perigosas ao Brasil, país dos mais corruptos do mundo onde há ainda péssima qualidade dos serviços públicos, corrupção endêmica, ferimentos aos direitos humanos, portanto com inúmeros motivos para que haja protestos frequentemente massivos.

A questão fundamental que se coloca neste momento é a seguinte: se as manifestações de hoje - que se iniciaram de maneira positiva e ainda mantém legitimidade - não forem fruto unicamente do amadurecimento democrático mas de interesses obscuros, revelar-se-ão um grande tiro no pé da sociedade: um outono ainda mais sombrio nos aguarda por trás do que pode ser um cenário de primavera. O curto tempo nos dirá isso.

Do contrário, o Brasil realmente terá acordado mais forte conforme afirmou a presidente Dilma, a democracia dará largos passos a frente e que venham mais demonstrações da força das ruas - mas com outro aspecto e com outro conteúdo. Uma coisa é evidente, confirmando o alegado no início, e merece toda a atenção: um novo golpe ditatorial está e sempre esteve latente no Brasil.

Nos países que viveram supostas primaveras, mencionados no ponto 4, nada mais que um cenário armado em meio ao profundo outono social, tem o nome mencionado no mesmo ponto 4, desconhecido no Brasil mas tão velho quanto a formação dos Estados: Estratégias de Tensão. Tudo se revelou uma grande mentira arquitetada secretamente pelos governos de Washington, com sua política expansionista coercitiva. E as massas de manobra, manipuladas pelos poderes estabelecidos, estão pagando muito caro por terem embarcado neste engano imperialista.

Recentemente e bem próximo ao país, no vizinho Paraguai o golpe que derrubou o presidente Fernando Lugo em junho de 2012, deu-se exatamente através de uma Estratégia de Tensão com o chamado massacre de Curuguaty, conflito forjado entre camponeses e Polícia Nacional rapidamente transformada em "enorme crise institucional" pelos grandes jornais, acusando o governo de maneira totalmente infundada. Quanto ao Brasil, perante uma Estratégia de Tensão poucos países possuem tanta propensão à intervenção militar já que a Constituição Federal de 1988, no artigo 142, garante às Forças Armadas "defesa da lei e da ordem" - um grave retrocesso.

Estratégias de Tensão têm sido praticadas nestes dias de manifestações pela Polícia Militar, sobre a qual impera a Inspetoria Geral da Polícia Militar (IGPM), instaurada por um decreto de lei no final da década de 1960 , à época da ditadura militar para inspecionar a PM. Este vídeo é uma prova de tal estratégia colocada em prática, onde um policial quebra o vidro da própria viatura a fim de culpar cidadãos.

Mesmo se as manifestações forem artificiais, em grande parte impulsionadas nos seculares porões do poder nacionais e continentais, não necessariamente levaria a um golpe militar, pois isso dependeria muito de como as circunstâncias viessem a se desencadear, por exemplo a postura da sociedade, a situação do país (por exemplo, caótica) com resistência irredutível do governo, e da presidente pessoalmente. Assim, um golpe poderia se dar através da cassação do mandato presidencial.

Poucos governantes tomariam a posição da presidente Dilma hoje: solidarizar-se irredutivelmente às manifestações populares, dando a cara à tapa praticamente sozinha - para nem entrar aqui na questão dos evangélicos, vozes "puritanas" com uma bancada no mínimo inócua que apenas cresce com forte apelo moralista no Congresso, usou de muita neurolinguística na campanha presidencial em favor da então candidata Dilma, manipulando suas massas, tendo o pastor Silas Malafaia e ele, Marco Feliciano reivindicado maior espaço para ecoarem suas vozes, reivindicando ufanisticamente como lhes é peculiar exercício da cidadania e influência nos assuntos da nação por parte de seu setor religioso, "sem perseguição religiosa", totalmente omissos agora em que tantos estão se ferindo e alguns morrendo nas ruas (outra ilustração do nível do "amadurecimento democrático", tendo em vista o tamanho do eleitorado evangélico, e sua "representatividade" política hoje).

Dilma pronunciou neste 21 de junho:

(...) Elas [manifestações] mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.

Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder.

(...) As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira.

A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros.

Não há por que não dar crédito à presidente agora, embora se deva seguir reivindicando investimentos profundamente sérios em educação, saúde, saneamento básico, moradia, segurança etc, e mesmo protestar contra a infame Copa do Mundo e Olimpíada.

Por outro lado, o PT está sendo vítima do próprio veneno de suas escolhas políticas: não se aproximou da sociedade, não providenciou educação = politização, mas tem feito orgíacas alianças com os velhos oligarcas além de apoiar financeiramente a mídia comercial em detrimento da alternativa, e aberto totalmente mão das Leis de Imprensa contidas nas mais tradicionais democracias mundiais.

Desta maneira, se a presidente quiser resgatar mais que o governo, mas garantir o Estado democrático deve atualizar sua agenda e proporcionar profunda reforma neste país a começar pela política, pelos meios de comunicação além de priorizar serviços básicos, tais como saúde, segurança, educação, condições de trabalho, saneamento básico e moradia. Para tudo isso, não cabe mais a velha escusa petista de falta de apoio das massas, de alianças espúrias em nome da governabilidade e outras retóricas deste tipo: o PT está aprendendo sua lição a duras penas (oxalá que esteja...).

Como o PT trilhou caminhos equivocados, o monstro pode estar se voltando contra seu instigador, e se este for o caso, nem o PT, refém do sistema a que se submeteu, nem a sociedade, essencialmente afastada da vida política do país, poderão fazer absolutamente nada. Todos passageiros do destino uma vez mais, a se confirmar os sérios sintomas de tudo o que vem ocorrendo no Brasil.

A presidente ainda disse neste dia 21: "Precisamos oxigenar o nosso sistema político. É a cidadania , e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar". É exatamente o que temos defendido nestas páginas, em todas as outras e em todos os lugares. Apenas a força da sociedade participando ativamente da vida politica do país, que passa inevitavelmente por muita cobrança e, se for o caso, protestos de rua semanais, poderá trazer as mudanças que urgem. Elas não partirão do poder estabelecido.

Contudo, os rumos dessas manifestações de hoje devem apontar para um lado oposto. O Brasil tende muito mais a passar por outro doloroso processo de Estratégia de Tensão, e mais acentuada que no passado, que às aparências democráticas e moralistas desses protestos.

Nestas manifestações de massa, único meio capaz de transformar este país, há diversos cidadãos conscientes demonstrando inúmeras insatisfações, fazendo justas reivindicações, abertamente defendendo o regime democrático. Essas vozes devem se fazer prevalecer - a que pesem as necessárias e inevitáveis diversidades culturais e ideais - sobre o setor obscuro reacionário que divide espaço e, à força, parece estar tomando controle da situação. Resta saber se a sociedade terá fôlego para reverter esse quadro preocupante.

Quanto às possíveis influências desestabilizadoras, até mesmo externas, não se trata de uma grandemente pobre, nova tese envolvendo o jogo político e as relações sociais, mas as Estratégias de Tensão têm pautado a história dos Estados em todo o mundo. Muitas mobilizações localizadas ou de longo alcance legítimas se iniciam de maneira louvável, com justas exigências até, mas o fim, quando estimulado por forças políticas oposicionistas, dá-se da maneira dos poderosos e não de acordo com as reivindicações populares nem muito menos com o bem-comum.

O próprio Golpe de 64 no Brasil é emblemático exemplo disso: a impulsora, Marcha da Família com Deus, pela Liberdade, reuniu cerca de 500 mil pessoas das classe média e alta no centro de São Paulo, muitas das quais com terços nas mãos. Poucas semanas depois, veio a "Revolução Democrática" que derrubou o presidente João Goulart e instalou a sangrenta ditadura militar de 21 anos.

Por isso, a sociedade deve estar muito atenta e ativa quanto aos rumos das manifestações que varrem o Brasil, através de claro efeito dominó entre grandes exemplos de cidadania e pessoas alheias ao que ocorre, nas marchas e na própria conjuntura nacional, além das forças "estranhas" que passaram a agir muito rapidamente, de incrivelmente influente e organizada.

Há muito o que ser saudado e incentivado entre as manifestações, desde o início com o MPL exigindo redução das tarifas dos transportes até agora, apontando que, talvez, a era da informação em tempo real perante um Estado que nenhuma atenção dá à educação, tem proporcionado maior conscientização e, indiscutivelmente, grande capacidade de mobilização (apesar de todos os perigos da virtualidade). Essas manifestações podem e devem ser conduzidas em favor da sociedade, porém há um forte cheiro de golpe no ar e disso se deve ter plena consciência, pois é evidente que o autoritarismo sempre esteve vivo com suas pretensões de ditar novamente as ordens por aqui.

Também há muito ainda a ser compreendido sobre o que tem acontecido nos últimos dias, muitas lições a serem tiradas disso tudo. Se houver entendimento e souber tirar tais lições (o que inclui modificar este quadro sintomático, no caso de estarmos corretos no que apontamos), e rapidamente, significará que boa parte dessas manifestações aponta a uma mudança positiva no conteúdo e na postura histórica da sociedade brasileira, alheia à vida política do país. Mas o tempo urge...

O tempo mesmo dará essa resposta, muito brevemente, e dependendo do caminho que o Brasil seguir nos próximos dias, a grande mídia tratará de continuar desinformando e confundindo a sociedade por um longo tempo ainda, deixando-a à mercê da "compreensão" do que está acontecendo apenas nos livros de história algum dia, segundo a versão distorcida do poder corrupto estabelecido. Oxalá tudo isso volte a ser a Primavera do início, a fim de transformar este país no Brasil que todos nós desejamos.



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02/07/2013


PROTESTOS URBANOS
Respostas Práticas da Presidente - e Louváveis

Os próximos dias ditarão o futuro do país: chegou a hora de o governo federal mostrar de que lado está. Ou tudo ou nada no Brasil

22 de Junho de 2013

A presidente Dilma Rousseff, após saudar as manifestações logo que eclodiram e condenar os excessos da polícia, afirmando que o Brasil amanhecera mais maduro democraticamente e que a voz das ruas deveria ser ouvida, postura que pouquíssimos governantes em seu lugar manteriam, anunciou no discurso em cadeia nacional nesta sexta-feira (21) que se reunirá com as lideranças das mobilizações sociais, e que tomará diversas medidas em favor da sociedade, nas mais diversas áreas incluindo aplicação de 100% das royalties do petróleo em educação.

O brasileiro está adaptado a ter suas reivindicações, das tímidas às mais vigorosas, "resolvidas" à base de repressão como fazem, por exemplo, os sucessivos governos policialescos do estado de São Paulo, e como fez agora mesmo nos primeiros dias dos protestos quando a Polícia espalhou violência descomedidamente, a mando direto do governador Geraldo Alckmin, incitado pela rancorosa mídia grande (sempre ela).

É hora de a sociedade saudar a presidente, sem abrir mão de suas legítimas reivindicações, mas contar com a prometida reunião e com as medidas sócio-políticas a serem tomadas. Apenas um político que não tem o que esconder e temer, mantém a postura de nossa presidente agora. Os inúmeros corruptos deste país estariam literalmente tremendo nas atuais circunstâncias (como muitos do próprio partido da presidente devem estar).

As reivindicações são justas perante um poder político distante da sociedade em todas as suas esferas, além das nítidas carências nas mais diversas áreas, a que pesem as forças que acabaram se infiltrando nos protestos ou, não se sabe até que ponto, desde o início organizando forte pressão contra o Estado democrático ao ultrapassar todos os limites da liberdade de expressão e da compreensão por parte da nação geral - entendimento de quem exatamente são muitos manifestantes nitidamente bem organizados, de onde vêm, quem representam, para que precisamente parar o país agora, onde querem chegar, nada disso muito claro.

Desde o início, a presidente dá praticamente sozinha sua cara à tapa em meio à classe política e uma própria sociedade permeada de demagogos e oportunistas. É nestas horas que se conhece o caráter das pessoas. Uma presidente assim - sempre muito criticada inclusive nestas páginas, pelos rumos políticos do país - é o que aumenta a autoestima dos cidadãos, o que faz um país se orgulhar.

O Brasil possui todos os motivos para se manifestar massivamente, e com muita frequência conforme a própria presidente tem enfatizado desde o início dos manifestos. Contudo, se isso não for fruto de conscientização e de amadurecimento democrático mas sim de manipulação, o processo democrático brasileiro, que já é muito lento, retrocederá catastroficamente.


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