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XXIX. CURTINHAS - Nacional (Arquivo 1) 16/05/2013



LEI DE ANISTIA
OAB Coordenará Fórum pela Memória, Verdade e Justiça

2 de agosto de 2013

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) coordenará fórum permanente, a fim de punir agentes que cometeram crimes de homicídio e de desaparecimento de pessoas durante a ditadura militar (1964-1985), decisão tomada no debate promovido pela entidade nesta quinta-feira (1) em sua Comissão Especial da Memória, Verdade e Justiça.

A atual Comissão da Verdade - completamente afastada da "grande" mídia (que apoiou o golpe de 64 e os sangrentos 21 anos que o seguiram), do debate societário e, evidentemente, das manifestações de rua que varreram o país a partir de meados de junho -, assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2009, aprovada pelo Congresso em 21 de setembro de 2011 e ratificada pela presidente Dilma Rousseff em 18 de novembro do mesmo ano, prevê apenas revisão de nossa história, a memória e apuração da verdade, nos últimos tempos complementada pela urgentemente democrática prática da justiça.

Para ser realista, as chances de que se concretize justiça no que diz respeito aos crime da ditadura,ou mesmo que sequer sejam apurados, são remotas perante o cenário político-midiático-societário do Brasil. Mas vale seguir acreditando e investindo nessa proposta que mudaria o caráter de um país passivo (não se confunda o sentido com "pacífico"), apático, indiferente, injusto e sem memória.


EDUCAÇÃO
Fraude em 73% das Prefeituras do País

1º de agosto de 2013, com Agência Estado

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou nesta quarta-feira (31 de julho) que 73% das prefeituras fiscalizadas em 2011 e 2012 fraudaram processos de licitação para a compra de serviços e materiais de uso na rede pública de ensino.

O relatório sobre a execução de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que transfere, anualmente, mais de R$ 100 bilhões para bancar salários de professores, compra de equipamentos e manutenção de atividades como a merenda e o transporte escolar.

Comparado com levantamentos de 2007 a 2009, os dados de hoje a partir de 64 municípios beneficiados financeiramente com o fundo, analisados pela CGU através de sorteio, apontam aumento das fraudes.

O jornal O Estado de S. Paulo reportou nesta quarta-feira que,

Nos dois últimos anos, 70% dos municípios fizeram despesas incompatíveis com a finalidade do Fundeb.
Em 25% dos casos, houve falhas na execução de contratos. É comum o uso do dinheiro sem qualquer controle
ou prestação de contas: 32% sacaram dinheiro do fundo na boca do caixa.

Há situações em que a retirada dos recursos foi feita pelo gestor pouco antes da posse de um novo prefeito.
O relatório também cita a contratação de empresas fantasmas para o transporte escolar.

Para tornar este quadro ainda mais catastróficos, os gastos com educação no Brasil já são, proporcionalmente, os menores do mundo: 5,1% em 2012, e em 2011 foram vergonhosos 2,99% em um país com maior índice de analfabetismo da América Latina: dados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009, divulgados em 2012, apontam que 30% da sociedade é analfabeta entre funcionais e plenos, com mínimo avanço nas últimas décadas.

Mesmo estes índices alarmantes não refletem a realidade quando se considera analfabetismo, pois os indicadores do Pnad consideram apenas escolarização enquanto há milhões de cidadãos escolarizados analfabetos, funcionais ou totais. Isso significa dizer que o número de analfabetos no País é muito superior a este, já alto.

Consequência disso tudo, o Brasil é a nação das que menos lê em todo o mundo. Dizem que a governos corruptos (e os nossos historicamente reinam neste quesito, tendo piorado nos últimos anos segundo o Transparency International e a realidade nua e crua do dia a dia), nada melhor que impor às sociedades aversão à educação e cultura. Será o caso no Brasil, hoje e sempre? Tire você a conclusão, como diz o final de cada comentário o jornalista venezuelano Randy Alonso Falcón, no programa USA de Verdad da rede de TV Telesur.

16/05/2013


MINHA CASA, MINHA VIDA
Trabalhos Análogos à Escravidão

25 de julho de 2013

Nos últimos quatro meses no estado da Bahia, foram flagrados trabalhos análogos à escravidão nas obras do do programa de habitação do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, nas cidades de Camaçari e Feira de Santana, a 120 quilômetros da capital do Estado, onde os trabalhadores prestavam serviços para empresas terceirizadas.

Conforme informa Stefano Wrobleski de Repórter Brasil, reproduzido pelo semanário paulista Brasil de Fato nesta quinta-feira (25), oito trabalhadores trabalhavam nas obras do “Residencial Caminho do Mar” foram resgatadas em Camaçari em 13 de junho. em Feira de Santana três meses antes, no dia 13 de março foram flagradas 24 pessoas em condições de escravidão.

Em Camaçari, os trabalhadores foram aliciados pela empresa Andrade Alves em Acajutiba, a cerca de 140 quilômetros da cidade onde passaram a trabalhar. A empresa obrigou os contratados a pagar pelo deslocamento até Camaçari, e registrou-os como ajudantes enquanto prestavam serviços de pintura, tendo sido contratados para essa atividade caracterizando terceirização ilícita.

De acordo com Vitor Filgueiras, auditor fiscal do trabalho que libertou os denunciantes,

Eles foram à sede da Gerência Regional do Trabalho e Emprego no município para pedir socorro porque haviam sido demitidos e queriam voltar para sua terra natal, mas não tinham dinheiro para a viagem e passavam fome”. Eles seriam despejados do hotel onde estavam no mesmo dia e estavam sem comer desde o dia anterior porque o fornecimento de refeições havia sido cortado um dia depois da demissão. Como não receberam as passagens de retorno, os empregados estavam com o direito de ir e vir violados, o que contribuiu para a caracterização de condições análogas às de escravo.

Em Feira de Santana, além dos trabalhadores também terem que ter pago pela viagem, a auditora do trabalho da cidade Liane Durão,

Casas que formavam o alojamento fornecido pela empresa estavam em condições degradantes. O local não possuía água potável e estava extremamente sujo porque não tinha ninguém responsável pela limpeza, obrigando os trabalhadores a limpá-lo durante a noite e em fins de semana. Animais como escorpiões e carrapatos entravam com frequência na casa. Além disso, os próprios empregados tinham de comprar os produtos de limpeza. Uma das casas não tinha vaso sanitário, obrigando-os a fazer as necessidades no mato. As refeições não eram fornecidas durante a noite e aos fins de semana e, como não havia geladeira nem isopor para armazenar a comida, a carne ficava pendurada em varais (imagem abaixo). Outro problema era a falta de camas e o fornecimento de colchões inadequados.


Conforme temos insistido nesta página, se o governo federal tivesse investido em melhorias das condições de trabalho e na produção ao invés de perpetuar as migalhas do Estado, não apenas não haveria notícias profundamente lamentáveis como esta, como a economia do país não seria essa bolha na iminência de estourar. Mas o sistema adotado pelo PT garante votos, e isso parece ser o que mais importa.

Matérias relacionadas: PT, Jornalões & Jornalecos: Casuísmo Governamental e Parcialidade Midiática
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MINIRREFORMA POLÍTICA
PT Vítima de Suas Demagogias

19 de julho de 2013

Com a indicação da presidência da Câmara do deputado Candido Vaccarezza (PT-SP) para presidir a comissão designada para elaborar a tão reivindicada reforma política pelos protestos urbanos, ela deve mesmo ser resumida a uma "minirreforma eleitoral" que passará bem longe dos interesses da sociedade e de um país mais democrático.

A oposição ferrenha da "grande" mídia, das figuras mais tétricas da política e de diversos setores mais à esquerda em relação à proposta da presidente Dilma Rousseff de plebiscito a fim de aprovar de maneira popular os novos rumos da política brasileira, deixava claro que dificilmente a sociedade teria participação no que nem reforma mais será, e com o povo assistindo tudo de pé lá da geral (com aquele cheiro de xixi horroroso).

Assim como o PT, entremetido em casos de corrupção foi, em parte, vítima da autonomia a mais que deu à Polícia Federal sem mudar (em parte pois o julgamento do Mensalão, caso evidente, acabou condenando sem provas determinados personagens, apesar dos fortes indícios que não podem ser suficientes para reger a Justiça). O PT se esqueceu de se oxigenar, de colocar em prática o Brasil decente do parlatório eleitoreiro.

Enquanto reprimia e reprime movimentos sociais e trabalhadores Brasil afora, especialmente do campo, tanto quanto tem tratado de desqualificar de maneira baixa oposições e toda e qualquer crítica construtiva, utilizando-se de fraseologia e rótulos, discursava e discursa como defensor dos direitos do povo, como paladino da verdade e da justiça: aí estão as massas nas ruas, assustando ao PT por fazer o que ele fez e pregou toda a vida (enquanto oposição, e um tanto precariamente).

Pois a sociedade clama por mudança radical no sistema político. Promover essa reforma nunca foi do interesse da cúpula do PT, do contrário já teria feito nos mais de 10 anos que está no tão almejado poder. Tanto quanto nunca se preocupou com educação (em 2011, os gastos que giravam em torno dos 5% do PIB, ficou em vergonhosos 2,9%), nem em saúde (ano passado, gastos com saúde não chegaram a 4% do PIB - países desenvolvidos, cerca de 16,7% são aplicados na saúde pública -, e para piorar a situação, o setor privado ficou com 58% das verbas do governo para a saúde, contra 42% do destinado ao setor público enquanto depende deste 80% dos brasileiros, isto é, cerca de 155 milhões de pessoas).

Esses são apenas alguns exemplos, dentre os mais catastróficos, do descaso governamental com a causa pública, para nem mencionar a regulação da mídia que acabou engavetada, hoje nem faz parte do debate da cúpula petista, e nisso também o partido acaba vítima de sua própria demagogia e omissão enquanto sofre a malhação tendenciosa, impiedosa, sistemática dos barões da Imprensa.

No caso da reforma política, um partido como o PT, não o do discurso mas o das indecentes alianças com PMDB, PSD de Gilberto Kassab, com personagens do nível de Paulo Maluf, José Sarney, Renan Calheiros, não pode estar interessado em reforma política. A presidente é uma voz no deserto (ainda acreditamos que há nela boa-vontade neste sentido).

Houve alguns avanços com o PT no governo federal sim, mas ele está sendo vítima de suas contradições, muito mais da excessiva hipocrisia politiqueira que de progresso como tentam fazer crer agora discursos vazios, baseados em mera retórica. Isso é tão evidente quanto o descontentamento societário e quanto a "grande transformação" que o Brasil assistirá após a tormenta: nenhuma.

E o Lula, sumiu mesmo?


CPI DOS TRANSPORTES-SP
Documentos sob Sigilo

19 de julho de 2013, com Agência Estado

O vereador Paulo Fiorilo (PT) anunciou nesta sexta-feira (19) que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes, da Câmara Municipal, decidiu trabalhar com documentos que manterá em sigilo, aos quais a população não poderá ter acesso. Isso contraria o projeto inicial da CPI, o qual previa transparência total nas investigações.

Apenas os sete vereadores que compõem a mesa poderão ter acesso direto aos dados já repassados pela São Paulo Transporte (SPTrans) sobre os repasses às empresas e cooperativas de ônibus. Os outros 47 vereadores, caso queiram ter acesso ao material, terão antes que formalizar um pedido. E ainda assim, nada garante que vejam todo o material analisado pela CPI.

Além disso, os outros vereadores (a Casa tem 55 parlamentares) não poderão fazer intervenções ao microfone durante as próximas sessões da CPI dos Transportes, decisão criticada por alguns vereadores, tais como Ricardo Young (PPS), fora da comissão. "Eu não encontro fundamento regimental para que os vereadores não possam fazer uso da palavra durante as sessões regulares da CPI. Estou achando muito estranha essa decisão".

Se o acesso aos documentos é restrito entre os vereadores, em relação à população fica evidente, uma vez mais, o nível da "democracia representativa" deste país. "No caso da população, é diferente dos vereadores, até pelas responsabilidades de cada um. Agora, o que eu já disse: aqueles [documentos] que forem públicos, a população vai ter acesso. O que for público é público. O que a gente separou é o que pode ter, do ponto de vista das empresas, algum tipo de sigilo", afirmou Paulo Fiorilo.

Se se trata de mais uma demonstração do lugar que ocupa a sociedade civil na vida política e no destino do país, deixa evidente também, conforme temos insistido, o quanto o Brasil, dada sua realidade sócio-política, sairá "transformado" dessas manifestações - passará por essa onda tão "amadurecido" democraticamente quanto o real interesse do grosso da população (mesmo dentre os muitos que saíram às ruas) com a nação, e quanto o nível do caráter do maior câncer deste país: a classe política.

Vale ressaltar que Fiorillo pertence ao PT, tratando, desta maneira, de legitimar ainda mais os fortes protestos que tomam conta do país e de enfraquecer a imagem que o partido faz de si mesmo, cada vez mais despedaçada e com toda a justiça.


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
Lula Defende Snowden e Questiona Governo Brasileiro

19 de julho de 2013

O ex-presidente Lula defendeu o ex-técnico da CIA e da NSA (serviços de Inteligência dos EUA) em uma palestra na Universidade do ABC (São Paulo), nesta sexta-feira (19): "Acredito que esse jovem está prestando um serviço à democracia ao denunciar um país presidido por um homem como Barack Obama". E ainda questionou o governo federal por não ter aceito o pedido de asilo a Snowden: "Não sei qual foi o critério para negar".

O Brasil sabe o que motivou o Itamaraty a não conceder asilo a Snowden, embora não compreenda seu fundamento: "[Asilo a Snowden] é fato superado. Não concedemos porque outros países já se ofereceram", afirmou o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota. O ex-presidente não sabe tanto quanto o país todo qual a essência de tanta hipocrisia covarde, e não teve a curiosidade de perguntar, coisa que a sociedade gostaria, mas não tem possibilidade de fazer? Devolvendo a gentileza, é incompreensível o critério político de Lula para se negar a isso agora.

Por um lado, em comparação com os presidentes que o Brasil costumava ter antes dele, é um avanço relativo tal pronunciamento (vide a pífia posição de Fernando Henrique envolvendo este caso). Por outro, pode soar como um tanto demagógica dado que Lula se referiu à Lei de Anistia (que prescreve crimes praticados durante a ditadura militar que se estendeu de 1964 a 1985, patrocinada diretamente pelos EUA) como "passado é passado", isto é, deve-se esquecer o que ocorreu nos 21 anos mais sangrentos da história desse país.

Quanto às revelações de WikiLeaks mesmo, bem semelhantes ao "serviço prestado" por Snoden agora, enquanto ocupava o Palácio do Planalto, Lula fez o que pôde para minimizar. Os cabos secretos liberados por WikiLeaks evidenciam integrantes do governo Lula reunindo-se em sigilo com embaixadores norte-americanos espiões, e lá, na Embaixada dos EUA Brasília - subserviência delivery para completar a humilhação.

Nessas reuniões, discutia-se a conjuntura brasileira e os planos do governo federal, o que não é papel de embaixada nenhuma segundo princípios diplomáticos internacionais. Enquanto isso em Washington, ele, George Bush, impiedoso, presidente da guerra como se autodefinia cujo governo e personalidade se resumiram perfeitamente na famosa sentença, "ou estão ao nosso lado, ou contra nós", tinha exatamente em nosso ex-presidente uma de suas grandes personalidades, era fã de Lula.

Seu governo não deu bons exemplos na área de direitos humanos (leia Saneamento Público - Onde Jogar Tanto Lixo Humano?), além da própria política externa durante o tempo quando foi presidente (o que não mudou tanta coisa agora), em cujo período os bancos nunca lucraram tanto, e o país viu assim como vê hoje fuga de capitais como jamais antes na história.

Em palestras dentro de universidades causa boa impressão tais pronunciamentos, e se o governo federal não explicou por que negou asilo a Snowden, Lula não explicou à sociedade o que ele, como grande líder do partido governista, disse a esse respeito entre seus correligionários. Nada?

Enfim, tal postura sim, indica se tratar de oportunismo em cima das gravíssimas denúncias do ex-agente da Inteligência norte-americana. O que poderia contrariar essa séria impressão seria atitudes concretas de Lula que, mesmo sendo ex-presidente, é uma liderança partidária e seus anos na Presidência foram atingidos pela espionagem massiva made in USA.

Portanto, agora sim e mais que nunca, ele deveria aparecer como tanto aprecia, e de maneira firme, ao Brasil todo indo muito além da retórica. O tempo há de confirmar nossas impressões, ou desmenti-las.


MC DONALD'S & RELIGIÃO
Depois do Papa, a Ambulância


19 de julho de 2013

De acordo com contrato exclusivamente firmado entre Mc Donald's e a Jornada Mundial da Juventude (católica), a gigante mundial de lanches será o restaurante oficial da visita do Papa Francisco no Brasil, a ser realizada no Rio de Janeiro a partir da terça-feira (23) para a qual são esperadas 2 milhões de pessoas das mais diversas nações.

Aos participantes serão entregues um cartão especial, através do qual consumirão seus devidos lanches com exclusividade na empresa cujas frituras ultrapassam em mais de 500 vezes a quantidade de acrilamida (reação química ao óleo em temperatura elevada) permitida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Conforme observamos em Alimentação Vegetariana, uma Questão de Bom-Senso, "pequena molécula formada em alimentos ricos em carboidratos quando aquecidos a uma temperatura próxima aos 120°C, principalmente quando são fritos, a acrilamida é cancerígena, e o câncer é responsável por 12,5% das mortes no mundo, figurando em segundo lugar dentre as doenças que mais matam".

Além disso, o Mc Donald's enfrenta várias denúncias por irregularidades trabalhistas no Brasil, tais como submissão de seus funcionários a condições análogas à escravidão, o que está sendo investigado pela Polícia Federal (e não deve resultar em absolutamente nada).

A rede de lanches também formulou o “combo do peregrino”, que consiste em um sanduíche + acompanhamentos, tudo para que o povo do Senhor desenvolva mais espiritualidade naqueles dias, com bastante saúde espiritual naqueles dias, com uma boa dose de amor alienador e nenhuma saúde física, sob exclusividade imposta pela impiedosa ditadura do capital.

Os interesses comerciais dessa natureza envolvendo instituições e manifestações religiosas já deveriam ser um escândalo por si só. Contudo, neste sistema asqueroso que inverte totalmente os papeis, condenados somos os que fazemos tais observações, certamente a começar pelos líderes religiosos acusando-nos de radicais e cerceadores da "liberdade".

Cenário totalmente descaracterizado, desolador. Mas, enfim, estamos na era do monoteísmo do mercado: que haja muita oração, louvor, câncer e exploração alheia. Depois da tempestade, a bonança? Depois do Papa, a ambulância. Amém.


"VOLTA LULA"
Brasil, o País das Contradições

18 de julho de 2013, com Agência Estado

Grande parte da ala petista faz coro, "volta Lula". Este nunca havia saído debaixo dos holofotes desde que deixou a Presidência em 2011, algo nocivo ao atual governo. Agora, contudo, quando este mesmo governo do qual é padrinho mais requer seu posicionamento publicamente firme (se é que ele realmente apoia a sucessora o que, democraticamente, poderia não fazer, mas deveria se manifestar como ex-presidente e padrinho de Dilma), Lula mantém silêncio, omissão nada surpreendente dado seu caráter demagogo, politiqueiro.

E neste caso da malhação generalizada contra a presidente Dilma, em que os "companheiros" que até há menos de um mês apoiavam raivosamente seu governo (ou o poder?), o ex-presidente "permanece fielmente ao lado da presidente!". Será?

Lula afirmou nesta quarta-feira (17): "Quem prega o 'Volta, Lula' é burro, ou ingênuo. Não podemos cair na armadilha de enveredar no mesmo debate político da oposição". Por isso, Lula indica que a eleição de 2014 deve ser discutida apenas em 2014. Portanto, a posição do ex-presidente nada mais é que politiqueira tendo em vistas o jogo da oposição e visando a manutenção do poder, não de apoio propriamente à figura da presidente nem a seu governo.

Tanto quanto é meramente politiqueira sua proposta de reforma dentro do PT, já que internamente sempre apoiou tal projeto formulado por outra corrente, a da chapa de Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, quem insistiu, após o escândalo do Mensalão, na "refundação do PT", para cuja proposta Lula e sua chapa nem aceitavam dialogar. Uma crise que coloque em xeque o poder faz bem, não?

Em 3 semanas, a pauta midiática conseguiu retirar a presidente mais popular em 3º ano de 1º mandato da história do Brasil e jogá-la ao patamar mais impopular: de cerca de 57% a 30%, sem nada que tivesse feito, em tão pouco tempo, que justificasse tal queda vertiginosa.

Nós que sempre criticamos o governo aqui, nas mais diversas páginas e locais - sendo, por isso, ferozmente atacados por esse mesmo setor político que quer a saída da presidente Dilma -, temos observado agora acertos da presidente apontado ainda, exatamente, essa e diversas outras manipulações da mídia envolvendo estes dias que varrem o Brasil, a qual faz inversão total de papeis não discutindo os problemas do país, mas oportunisticamente pega carona nisso tudo para defender seus interesses político-comerciais, e fazer o governo injustamente sangrar.

Entre concordâncias e grandes divergências políticas, a presidente Dilma jamais poderá ser acusada do que muitos desses militantes petistas que hoje clamam pelo "volta, Lula" deveriam se envergonhar, mas não sentem o menor constrangimento: envolvimento em corrupção.

Além disso, a presidente é herdeira de muitos males do governo Lula, dos quais não pode sair - por exemplo, certos rumos econômicos e as orgíacas alianças com determinados partidos e figuras políticas, tais como o PMDB, Paulo Maluf, Renan Calheiros e José Sarney, entre vários outros personagens nada simpáticos à sociedade (é bem verdade que a presidente,por sua vez, optou candidatar-se pelo PT com tudo isso, e não mudar seus rumos políticos como fizeram outros,por exemplo Marina Silva).

É este mesmo setor político quem hoje clama, desesperadamente a fim de se salvar no poder político, pelas medidas que sempre defendemos aqui, nas mais diversas páginas e locais, as mesmas que defendem as ruas, defesas que outrora nos valiam "acusação" mordaz de extremistas, radicais por parte desses mesmos desesperados por novas políticas hoje, conforme apontamos em Jornalecos & Saitecos: Hilariantemente Trágicos.

Neste mesmo artigo, observamos: "O mundo dá mesmo muitas voltas. A que ridículo as pessoas não se prestam neste país em nome, unicamente, de seus interesses político-partidários?"

Brasil, o país das "contradições", para não ir mais longe e repetir o que temos dito dessa suja política com seus militantes de péssimo gosto, nos mais diversos partidos, nas mais variadas tendências ideológicas atrás unicamente de poder. Este país tem jeito?


PRONUNCIAMENTO DE DILMA
"Ruas Não Pediram Volta aos Anos 90"

17 de julho de 2013

"Quando promovemos a ascensão social - e hoje estamos perto de eliminar a pobreza extrema - sabíamos que isso era só o começo para maiores exigências. Quando criamos um grande contingente de cidadãos com melhores condições de vida e com maior acesso à informação, vimos surgir um cidadão com novas vontades, anseios, desejos, exigências e demandas.

"Ninguém, neste último mês de várias manifestações, pediu a volta ao passado. Pediram, sim, o avanço para um futuro com mais direitos e mais democracia. Exigiram avanços, e tudo o que ocorreu, floresceu justamente em meio a um processo de mudança que estamos fazendo no Brasil há uma década; entre 2003 e 2013 ocorreu a maior redução da desigualdade dos últimos 50 anos; foi nesta década que criamos um sistema de proteção social que vai nos permitir praticamente superar a extrema pobreza.

"Em um mundo que desemprega, criamos quase 20 milhões de empregos com carteira assinada. Fizemos nestes dez anos o mais urgente e necessário; agora fomos cobrados a fazer mais. Queremos e devemos fazer mais".

Isso é parte do que afirmou a presidenta Dilma Rousseff em Brasília nesta quarta-feira (17), na reunião dos 10 Anos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Uma vez mais, evidenciando por que as classes dominantes brasileiras, cuja porta-voz é a "grande" mídia, exercem perseguição sistemática, impiedosa contra ela.

Se durante as manifestações populares houve e ainda há intenção de derrubar um governo democraticamente eleito, com o qual divergimos amplamente, é verdade, a presidente da República tem invertido o jogo contra tudo e contra todos: condenou a repressão policial contra os manifestantes, afirmou que as vozes das ruas são legítimas e precisam ser ouvidas, tem se reunido com movimentos sociais, optado por plebiscito em favor de reforma política para que prevaleça a vontade da sociedade e não de um Congresso viciado enfim, feito o que pouquíssimos políticos em seu lugar fariam.

As manifestações possuem várias faces conforme temos argumentado baseados em fatos. Contrariando nossas previsões (oxalá que seja assim), em diversos momentos as circunstâncias indicam que o Brasil sairá amadurecido democraticamente disso tudo pela postura de uma presidente progressista, briosa, transparente que, isso sim, gera orgulho em um povo aliada a este mesmo povo que, em diversas regiões do Brasil, das mais distintas maneiras dá mostras de grande senso cidadão.

A presidente Dilma, mantendo-se firme em suas posições desta maneira até as próximas eleições perante o injusto, descaradamente tendencioso bombardeio midiático, diante também da política oposicionista corrupta e da petista mesma que a deixa sozinha dando a cara à tapa (isso vale especialmente a seu padrinho Lula, quem nunca havia saído dos holofotes, quando deveria ter saído, e agora que se esperava que aparecesse para fortalecer o governo, omite-se vexatoriamente), já significará um grande avanço do Estado de direito, passando por protestos populares intacto e, mais importante, ao lado do povo.


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
86 Deputados Federais Favoráveis

15 de julho de 2013, com Brasil de Fato

Nesta segunda-feira (15), parlamentares do DEM, PMDB, PSDB, PMN, PP, PR, PRP, PSB, PSC, PSD e PTB votaram contra a moção de repúdio à espionagem estadunidense de cidadãos, empresas e instituições brasileiras apresentada no último dia 9 pela Câmara dos Deputados devido à espionagem de mensagens eletrônicas e telefonemas brasileiros.

Entre os que recusam a moção proposta pelo deputado José Guimarães (PT-CE) e apoiam a prática de vigilância generalizada do governo de Washington estão as bancadas ruralista e ela, nada mais, nada menos que a evangélica.

No início das manifestações que varreram o país, quando acreditávamos se tratar de Primavera popular, questionamos justamente essa bancada religiosa pelo silêncio não apenas por seu forte apelo moralista, mas pelo fato de Marco Feliciano presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara quem, menos de 2 semanas antes de eclodirem os protestos, havia organizado manifestação com o pastor Silas Malafaia em Brasília (mobilização de péssimo gosto - truculenta, recheada de retórica e falso moralismo, marcas registradas desse setor religioso - que custou aos seguidores de Malafaia nada menos que R$ 500 mil) afirmando serem cidadãos de primeira classe, afirmando que influenciariam a nação exigindo serem tratados como tais pelo governo (leia Primavera Brasileira: Onde Estão Marco Feliciano e Silas Malafaia?, e Ato Evangélico: Anti-Cidadania e Natural Truculência).

Quando a face dos protestos adquiriu forma extremamente crítica ao país e com aspecto de influência externa (leia 12 pontos sintomáticos em Reflexões e Perspectivas), não apenas ambos os "pastores do Senhor" não se manifestaram a favor de soluções pacíficas, como vieram a público para jogar ainda mais lenha na fogueira nacional praticando a velha manipulação de suas massas (contrariando o apoio à então candidata presidencial Dilma Rousseff em 2010, que já fora profundamente indecente).

Tal fato já vinha a se somar a mais um dos sérios sintomas de tudo isso que sacode o Brasil hoje. Pois hoje se apresenta mais um. Contudo, saber que em nome de Deus e levando milhões de analfabetos políticos, seres profundamente reacionários, torna-se mais repugnante essa passividade conivente da bancada dita evangélica acima do bem e do mal, sem prestar conta à sociedade nem a seu eleitorado totalmente alienado.

Não se deveria esperar nada além de apoio à espionagem contra a sociedade e suas instituições por parte deste setor religioso, cujo sistema, excessivamente verticalizado, é bem menos transparente que o da própria política.

Afinal, a quem servem as igrejas ditas evangélicas deste país? Vale ressaltar que o pastor Malafaia - quem não faz parte da política diretamente mas entre os pastores que mais influenciam o Congresso, senão mesmo o maior deles dentre os líderes religiosos do país - possui seu devido Green Card, entrada livre nos EUA onde é proprietário de um apartamento estimado em R$ 500 mil, naquele mesmo país comprou jatinho e a esposa se trata, há anos, de depressão profunda.

Tudo isso reflete alguma semelhança com os apóstolos e profetas bíblicos, sobre quem tais "pastores" se justificam a fim de receber milionários dízimos e ofertas do povo? Milhões de cidadãos acreditam cegamente que sim... E pior, colocam-nos no poder político do país.

O Império, por sua vez, sempre apreciou enormemente e estica o tapete vermelho a esses imbecilizadores das sociedades que retiram delas a consciência cidadã, além de ter enviado milhares deles para cá especialmente à época do golpe militar de 1964 e dos sangrentos 21 anos que o seguiram. Leia também: A Idade da Mentira: O Evangelho de Sonhos, Igualdade e Poderosa Transformação do Ser Humano como Ferramenta de Alienação Social e Arma para Corruptos Inescrupulosos, e Golpes Militares na América Latina.


MASSACRES NO ARAGUAIA
OAB Cobra Governo sobre Condenação da OEA

11 de julho de 2013, com OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), questionou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, através de ofício enviado nesta quarta-feira (10) sobre quais providências o governo tomou em relação às 62pessoas desaparecidos na região do Araguaia (PA) entre 1972 e 1974 por parte da então ditadura miliar, impunidade condenada pela Organização dos Estados Americanos em dezembro de 2010.

“Passados quase três anos da divulgação da sentença que condenou o Estado Brasileiro, a sociedade e, especialmente, as vítimas e familiares, esperam a adoção de providências para seu integral cumprimento, conforme artigo 68 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a qual aderiu o Estado Brasileiro”, afirma o presidente nacional da OAB no documento enviado ao ministro.

De acordo com a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA, as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem impedir a investigação e a sanção aos responsáveis pelas graves violações de direitos humanos.

A sociedade brasileira precisa se mobilizar, e incluir este tema nos protestos de rua que varrem o Brasil hoje: sem apoio societário, a presidente Dilma, defensora da Comissão da Verdade a fim de esclarecer o que ocorreu nos sangrentos 21 anos de ditadura no Brasil (1964-1985) estará de mãos atadas - é bem verdade que, em grande parte, vítima da própria omissão ao não regular a Imprensa e manter os baixíssimos investimentos em educação ao longo desses anos.

Mas a era da informação global em tempo real está aí a qual, aliada à onda de manifestações, fará com que os cidadãos de hoje sejam no futuro parte de uma gloriosa história, ou de mais um capítulo recheado de omissão, apatia levados por ondas do momento e não de senso solidário, cidadão, e este caso possui uma particularidade muito especial: graças ao sangue derramado também no Araguaia, podemos hoje nos expressar livremente e sair às ruas para protestar.

Portanto, o brasileiro não pode deixar passar esta oportunidade e deve colocar na pauta de lutas a promoção da justiça pelos crimes da ditadura. Certamente, se não for agora, não será nunca mais...


Mais notícias em Dias para Mudar o Brasil: Onda de Manifestações ou Primavera Brasileira?

16/05/2013


ASILO PARA SNOWDEN
Itamaraty Nega Pedido, de Joelhos a Washington

10 de julho de 2013

Nesta terça-feira (9), o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, anunciou definitivamente que não acatará pedido de asilo político a Edward Snowden, ex-técnico da CIA e da NSA, quem revelou a espionagem massiva praticada pelo governo de Washington. “Não responderemos à solicitação de asilo, não será concedido”, afirmou Patriota em Brasília, após reunião com seu homólogo uruguaio, Luis Almagro.

Tal decisão do Itamaraty já era esperada, conforme pronunciamentos anteriores. Somam-se agora 27 países para os quais Snowden pede asilo. Os únicos países que o ofereceram são Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela. Na segunda-feira (8), houve notícias de que o ex-agente da Inteligência dos EUA residiria na Venezuela, por enxergá-la como local mais seguro para se proteger de represálias por parte do governo de seu país.

Snowden trouxe à luz que o Brasil tem sido, ao longo da última década, o país mais espionado pelo governo de Washington, e em janeiro, do mundo. Snowden tem revelado chocante prática secreta dos EUA, sem medir consequências, estrapolando todos os limites possíveis e imaginários.

Aparentemente, o Itamaraty e própria presidente Dilma Rousseff "indignaram-se" com as revelações do jornal carioca O Globo da vigilância massiva dos EUA a cidadãos e instituições brasileiras, com auxílio de empresas de telecomunicações nacionais (leia mais abaixo Brasil, o Mais Vigiado do Mundo), encaminham pedido de explicações à administração de Obama além de colocar a Polícia Federal (PF) para investigar o caso.

Frente a isso tudo, por que negar sumariamente, sem nenhuma justificativa, o pedido de Snowden? O Brasil sempre - na prática especialmente quando mais se espera, se requer, quando a situação urge por medidas que não permitam atalhos, o velho politicamente coreto - de joelhos ao Império.

Tudo indica, e a postura do governo brasileiro leva naturalmente a isso, que em nada resultará as "investigações" da PF, nem os cafezinhos entre embaixadores brasileiros e norte-americanos. Velha política internacional canalha.

Em relação à sociedade brasileira "politizada", hoje "ativa partícipe" nos assuntos políticos do país, onde estão manifestações pelo que o Brasil tem sido vítima, crime internacional sem precedentes que atinge diretamente a cada um de nós, e agora, para protestar contra a decisão covarde, inexplicável do governo? Velha massa de manobra, artificialmente jogada às ruas? O breve futuro, temos insistido, dirá. Oxalá a resposta seja a nosso favor.


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
Brasil, o Mais Vigiado do Mundo

8 de julho de 2013

O diário carioca O Globo tem publicado reportagens nestes sábado (6), domingo (7) e segunda-feira (8),que especificam, de maneira extremamente preocupante, o quanto o Brasil tem sido vítima da espionagem massiva por parte do governo de Washington.

Sábado, o jornal do Rio trouxe a informação de que o Brasil tem sido a nação mais monitorada ao longo da última década na América Latina, e em janeiro deste ano foi o mais espionado do mundo atrás apenas dos residentes vigiados nos próprios Estados Unidos, "que teve 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens espionados", segundo a reportagem [leia sua íntegra, EUA Espionaram Milhões de Correios Eletrônicos e Ligações de Brasileiros (role a tela)].

No dia 7 do mês passado, o Guardian publicou telegrama ultrassecreto entregue por Edward Snwoden (ex-agente da CIA e da NSA, serviços de Inteligência dos EUA) emitido pelo presidente Barack Obama orientando sua administração (especialmente a comunidade de Inteligência) no monitoramento local e internacional envolvendo não apenas políticos, diplomatas, jornalistas, empresas, organizações não governamentais, pelos direitos humanos e movimentos sociais, mas mesmo cidadãos comuns, confirmando tudo o que WikiLeaks tem vazado desde 2010 [leia telegrama ultrassecreto, na íntegra, Obama tells intelligence chiefs to draw up cyber target list – full document text (role a tela)].

Domingo, O Globo trouxe este gráfico, evidenciando o Brasil como principal alvo da política externa espiã dos EUA, sem precedentes na história:
Na segunda-feira, o jornal carioca revelou outra catastrófica informação: "NSA e CIA mantiveram em Brasília equipe para coleta de dados filtrados de satélite. Brasília fez parte da rede de 16 bases dedicadas a programa de coleta de informações".

Tão lamentável quanto tais fatos, é a omissão conivente da "grande" mídia brasileira dada a gravidade da questão, inversamente proporcional ao descaso midiático por aqui: desde o início, tratou de manter o escândalo trazido por Snowden completamente alijado de seus editoriais e, nos poucos dias iniciais que reportou o caso, tratou generalizadamente de mera "bisbilhotice" do governo de Washington, justificada na segurança nacional dos EUA.

Pouco mais de uma semana depois, enquanto o mundo midiático relatava alarmado a vigilância massiva made in USA, por aqui ela já havia se desmanchado no ar dos cadernos internacionais, com uma ou outra exceção. Uma delas se dá agora, quando não há como não noticiar a espionagem da administração de Obama: o governo brasileiro já prepara requerer explicações junto ao governo norte-americano pelo que tem revelado O Globo. Contudo, tal exceção segue sua regra quando aquela é executada: reportagens reduzidas, superficiais, sem abordagem editorial.

Em entrevista à rádio Estadão nesta segunda-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que a Polícia Federal entrará no caso, a fim de investigar convênio de empresas brasileiras com norte-americanas para entregar ligações e mensagens eletrônicas inclusive locais, com fornecimentos de dados pessoais.

Velho jornalismo brasileiro envelhecido, gritantemente tendencioso, destruidor social da realidade, jamais construtor. A quem ele serve? Tal resposta, de enigmática não tem absolutamente nada: dá-se diariamente, e este escândalo responde, uma vez mais, quem pauta a mídia predominante brasileira.

Cumprimente-se a postura da administração Dilma, uma vez mais demonstrando certo compromisso social e defesa do interesse nacional contra o imperialismo norte-americano, o qual encontrava portas escancaradas nos governos anteriores para praticar sua ingerência e seus crimes, muitos inéditos nas relações internacionais que se acumulam com o passar do tempo.

Que o governo seja eficiente nesta exigência de explicações, o que requer contundência e, muito provavelmente dependendo da resposta que obtiver de Washington, inflexibilidade para que saibamos exatamente o que tem sido feito através de toda essa espionagem de décadas: Tio Sam não empregaria milhares de funcionários em seu território (35,2 mil, segundo revelou O Globo), sem contar mais tantas dezenas de milhares mais nos países espionados, nem "investiria" seus bilhões de dólares para uma mera "bisbilhotice". Até porque conhecemos bem a história da política externa norte-americana e seu velho Big Stick, especialmente aqui na América Latina.

Tal posicionamento do Itamaraty também explica porque os Estados Unidos e sua porta-voz oficial, a mídia gorda brasileira, tratam de demonizar os governos progressistas latino-americanos manipulando informações, sabotando, conspirando, tentando assassinar governantes (as mortes de Chávez e Kirchner ainda precisam ser esclarecidas), aplicando golpes, tudo isso a fim de fragmentar uma vez mais a região, implantando na região mais rica em biodiversidade do planeta os velhos governos fantoches de Washington.

Por outro lado, deve-se recordar que nosso governo pratica seu sub-imperialismo contra o sofrido cidadão brasileiro, e da mesma maneira que o impiedoso Império: em 13 de junho, foi denunciado que "quatro agentes da Abin [Inteligência brasileira] foram presos por espionar o governador Eduardo Campos". Em outubro de 2008, o então quinzenal carioca A Nova Democracia já havia denunciado que,

Hoje, os sucessivos casos de grampos ilegais que chegam ao conhecimento público — além das exorbitantes 407 mil autorizações judiciais para escutas telefônicas — nada mais são do que a ponta do iceberg. Valendo-se das atualizações tecnológicas, generalizou-se uma prática fascista do SNI na época dos milicos sob o nome de "sangrar linhas". Ontem e hoje o objetivo é o mesmo: a espionagem e a sabotagem das organizações populares que têm objetivos revolucionários.

[Leia a íntegra desta reportagem, SNI Continua Sabotando o Povo (role a tela)]

Coincidência ou não, enquanto o Brasil é o mais controlado pelos xerifes do mundo, foi repentinamente às ruas para protestar, em grande parte, "contra tudo isso aí", pautado pela "grande" mídia que exerce oposição sistemática e tendenciosa contra o governo federal. detalhe: WikiLeaks revelou que por trás das "Primaveras" egípcia, líbia e síria, estão os agentes da CIA impulsionando massas às ruas para derrubar governos que não atendam aos interesses de Washington, injetando por vários anos bilhões de dólares na mídia predominante de cada país e em "organizações não-governamentais". Além de promover "relações sociais" com cidadãos locais através de redes como o Facebook, através dos chamados fakes, isto é, perfis falsos. Pois isto está comprovado que também foi utilizado no Brasil a fim de levar cidadãos às ruas de norte a sul do país

“[Os meios eletrônicos fornecem] Uma capacidade sem precedentes para [os governos] vigiar os seus cidadãos”. Quem proferiu tais palavras não foram os "criminosos" Snowden, Bradely Manning, Julian Assange, nem os "ditadores" Rafael Correa, Nicolás Maduro, nem os jornais The Guardian e The Washington Post. Isso foi o que afirmou o departamento de análise e antecipação geopolítica e econômica da CIA, no relatório entregue à Casa Branca a cada novo mandato presidencial, em janeiro deste ano intitulado Global Trends 2030 - Alternative Worlds (Tendências Mundiais 2030: Novos Mundos Possíveis). Reportagem sobre este documento, pode ser lido no artigo de Ignacio Ramonet em Le Monde Diplomatique: O Mundo em 2030.

Mera coincidência o crime internacional praticado por Washington e o que varre o país atualmente, pautado pelo nada midiático, ou os sintomas vão se acumulando, trazendo peças-chave ao quebra-cabeça que a mídia gorda tenta desfazer? Quem sabe a sociedade "amadurecida democraticamente" leva tal questão às ruas, e disso surja uma resposta definitiva...

Outra "curiosidade" é que tal protesto não faz parte das ruas tomadas por nossas massas, repentinamente politizadas já há um mês, quando Snowden trouxe as denúncias, data que coincide exatamente com o início das manifestações no Brasil.


www.edumontesanti.skyrock.com
quem poderia ter lhe contado?


PRESIDENTE DILMA
"Meu Governo Jamais Reduzirá Gasto Social"

2 de julho de 2013

Conforme abordado nesta segunda-feira (1) em Queda Vertiginosa e Brasil Pautado pelo Nada Midiático (mais abaixo), a presidente Dilma Rousseff, com cujo governo mantemos as mais diversas divergências bem claramente discorridas em todas essas páginas, contudo a melhor presidente pós-ditadura militar do país, está entre a cruz e a espada: desagradar ao povo ou a grande mídia e os donos do poder deste país.

Se não bastasse tal delicadeza, é justamente a grande mídia quem impulsiona, entusiasticamente, as mobilizações populares nos quatro cantos do Brasil, ainda que contrarie sua própria história editorial, ultraconservadora, e ainda que tais reivindicações sejam opostas aos interesses da "grande" mídia e, sobretudo, de seus patrocinadores.

Pois a presidente Dilma, após contrariar a poderosa mídia (que silencia e joga milhões às ruas de acordo com os ditames superiores) não abrindo mão do plebiscito (consulta popular) para promover a urgente reforma política, afirma: "Meu governo jamais reduzirá gasto social".

Enquanto isso, a ferocidade midiática contra o governo segue tendencionismo literalmente assustador. Manchetes dão a impressão de ser minuciosamente selecionadas, editoriais cumprindo perfeitamente os ditos de Jesus, "se cantar, eles choram; se chorar, eles dançam".

A presidente, após se solidarizar às manifestações alegando urgência em se dar ouvidos à voz das ruas, além de condenar a truculência policial, compra mais brigas com setores do país que não entram para perder, e talvez nunca tenham perdido uma guerra suja neste país.

Para que se o governo possa não apenas promover os avanços necessários, rever os diversos retrocessos e graves ferimentos aos direitos humanos país afora (os quais não têm estado em pauta, lamentavelmente), mas para terminar dignamente este mandato em janeiro de 2015, dependerá da força de caráter de Dilma Rousseff (o que não lhe falta) e de muito apoio popular, sobretudo ao Estado de direito.

A conjuntura atual, que tem tirado noites de sono de sociólogo e dos mais renomados analistas, vai ficando cada vez mais clara: a grande mídia, no mínimo, embarcou nisso que pareceu uma Primavera Brasileira no início (oxalá se confirme proximamente, o que não tem indicado nestes dias de extrema manipulação das informações), e vai (tentando?) ditar o futuro do Brasil.

O que está por trás disso tudo apenas uma análise mais aprofundada, considerando inclusive o contexto internacional, pode ser capaz apontar (leia Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas). O que aguarda o Brasil no futuro breve? Não é nada promissor: a governante dá todos os sinais de se posicionar ao lado do povo, e perante uma situação dessas, de uma quase total vulnerabilidade. A história mostra no que dá isso... Oxalá a história se contradiga agora.


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
Jornalões Brasileiros Insistem em Minimizar

2 de julho de 2013

Definições de bisbilhotar: Fam. Fazer mexericos. V.t. Examinar, esquadrinhar (dicio.com.br).
Tradução ao francês: Fouiner.
Tradução ao inglês: To snoop.

Este é o termo que os jornalões brasileiros têm majoritariamente aplicado à espionagem de meios eletrônicos em todo o mundo da administração de Obama, sem precedentes na história envolvendo dezenas de milhões de políticos, diplomatas, ativistas por direitos humanos e cidadãos comuns das regiões mais remotas do planeta, revelado pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, em 6 de junho através dos diários The Washington Post e The Guardian, norte-americano e britânico respectivamente.

Nesta segunda-feira (1), o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que,

(...) O recado do presidente da França, François Hollande, não poderia ter sido mais claro: ou o governo dos Estados Unidos para
de bisbilhotar [grifo nosso] a União Europeia ou o sonhado acordo de livre-comércio acaba antes mesmo de se tornar realidade.

Espionagem em inglês / francês, respectivamente: To spy / Espionner

Trecho de matérias da Europe 1 da França e da BBC de Londres, respectivamente, abordando a mesma afirmação do presidente François Hollande:

"Nous ne pouvons pas accepter ce type de comportements", a réagi lundi le président de la République François Hollande, en
marge d'un déplacement à Lorient, dans le Morbihan. Réagissant aux révélations sur l'ampleur de l'espionnage [grifo nosso]
perpétré par la NSA américaine, il a ajouté : "nous demandons que cela cesse immédiatement".

He [Hollande] said there could be no negotiations without guarantees that spying [grifo nosso] would stop "immediately".

E os termos espionner, espionnage / spy, spying seguem ao longo de todas as matérias sobre a indignação de chefes de Estado, diplomatas e cidadãos de todas as classes e nacionalidades ao redor do globo. Todas as reportagens no mundo, nos mais diversos idiomas, referem-se ao óbvio: espionagem. Jamais nesse gracejo arrumado pelos jornalões por aqui, para dar uma conotação menos grave ao caso, para amenizá-lo em sintonia exata às suas superficiais reportagens.

Tal termo, meramente "bisbilhotice", desvirtua completamente este que é um grave crime aos direitos humanos universais, não apenas dentro dos EUA - a própria abordagem midiática segue essa atenuação gritante, e tentam de todas as maneiras fazer o mesmo seus "entrevistados" (leia densa reportagem, Espionagem Massiva Made in USA - Google "Chocada": Coelho da Páscoa Existe).

Neste mesmo dia em que o Estado, uma vez mais, subestima a gravidade da questão, em absoluta consonância com o jornalada nacional, e diretora-executiva do Yahoo, Marissa Mayer, vem a público dizer que a empresa não garante segurança aos usuários já que dados sigilosos destes foram solicitados pela Inteligência dos EUA, seguindo às afirmações de Apple, Facebook e Microsoft.

O mundo, vítima histórica das sabotagens, golpes, assassinatos e instalação de bases militares norte-americanas em territórios nacionais contra a vontade soberana da maioria de cidadãos locais, está atônito com o que se suspeita desde o início da guerra contra o Iraque em 2003 vem ocorrendo.

Nos primeiros dias do escândalo, os grandes jornais brasileiros já usavam em coro o termo, um tanto gracioso, "bisbilhotice" dando aquela aliviada no caso, o que se confirmava nas "entrevistas" com "intelectuais respeitados" (bibelôs bolsistas em universidades norte-americanas), ou traduções de veículos dos mais conservadores dos EUA, velhas vozes oficiais da Casa Branca que tratavam de desconversar até justificar tudo isso na segurança nacional dos EUA.

Dentro desta maneira superficial, deixando claro que não levaria a sério a questão (que além de grave em si, clarifica muitos dos problemas atuais e históricos deste país, e de todos os outros no mundo), a espionagem em massa do governo Obama que tem armazenado os seus e os meus contatos eletrônicos (chamadas telefônicas e correios eletrônicos, conversas em chats, trocas de imagens etc)passou bem longe dos editoriais, e já na semana seguinte praticamente desapareceu dos noticiários.

Hoje, o escândalo segue quente em todos os meios de comunicação do globo, inclusive dos próprios EUA, com exceção da mídia predominante brasileira. Foi colocado entre aspas os tais "intelectuais respeitados" da mídia gorda brasileira, pois nunca é demais recordar o que está por trás das cortinas do jornalismo brasileiro, mais e mais manchado com o sangue do impiedoso dos EUA que não medem consequências para expandir seu império de dominação, exploração, milhões de mortes e muito medo:

O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja podem se dedicar a informar sobre os riscos que podem advir de se punir
quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Esta Embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados

Império que, certamente, está ditando a pauta e a manipulação gritante (no que nossa mídia balofa é mestra, está aí uma vez mais escancarado) que envolvem a cobertura midiática em tudo o que ocorre no Brasil há três semanas. A função do jornalismo é construir a realidade social, e as revelações de Snowden, conforme afirma o presidente da Venezuela Nicolás Maduro ao Guardian nesta terça-feira (2), "[Snowden] tem dito grandes verdades que desconstroem um mundo... controlado por uma elite imperialista norte-americana".

Como lhe é peculiar, especialmente envolvendo os interesses dos EUA, a grande mídia brasileira se furta de sua função essencial. Essa é a liberdade que ela defende, não de expressão como diz mas empresarial, a fim de seguir monopolizando informações e construir o mundo que lhe interessa.

E o fato de hoje Snowden encontrar tanta dificuldade para conseguir asilo político (entre 21 solicitações, negado também pelo Brasil), perante tudo o que revelou e as ameaças de Obama a quem o acolher, demonstra por si mesma o quanto tais revelações são sérias: o governo de Washington tem exercido poder de influência global sem precedentes, também com seus métodos de espionagem que colocam o mundo de joelhos diante de si. Melancolicamente.

Na Rússia onde está, foi-lhe permitido ficar, porém com a condição de parar de prejudicar mais aos EUA segundo palavras do presidente Vladimir Putin, rejeitado pelo ex-agente da CIA. Significa que Snowden tem mais a revelar, vem bomba pela frente - se sobreviver...


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16/05/2013


MARCO FELICIANO
Ameaças à Presidente por Encontro com LGBT

29 de junho de 2013, com Agência Estado

O deputado-pastor Marco Feliciano e o pastor Silas Malafaia criticaram e ameaçaram eleitoralmente a presidente Dilma por ter-se encontrado sexta-feira (28) com membros da comunidade Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), agora em forma de guerrilha virtual aproveitando a Marcha para Jesus deste sábado (29) - com show gospel e muita animação de público, do início ao fim - manifestando opinião que o país já está cansado de saber que sustentam (parece faltar assunto, e de mais importância por algum motivo a ser desvendado), inflamando os ânimos justamente agora.

Em tom nada apaziguador nem democrático em relação à presidente Dilma, não esclarecendo inclusive se chegaram a solicitar previamente um encontro com a presidente, além de fazer as vezes de "donos" de votos, a dupla pastoral tuituou:



Quanto a uma das mensagens de Feliciano, com seu tradicionalmente pobre português (sem referência às abreviações, mas à linguagem que o marca), ele afirma que seu setor religioso está sendo tratado como "marionete" agora. O que ocorre é que eles claramente esperam um perpétuo toma-lá-dá-cá pelo apoio à presidente na campanha de 2010, mal-acostumado que está o próprio pastor-deputado por presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) justamente baseado nada mais que na politicagem, cargo este que tem gerado indignação nacional e internacional.

"Você, que passa o dia na internet [...], faça algo pelo Reino, infeliz [grifo nosso]", disse Feliciano na manifestação religiosa do último dia 5 em Brasília (leia Ato Evangélico: Anti-Cidadania e Natural Truculência), que se assemelhou muito mais ao já consagrado palanque político gospel. Será mesmo que se deve acreditar que isso acima é uma "contribuição ao Reino"? Resta saber a que Reino exatamente o pastor-deputado se referia, se de cima ou de baixo.

Ambos já haviam - estranhamente, dado o generalizadamente apaixonado apoio evangélico à presidente desde 2010, além do famoso caráter politiqueiro, mureteiro deste setor - criticado a presidente pelo julgamento do Mensalão, na manifestação de Brasília.

Perante o caldeirão que se tornou o país há 3 semanas - perante o qual ambos os líderes evangélicos, a exemplo de todos os outros têm ficado à parte, omissos, em nada contribuído -, tais velhos discursos incendiários dos "pastores de ovelhas espirituais" configuram-se mais que desserviços atípicos, para virem a ser sintomáticos dada a situação atual do Brasil, polarizando ainda mais a sociedade (leia artigo apresentando 12 preocupantes sintomas de tudo o que envolve a quase guerra civil brasileira de hoje, em Protestos Urbanos: Reflexões e Perspectivas).

Os evangélicos, assim como católicos, são em sua maioria conservadores e, em alguns casos, até ultraconservadores, tendência pela qual apoiaram o golpe militar de 1964, apesar do oportunista (e de curta duração) apoio à candidata e hoje presidente da república. Por que tanta oposição ao governo de líderes evangélicos, justamente agora? Nessa questão reside um dos vários sintomas em relação ao que varre o país atualmente, mais que nítidos tendencionismos que passam, de maneira aberrante, pela diariamente manipulatória abordagem da grande mídia.

Mais que exercer direito de expressão por posições sócio-políticas, eles voltam com teor inflamador (do Senhor?) - não por casos de corrupção, mas em relação às escolhas e/ou natureza alheia cujo direito já se torna, no mínimo, questionável em si pela tradicional intolerância batendo sempre de frente -, Feliciano e Malafaia, o que não é novidade e temos apontado nestas páginas, especialmente ao longo deste ano (leia também Retalhos de Democracia, de 1º de abril) manipulam clara e descaradamente os votos de suas massas.

Quanto à Marcha para Jesus, denunciada pelo pastor Caio Fábio por ser financiada por dinheiro pessoal de políticos (em São Paulo, com destaque para nada mais, nada menos que ele, Paulo Maluf, o "filhote da ditadura"), vem uma vez mais a evidenciar o caráter sectário de tal setor religioso, totalmente alheio aos assuntos mais urgentes da nação, hoje literalmente parada enquanto muitos cidadãos morrem.

Enfim, é a escolha de cada um. Que não venham (mas certamente virão) reclamar por ser tratados, como colocou Malafaia na passeata do dia 5, "cidadãos de segunda classe", à margem do exercício de cidadania do país. De quem mais se deveria esperar voz e atos de paz e conciliação nacional agora, observa-se a tradicional omissão aparecendo apenas para defender interesses politiqueiros, e jogar ainda mais gasolina sobre o fogo de um país que vive uma das situações mais delicadas de sua história. É do interesse de quem isso?

Seja como for, conforme lemos em um dos tuítes acima o próprio Feliciano - ex-namorado de Alexandre Frota segundo este - admite ter sido" ingênuo" ao colocar a então candidata Dilma, na campanha presidencial, como "apóstolo Paulo dos anos 2000". Portanto, o pastor-deputado e seus homólogos devem aproveitar o ensejo e deixar de manobrar massas. Acaba-se de reconhecer não servir para algo tão sério: levar milhões de cidadãos consigo - na maioria analfabetos políticos -, segundo seus interesses de turno.


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DITADURA DA INFORMAÇÃO
Semanário Bloqueado no Facebook

"Equipe do jornal não consegue fazer nenhuma postagem diretamente na
página da rede social", informa o sítio na Internet do semanário paulista

21 de junho

Que o Estado ditatorial e suas figuras tétricas insistem em não desimpregnar este país, sobretudo entre a ditadura da informação, qualquer criancinha está cansada de saber.

O norte-americano Facebook, um dos nove servidores de Internet denunciados pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, por fornecer ilegalmente dados de bilhões de cidadãos em todo o mundo ao governo dos Estados Unidos, bloqueou na manhã de quarta-feira (19) a página do semanário paulista Brasil de Fato (BdF), injustificadamente.

O jornal comunica que contactou os gerenciadores da rede social, sem ter recebido nenhuma resposta enquanto, há quase 48 horas, segue com suas notícias fora da linha sem que seus editores consigam, sequer, entrar na página.

Tal jornal, com linha anti-imperialista e pró-movimentos sociais, tem denunciado a repressão policial contra manifestantes nas mais diversas cidades brasileiras nestes dias de Primavera popular. Conforme alegamos em Privacidade Segundo Obama. Google "Chocada": Coelho da Páscoa Existe, diversos blogs e perfis que seguem a mesma linha do BdF, têm sido sumariamente bloqueados, sem nenhuma justificativa.

Será por "coisas" assim que que os jornalões brasileiros usaram eufemismos até graciosos para se referir à espionagem em massa sem precedentes na história, tais como "bisbilhotice"?

O diário britânico The Guardian publicou o telegrama ultrassecreto de Obama vazado por Snowden, ex-agente da CIA, em que o presidente dos EUA revela a vigilância em massa no dia 7. Nos dias subsequentes, a grande mídia por aqui apresentou reportagens completamente superficiais, algumas entrevistas com "intelectuais respeitados"que justificavam os crimes cibernéticos da Casa Branca, mantendo o escândalo (nunca tratado desta maneira, ao contrário da abordagem jornalística e política mundial) sempre afastado de suas editorias. Hoje, menos de duas semanas após as denúncias, o caso já praticamente desapareceu das páginas dos veículos de informação.

A saber: são os mesmos veículos que incitaram a truculência policial contra os manifestantes no Brasil, e distorceram a realidade dos fatos envolvendo os protestos; são os mesmos meios de comunicação referidos no telegrama secreto do embaixador norte-americano no Brasil, sr.Kubiske, revelado por WikiLeaks em 2011:

"(...) O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja podem se dedicar a informar sobre os riscos que podem advir de se punir
quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Esta Embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados (...)".

Por mais que não queiramos acreditar, a podre conexão entre o sistema político e a cadeia midiática é cruelmente perfeita, chegando a ser incrível mesmo perante tais evidências.


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Privacidade Segundo Obama. Google "Chocada": Coelho da Páscoa Existe


ESPIONAGEM MASSIVA MADE IN USA
Falência Moral da Imprensa Brasileira

20 de junho de 2013

Quando os jornais The Washington Post (EUA) e The Guardian (Grã-Bretanha) publicaram, no último dia 7, uma sexta-feira, o vazamento de telegrama secreto do presidente Obama por parte do ex-agente da CIA, Edward Snowden, nos dias subsequentes a grande mídia brasileira tratou de minimizar como (não) pôde o grave caso.

Os jornais O Estado de S. Paulo e A Folha de S. Paulo, enquanto mantiveram o escândalo completamente afastado de suas editorias, adotaram o eufemismo "bisbilhotice" para o escândalo que envolve a privacidade de bilhões de cidadãos em todo o mundo, invadida há anos segundo Snowden.

Na semana passada, segunda após a divulgação das ordens ultrassecretas de Obama, desconcertado perante um mundo estarrecido valendo repreensão indignadamente pública de ativistas e políticos europeus, tais como a primeira-ministra alemã Angela Merkel, na mídia comercial brasileira já não há mais espaço para a questão.

A Imprensa inclusive norte-americana segue cobrindo amplamente a questão que supera épocas mais sombrias da política norte-americana (Richard Nixon do Watergate, Rolanld Reagan do Irã-Contras, Lyndon Johnson da Guerra do Vietnã, ou mesmo George Bush do Patriot Act que abriu precedentes para a espionagem de Barack Obama), até os veículos mais conservadores como Fox News e o próprio Washington Post, que a princípio titubeou em publicar o material ultrassecreto entregue por Snowden.

A Imprensa inclusive norte-americana segue cobrindo amplamente a questão que supera épocas mais sombrias da política norte-americana (Richard Nixon do Watergate, Rolanld Reagan do Irã-Contras, Lyndon Johnson da Guerra do Vietnã, ou mesmo Bush do Patriot Act que abriu precedentes para tal espionagem), até mesmo os veículos mais conservadores como Fox News e o próprio Washington Post, que titubeou em publicar o material ultrassecreto entregue por Snowden.

A mídia mundial está discutindo e revelando novas revelações envolvendo a invasão à privacidade em massa da Casa Branca, uma delas trazida pelo diário South China Morning Post de Hong Kong em entrevista com Snowden no último dia 14, o qual declarou que já deve ter havido mais de 61 milhões de operações de hackers pela administração de Obama (leia Snowden: "EUA Invade Computadores Chineses desde 2009").

Enquanto isso, a mídia brasileira segue com suas reportagens vazias, esquizofrênicas em relação aos governos latino-americanos progressistas, e com a síndrome libertária e humanitária em favor dos protestos no Brasil, tudo isso da velha maneira tendenciosa, aplicando adjetivos sem justifica-los, omitindo e manipulando fatos e dados estatísticos como sempre fez.

Resta a questão: como seriam as manchetes e as reportagens, certamente por longos anos, se tais atos de espionagem partissem desses mesmos governos latino-americanos, incluindo o brasileiro?

Conforme insistimos, a grande Imprensa brasileira é mais subserviente aos interesses do governo de Washington que a norte-americana propriamente. Enquanto os grandes jornais do Brasil vivem crise econômica e de credibilidade (há conexão entre ambas?) sem precedentes, a sociedade brasileira está absolutamente correta em seguir os exemplos de uma manifestante de São Paulo que, nesta semana, conclamou os jovens a esquecer os jornais e conectar-se às redes sociais, "onde não há manipulação": o complexo de inferioridade é contagiante.

16/05/2013


"PANCADÃO" NA PUC
Brasil, País sem Futuro

9 de junho de 2013, com Agência Estado

Alunos pulam grade, fazem 'pancadão' dentro da PUC e tiram sono de Perdizes.
Estudantes desafiam seguranças nas madrugadas de terças-feiras, invadem câmpus e promovem festa com droga e álcool

Este é o titulo seguido da linha-fina da reportagem publicada no sítio da Internet do jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (9), junto deste vídeo:



O diário paulista relata que,

Os muros da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em Perdizes, zona oeste da capital, protegem um '"pancadão" realizado todas as terças-feiras, das 23h às 5h. O barulho é tanto, que vizinhos já têm ido dormir na casa de parentes e instalado janelas antirruído.

Cansados de procurar a universidade e a polícia sem ver providências, moradores apelam agora ao Ministério Público do Estado.

O advogado Daniel Amorim Assumpção Neves, que segundo o jornal "coletou cem assinaturas - e dezenas de depoimentos - para encaminhar ao MPE", afirma no vídeo que "festas acontecem todas as terças, frequentemente quintas e sextas, agora inauguradas às quartas. Às 3h da manhã, o som está 'à toda'".

O jornal reporta ainda que,

Para entrar, basta pular o portão ao lado da rampa de entrada, na rua Monte Alegre. No fim, parte dos frequentadores volta para casa
de táxi ou carona dos pais [grifo nosso].

A falta de autoridade faz com que os vigias virem alvo de zombaria. O Estado flagrou alunos caçoando de seguranças após a recusa de bebidas. "Não quer a cerveja porque já está doidão, né?", disse um rapaz, pouco antes de pular o portão. O vigia aparentou constrangimento.

(...) A cerveja custa R$ 2 e há consumo de drogas. (...) As caixas de som, instaladas no corredor entre dois prédios, fazem com que as vozes dos cantores e as batidas sejam ouvidas até do 12.º andar de prédios vizinhos. "Acordo às 6h e trabalho aqui em casa. O que acontece é que não durmo mais", disse uma das moradoras, redatora de livros, que vai para a casa da mãe, em outro bairro.

Para desalento do Brasil, aos que não sabem, tal rotina é completamente generalizada entre universitários, daí para pior cujas faculdades vivem sempre reféns desses bibelôs, paparicados consumidores de "ensino". Morar próximo a uma faculdade é geralmente um tormento, também. Basta notar, quem nunca notou: as universidades brasileiras são rodeadas de botecos, não de livrarias e nem sequer de bancas de jornal.

Enquanto em países vizinhos e próximos como o Chile, onde estudantes se organizam constantemente em prol da melhora da qualidade de ensino (em queda por lá, mas muito superior à brasileira); na Argentina, não param manifestações de todos os setores para os mais diversos fins, inclusive estudantis cujo sistema de ensino é incomparavelmente superior ao brasileiro (em 1918, quando se dava a Reforma Universitária de Córdoba, aqui ainda fundávamos nossa primeira universidade, a UFPR, em 1913), e 150 ex-ditadores militares estão condenados (o ex-presidente Rafael Videla morreu em cela comum, condenado à prisão perpétua) - aqui no Brasil, contudo, reina a impunidade, perpetuamente sem que ninguém faça nada (aliás, fazem sim: nossa "elite intelectual", a "nata cultural" por aqui faz farra e pratica vandalismo gratuito).

Enquanto o Equador tem seu sistema de ensino totalmente reformulado: país latino-americano atualmente com maior número de matrículas em universidades públicas, crescimento nos últimos anos acompanhado de melhora vertiginosa da qualidade de ensino; enquanto a vizinha Venezuela, por sua vez, segundo a Unesco erradicou o analfabetismo em 2005 após ter alfabetizado 1,5 milhões de pessoas, inclusive nas línguas indígenas, sendo no continente hoje o país com maior número de universidades públicas (de qualidade)...

Enquanto isso, aqui no Brasil...

De tragédia em tragédia sob indiferença e passividade conivente, de baderna em baderna sob disfarce de "alegria". País da mentira, da apatia, da mediocridade. Do individualismo e da vagabundagem. Já passamos por experiências inglórias de termos, em algumas das tantas universidades mercadejantes de ensino de péssimo nível que empesteiam este país, alunos analfabetos.

Sistema de ensino falido; saúde pública deteriorada segundo apontam números sofríveis e fatos catastróficos; segurança que faz o país estar, anualmente, em níveis de violência mais de três vezes superiores ao considerado guerra civil pela Organização das Nações Unidas (ONU); corrupção endêmica que, ano a ano, tem piorado segundo a ONU e a Transparency International.

Aqui, contentamo-nos com manifestações de Silas Malafaia e Marco Feliciano "em favor da vida", em nome de uma religião-politiqueira descarada, dominadora e exploradora que engana milhões, e esfrega falso moralismo recheado de frases de efeito e muito jargão religioso na cara de todos nós, todos os dias - a palhaçada gospel de cada dia que está tomando conta deste país (artigo abaixo).

Apenas para não ir mais longe. Desolador. Escrever motivado por milhões de imbecis é indescritível, outra prova inglória, mas fundamental: não podem ser deixados passar esses fatos divulgados pela grande mídia, pois desde sempre apontamos a tudo isso, em coro com outras vozes no deserto, terminando todos tachados de "radicais", "pessimistas".

Logo cairá no esquecimento esta reportagem do Estado (que não se trata de fato isolado), já que envolve a classe de figuras que se imagina muito além daquilo que realmente é, sempre acima da lei mesmo nos inúmeros crimes maiores que comete dentro e fora das faculdades, e sempre sob o esquecimento midiático quando os infortúnios das classes dominantes estão em questão.

A crise no Brasil, mais que cultural, a crise intelectual e moral da dessituada sociedade brasileira é seríssima. Dessituada, julga que latinos são apenas os outros, os hispânicos, sociedade que desconhece seu lugar nos mais diversos aspectos.

Nosso sistema de ensino faz todo o possível para que os cidadãos sejam desta exata maneira, ele dá todas as condições para isto, mas só permanece assim quem quer, na maioria dos casos - especialmente entre as classes mais favorecidas, às quais são dados todos os meios e caminhos para escolha.

No fim, parte dos frequentadores volta para casa de táxi ou carona dos pais [grifo nosso].


Alguém por aqui já culpou aos pobres pela pobreza, e mais, aos pobres pela calamidade à brasileira? Pobre futuro... Já passou da hora de acordar, Brasil!

Há que se ter ensino em massa. A razão é que milhões estão podendo votar, e deve-se educá-los a fim de que
não incomodem. Em outras palavras, deve-se treiná-los para a obediência e servilismo, para que não pensem como o
mundo funciona e, assim, não vão depois pegar no pé deles. (...) As escolas são projetadas para ensinar o que vai cair
na prova. Não existe a preocupação com a capacidade dos alunos de pensar, de se superar, de levantar questões. (...)
Isso acontece em toda parte. E possui a evidente técnica de emburrecimento da população, e também de controlá-la.
Para a maioria das pessoas, não há escolha. É o mesmo que dizer que todos têm a chance de se tornar milionários.
Tudo isso é uma forma de transformar a população em um bando de imbecis

Noam Chomsky


leia, em O Brasil no Espelho:

SISTEMA DE ENSINO
Memórias de um Professor no País da Mediocridade

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Tragédia em Santa Maria: Fantasmas em Meu Quarto, Assassinos de Corpos e de Almas
Ativismo Espanhol e as Lições Nunca Aprendidas no Brasil
Superação da Discriminação na Sociedade Brasileira Depende de Mudanças Estruturais
O Brasil no Espelho
Brasil, Penúltimo Lugar em Ranking Global de Qualidade de Educação


SAÚDE PÚBLICA
Abandono Governamental e Midiático

5 de junho de 2013

O encontro do Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública realizado nesta terça-feira (4), que teve como um dos principais objetivos a apresentação de projeto de lei de iniciativa popular obrigando o governo federal a destinar 10% do orçamento para o setor, dentro do chamado Saúde+10, recebeu da mídia, tanto a predominante quanto a "alternativa", cobertura inversamente proporcional à importância emergencial que trouxe consigo: zero. A própria proposta Saúde+10 e a situação caótica da saúde pública no Brasil, não têm tido o devido espaço na Imprensa.

Saúde pública, abandonada, não faz parte, minimamente, da pauta midiática nem governamental há muito tempo, se é que algum dia fez enquanto o gasto federal per capita caiu entre 1997 e 2008: em 1997 eram R$ 294 por habitante, em 2003, primeiro ano do governo Lula,caiu para R$ 234 e em 2008 subiu para R$289.

Último em gastos proporcionais do Produto Interno Bruto (PIB) em educação (5,3%), o Brasil está, conforme observa o dr. Sérgio Cruz, entre os 24 países que menos investem em saúde segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS): em 2000, destinava 4,1% do orçamento nacional para a área. A partir de 2003, tal porcentagem foi elevada a 8,6%, porém tal número ainda representava pouco mais da metade da média mundial - 13,9%. Em países desenvolvidos, cerca de 16,7% são aplicados na saúde pública. Com o fim da CPMF, que tirou R$ 44 bilhões da saúde, a verba caiu para 3,6% do orçamento em 2011 e, em 2012, os recursos ficaram em apenas 3,98%, baixas históricas. O gasto mínimo estabelecido pela OMS para países com saúde universalizada, é de pelo menos 6% do PIB.

Segundo dados do próprio governo federal, a deficiência deficiência de verbas para as despesas da saúde chega a R$ 40 bilhões, cujo principal motivo é o desvio para outras áreas. Tal deficiência se deve à falta de disposição política, não de verbas enquanto o Brasil é a 7ª economia mundial e, traduzindo isso na prática segundo o dr. Cruz, "a previsão de gastos no ano com juros reais é de 8,63% (R$ 169,8 bilhões) [para 2013], ou seja, mais do dobro destinado à saúde.

Se computarmos amortizações e refinanciamentos da dívida, que alcançaram R$ 757,16 bilhões em 2010 e têm previsão de chegar a R$ 953,7 bilhões em 2011, podemos ver que os compromissos com a dívida ultrapassam dez vezes o que é gasto com a saúde pública".

Conforme abordamos na semana passada, em Planos de Saúde: Novas Obrigações Incluem Remédios para Câncer,

O gasto médio público em saúde é de 385 dólares por habitante ao ano da 6ª economia do mundo, o que equivale a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) gasto entre União, estados e municípios. Se computados apenas os gastos da União no setor, essa cifra cai para módico (para não dizer trágico) 1,7% (fonte: revista Caros Amigos, edição especial Saúde, páginas 5 e 6, novembro de 2012).

Em 1980, os gastos do governo federal equivaliam a 75% dos investimentos no sistema público de saúde, enquanto estados e municípios arcavam com 25%. Hoje, há uma quase inversão da situação: estes participam com 54% no financiamento da saúde pública, enquanto a União desembolsa tacanhos 46% de acordo com dados oficiais citados por Nelson Rodrigues dos Santos, professor da Unicamp (ibidem).

Dos 5.564 municípios do Brasil, 428 não possuem um único médico (número proporcionalmente alto), cujos números que evidenciam o descaso governamental com a saúde pública, traduzem-se nos inúmeros e estarrecedores atendimentos em corredores de hospitais país afora, além da falta de medicamentos e longas esperas por consultas, que podem levar muitos meses ou até mais de um ano.

Também na terça, dia 4, cerca de 70 profissionais da área de saúde do Estado de São Paulo, em greve há 35 dias que atinge parcialmente 36 dos 60 hospitais administrados diretamente pelo governo, invadiram o plenário principal da Assembleia Legislativa da capital paulista. O protesto foi contra a falta de negociação do governo em relação às suas reivindicações, entre elas aumento de 32,2% para repor perdas salariais, e vale refeição de R$ 26,22.

Isso tudo enquanto o governo federal planeja destinar recursos públicos às operadoras de saúde - justamente os planos de saúde são, há 12 anos consecutivos, líderes de reclamações no Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), se já não bastasse os tantos bilhões que despeja ao longo dos anos no setor privado -, "curiosamente" premiadas pela ineficácia além da roubalheira indiscriminada, bem conhecida de todos perante uma mídia predominante que defende mais privatizações da saúde, culpando à gestão pública pelos infortúnios, e uma dita alternativa que silencia este quadro tenebroso.

O setor privado de saúde já recebe 58% das verbas do governo para a saúde, contra 42% do destinado ao setor público enquanto depende deste 80% dos brasileiros, isto é, cerca de 155 milhões de pessoas.

O então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) enviou a Lei nº 9.637 de 15 de maio de 1998, autorizando a entrega de hospitais públicos a grupos privados e ainda, criminosamente, desviou aos bancos de quase toda a arrecadação do imposto criado especialmente para a saúde, a CPMF, vale recordar. Contudo, em nada se diferencia do peessedebista as administrações petistas, no poder desde 2003.

Um governo que propagandeia ter promovido uma "revolução social" no país como é o caso do PT, enquanto abandona a saúde acusando, em coro com jornalecos defensores de interesses político-partidários, a grande mídia, omissa, cúmplice talvez seja a palavra mais adequada, de golpista, perante o tenebroso quadro desta área literalmente vital da nação, são evidências do descaso, de todos os lados, com a causa pública.

A realidade é que, assim como no caso da abandonada educação, investimentos em saúde, ambos direito básico do cidadão, não são do interesse de nenhum dos lados neste país de oligarcas, usurpadores do poder cuja grande vítima é sempre ela: a sociedade que os sustenta, que sustenta essa mafiosa, macabra orquestra que tem custado a vida de milhões de cidadãos ao longo dos anos.

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DÍVIDA EXTERNA
O Mito do Saldo com FMI

3 de junho de 2013

O diário paulista Folha de S. Paulo traz, nesta segunda-feira (3), reportagem do salto da dívida externa estadual de até 50% em apenas um ano. "O montante passou de US$ 12,5 bilhões, em abril do ano passado, para US$ 19 bilhões no mês retrasado. Medida em moeda nacional, a dívida, que não chegava a R$ 20 bilhões no início do governo Dilma Rousseff, hoje se aproxima dos R$ 40 bilhões", aponta a Folha.

Observando que se trata de maior alta desde o final dos anos de 1990, o jornal, especificando valores dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará, traz também este providencial gráfico:


Tal realidade nos faz recordar pontos recentemente abordados no Observatório da Imprensa (TV Brasil), e aqui em Uma Questão de Liberdade (leia 10 Anos de Retórica Petista e a Irregenerável Mídia Brasileira): o quanto o Brasil está mais endividado que nunca, por que a quitação da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é um mito, mais uma grande propaganda enganosa por parte do governo federal.

O Brasil é muito mais devedor de bancos internacionais hoje, que antes da alardeada quitação com o FMI que remonta ao governo Lula, pelo simples fato que, para pagar a dívida a este, foram emitidos títulos da dívida interna que, em 2004, pagavam juros de 19,3%. Assim, nada mais que se substituiu uma dívida por outra.

No caso das dívidas estaduais, resta ao governo, além de mudar o quadro daqui em diante (o que não ocorrerá às vésperas de mais uma eleição, que aliás promete ser de baixíssimo nível como a municipal de 2012 e a estadual e federal de 2010, para não ir mais longe no tempo),explicar porque aumentou descomedidamente o limite da contração de empréstimos sem precedentes. Casuísmo político?

Observa a Folha que "a Fazenda decidiu contornar uma restrição criada em 1997, segundo a qual a União só pode garantir empréstimos tomados por Estados cuja capacidade de pagamento seja classificada como "A" ou "B" em avaliação do Tesouro".

Eis a realidade de um país altamente endividado, maquiado pelo governo que propaga um país independente economicamente, promotor de revolução social. A velha bolha econômica, anunciada também nesta página e prevista para estourar em um futuro não muito distante, já está em vias de chegar no limite.

O preço de não se investir em produção, em uma economia sólida que e em melhora real na qualidade de vida, nos mais diversos aspectos, está sendo alto, e ainda será muito mais. E como este caso trazido pela Folha apenas vem a confirmar que a grande preocupação do governo não é dívida em si, mas a propaganda, pode-se dizer também que a demagogia marqueteira virá a cavalo cobrar seu preço, junto dos desacertos político-econômicos. O mais tenebroso neste quadro, é que há poucas opções de mudança à sociedade.


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Oito Anos e Meio de PT: "Seis por Meia Dúzia" no Brasil até Quando?
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uma questão de liberdade

Conteúdo (com ligações)

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l. MATEANDO COM EDU - Perfil, Comentários e Literatura

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lI. TERCEIRA PÁGINA - Crônicas / Questões Internacionais


III. NO PIQUE DA VIDA - Reflexões


IV. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais

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V. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque



VI. O 11 DE SETEMBRO DE CADA DIA DO AFEGANISTÃO

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VII. SANEAMENTO PÚBLICO - ONDE JOGAR TANTO LIXO HUMANO?


VIII. ANISTIA INTERNACIONAL - Uma Questão de Liberdade


IX. ÉTICA NA TV - Uma Questão de Liberdade


X. HUMAN RIGHTS WATCH - Uma Questão de Liberdade


XI. GOLPES MILITARES NA AMÉRICA LATINA


XII. HISTÓRIAS MUNDIAIS


XIII. ENAS NAFFAR: OLHAR SOBRE O ORIENTE MÉDIO - Visão Palestina no Blog

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XIV. CULTURA & ARTE AFEGÃ

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XV. O BRASIL NO ESPELHO - Crônicas


XVI. Especial: TERRORISMO

Grupos

Estados


Mídia

Religiões

Polícia

Trabalho



XVII. IDIOMAS

Inglês

Espanhol

Alemão

Italiano

Francês

Sueco

Português



XVIII. WIKILEAKS

Brasil (Página 1)

Brasil (página 2)

América Latina

Estados Unidos, Europa, África e Ásia

Oriente Médio



XIX. MALALAÏ JOYA - A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão

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XX. PÁTRIA GRANDE PORTENTOSA - Paisagem & Cultura Latina

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Página 3



XXI. AVÓS DA PRAÇA DE MAIO - Uma Voz por Liberdade na Argentina

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Página 2



XXII. UM POUCO DE EDU MONTESANTI, DO BRASIL E DO MUNDO


XXIII. POEMAS - Uma Questão de Liberdade


XXIV. MEIO AMBIENTE, ESPORTE & SAÚDE


XXV. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Nacionais


XXVI. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Internacionais


XXVII. MENTIRAS E CRIMES DA "GUERRA AO TERROR", E O JORNALISMO BRASILEIRO MANCHADO DE SANGUE



XXIX. ARQUIVO: CONTRACAPA - Nacional

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XXX. ARQUIVO - CONTRACAPA - Internacional

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Página 2


XXXI. EDU MONTESANTI IN ENGLISH: A MATTER OF FREEDOM

News & Opinion

News & Opinion - Archive 1

News & Opinion - Archive 2

Special Story: The Biggest Lie in History



XXXII. EDU MONTESANTI EN ESPAÑOL - UNA CUESTIÓN DE LIBERTAD

Noticias & Opinión

Serie Especial de Reportajes: Mayor Mentira de la Historia

Derechos Humanos

Opinión y Noticias - Archivo



XXXIII. DIAS PARA MUDAR O BRASIL - Onda de Manifestações ou Primavera Brasileira?

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XXXIV. SOMOS TODOS SANTA MARIA - Por Memória, Verdade e Justiça

Página 1 - Documentos

Página 2 - Documentos


Página 3 - Artigos

Página 4 - Série de Reportagens


XXXV. ANÁLISES DA MÍDIA


XXXVI. REVOLUÇÃO BOLIVARIANA NA VENEZUELA