Você sabia que...... trocar o sono noturno pelo diurno não só pode levar a problemas físcos (inclusive intestinais) e mentais, mas também tornar o indivíduo mais propenso a desenvolver algum tipo de cãncer no decorrer da vida, tanto quanto os fumantes e consumidores de anabolizantes? (A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão da Organização Mundial de Saúde, alertou recentemente para os riscos da falta de sono noturno)A Importância Fundamental do Sono Noturno - E Sua Grande Aliada:
A Prática Esportiva Regular
O sono noturno é insubstituível, tão importante quanto o alimento. Quem acha que pode compensar, algumas horas que sejam,
de perda do sono noturno ao longo do dia está colocando a saúde, física e mental, em sérios problemas futuros
Agosto de 2008 / Publicado no Jornal Pravda (Rússia)
Durante o sono, há uma considerável redução da consciência e da atividade orgânica, e é nesta fase que o corpo se refaz. O metabolismo atinge seu ponto mais baixo (a nível suficiente para manter apenas as partes vitais do organismo), cai a pressão arterial, a velocidade do pulso e da respiração, e o corpo encontra-se menos suscetível à dor, à luz e a sons.
Porém, se não for regrado, tudo isso é muito mal aproveitado e acarreta em sérios danos futuros. No primeiro semestre de 2008, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), constatou que as pessoas que trabalham à noite ou em turnos irregulares, tais como aviadores, estão prejudicando sua saúde tanto quanto quem se alimenta mal, e possuem tanta pré-disposição em adquirir câncer algum momento na vida quanto os fumantes e consumidores de anabolizantes.
Isto porque, também comprovado cientificamente, a natureza orgânica do ser humano é programada para ativar-se durante o dia, à noite para dormir. Existe um controlador neuronal que eleva a temperatura do corpo no período diurno, diminuindo no noturno deixando-o apto para o sono. Uma inversão nos horários de repouso não adapta este processo, afetando sua qualidade, e das próprias atividades a serem realizadas.
Atletas que atingem maior longevidade no desempenho esportivo são os que primaram, ao longo da vida, pelo sono noturno. E a prática esportiva regular, por sua vez, influencia-o muito positivamente tornando-o mais tranqüilo e relaxante pois libera endorfina, hormônio produzido através de neurotransmissores cerebrais que, transportado à circulação sanguínea, causa sensação de bem-estar e alívio da ansiedade.
Boa malhação e boa noite... de muito sono!
Dores Emocionais e Físicas Ativam Mesma Região do Cérebro
Publicado no Correio do Brasil, 30.3.2011
Distúrbios do Sono Aumentam Disfunção Erétil
Pesquisa mostrou que 17% dos homens de São Paulo têm queixa de disfunção erétil
e distúrbios de sono são diretamente associados a esse problema
Publicado no sítio Via de Acesso, 11 de novembro de 2009
Seja Otimista e Viva Mais
Tudo é uma questão de ponto de vista. O fato é que encarar a vida de maneira positiva e enxergar as dificuldades
como desafios, garante mais saúde e longevidade, segundo novas evidências científicas
Adriana Toledo, na revista Saúde, novembro de 2009
Encare a Tristeza
Sem medo de ser INFELIZ
A tristeza nem sempre é encarada como algo que faz parte da vida e os critérios de diagnóstico que distinguem esse
sentimento da depressão ainda não são claros. Por isso muita gente anda se enchendo de antidepressivos
André Santoro, na revista Saúde, novembro de 2009
Associação de Esteroide Anabolizante ao Treinamento Físico Aeróbio Leva a
Alterações Morfológicas Cardíacas, e Perda de Função Ventricular em Ratos
Revista Brasileira de Medicina do Esporte, março/abril de 2011
O Blog que faz a notícia - com amor à vida
Psicopatas S.A.
Ele vai a todo happy hour, é companheiro de cafezinho e ouve você reclamar do salário.
Não confie tanto nesse colega de firma - é 4 vezes mais comum encontrar psicopatas
nas empresas do que na população em geral
por Mauricio Horta ,
Revista Superinteressante, maio de 2011Luana conseguiu o emprego com que sempre sonhou. Era em uma empresa farmacêutica conhecida por seu ambiente competitivo, mas também por bons salários e chances de crescer profissionalmente. Nova no escritório, logo ficou amiga de Carlos, um sujeito atencioso de quem recebeu até umas cantadas.
Em poucos meses, apareceu a oportunidade de Luana liderar seu grupo na empresa. Parecia bom demais não fosse uma inquietação ética. Ela desconfiava que a companhia garantia a venda de seus produtos graças a subornos a médicos. Isso incomodava tanto Luana que, durante um intervalo para um lanche, ela desabafou com o amigo Carlos. Ele também parecia indignado com a situação. Seria uma conversa normal entre colegas de trabalho - se Carlos não tivesse se aproveitado. Em um momento de distração de Luana, ele pegou o celular da colega e ligou para o chefe de ambos. Caiu na secretária eletrônica, que gravou toda a conversa seguinte entre Carlos e Luana. A moça, grampeada, chegou a questionar se o chefe poderia ter algo a ver com os subornos. Acabou demitida por justa causa. Carlos tomou o lugar de líder que seria dela.
A história é real (os nomes foram trocados). E esse Carlos, um cretino, não? Na verdade é pior: ele age exatamente como um psicopata. Há 69 milhões de psicopatas no mundo, o que dá 1% da população em geral. Então, no fim da história, Carlos faz picadinho de Luana, certo? Errado. Sim, há muitos psicopatas violentos, como Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes ou Pedrinho Matador, que afirmava ter assassinado mais de 100 pessoas. Por isso a cadeia é um dos dois lugares em que se encontram muitos psicopatas. Eles são 20% da população carcerária e 86,5% dos serial killers. Mas um psicopata não necessariamente vira assassino. Na verdade, ele vai atrás daquilo que lhe dá prazer. Pode ser dinheiro, status, poder. É por isso que outro lugar fértil em psicopatas, além da cadeia, é a firma.
Pode ser uma empresa pequena, como a loja de sapatos da esquina. Pode ser uma fundação, uma escola. O importante é que o psicopata enxergue ali a chance de controlar um grupo de pessoas para conseguir o que quer. Mas poucos lugares dão tanta oportunidade para isso do que uma grande companhia. "Psicopatas são atraídos por empregos com ritmo acelerado e muitos estímulos, com regras facilmente manipuláveis", diz o psicólogo Paul Babiak, especialista em comportamento no trabalho.
Até 3,9% dos executivos de empresas podem ser psicopatas, segundo uma pesquisa feita em companhias americanas. Uma taxa de psicopatia 4 vezes maior do que na população em geral. Eles não matam os colegas, mas usam o cargo para barbarizar. Cancelam férias dos subordinados, obrigam todo mundo a trabalhar de madrugada, assediam a secretária, demitem sem dó nem piedade. Isso quando não cometem crimes de verdade. Um terço das companhias sofre fraudes significativas a cada ano, de acordo com uma pesquisa de 2009 realizada pela consultoria PriceWaterhouseCoopers, que analisou 3 037 companhias em 54 países. Por causa dessas mutretas, cada uma perde, em média, US$ 1,2 milhão por ano. Muitos desses golpes podem ser obra de psicopatas corporativos.
"Eles são capazes de apunhalar empregados e clientes pelas costas, contar mentiras premeditadas, arruinar colegas poderosos, fraudar a contabilidade e eliminar provas para conseguir o que querem", diz Martha Stout, psiquiatra da Escola Médica de Harvard por 25 anos e autora do livro Meu Vizinho É um Psicopata. E fazem isso na cara dura, como se não estivessem nem aí para o sofrimento alheio. É que, na verdade, eles não estão ligando nem um pouco mesmo.
Como os colegas mais violentos, os psicopatas de colarinho branco não pensam no bem-estar dos outros, nem sentem culpa quando pisam na bola. Por isso passam por cima de regras, estejam elas formalizadas em leis ou somente estabelecidas pela ética e pelo senso comum. Acontece que o cérebro deles é diferente de um cérebro normal. No caso do psicopata, a atividade é maior nas áreas ligadas à razão do que nas ligadas à emoção, o que o faz manter-se impassível diante de tragédias - seja um gatinho em apuros, seja uma chacina em um orfanato. (veja mais no quadro da página 53). Como não consegue se colocar no lugar dos outros, o psicopata usa e abusa dos amigos - puxa o tapete dos colegas sem se preocupar com código de conduta corporativo ou consequência na vida alheia.
Pega na mentira
Graduação em universidade concorrida. Pós-graduação no exterior. Livros publicados. "Empregadores sabem que 15% ou mais dos currículos enviados para cargos executivos contêm distorções ou mentiras deslavadas", afirma Babiak. "Psicopatas fazem isso. Podem fabricar um histórico feito sob medida para as exigências do trabalho e bancá-lo com referências falsas, portfólio plagiado e jargão apropriado." Claro, com algumas perguntas específicas um entrevistador é capaz de desmascarar candidatos mentirosos. O problema é que um psicopata tem tudo para deitar e rolar em uma entrevista de emprego.
Muitas vezes o entrevistador não está tão preocupado com o conhecimento técnico do candidato. Quer mais é saber se ele é capaz de tomar decisões, relacionar-se com pessoas, motivar equipes. "A 'química' entre candidato e avaliador tem muita importância", diz o psicólogo. E aí um psicopata conta com um trunfo maior do que qualquer MBA: tranquilidade. Ele não vai passar horas em frente ao espelho decidindo a melhor roupa para a entrevista. Nem vai sentir as mãos suarem por medo da conversa. Um psicopata terá a segurança necessária para engabelar o avaliador, usando alguns termos técnicos, um punhado de histórias de competência no trabalho e um sorriso aberto que dirão em conjunto: "Sou a pessoa certa para a vaga".
O segredo desse charme todo está em saber "ler" as pessoas. Psicopatas podem não ter emoções, mas conseguem analisar muito bem como e por que as outras pessoas se emocionam. São estudiosos da natureza humana, prontos a usar o que aprenderam para o próprio interesse. Descobrem os hábitos e gostos dos colegas, se aproximam, criam um vínculo aparente. Assim conseguem convencer a colega de coração mole a fazer o trabalho por eles no fim de semana. Ou extrair informações sigilosas da secretária do presidente. Ou botar a culpa nos outros pelos problemas que aparecem. Aquela concorrente obstinada e perfeccionista conseguiu se promover trabalhando até as madrugadas? Ela não ia gostar de ouvir que é uma folgada e só conseguiu aumento se engraçando com o chefe. Bingo: basta espalhar essa história por aí para atingi-la. Desequilibrada pelo fuxico, ela poderia se tornar em breve um obstáculo a menos.
Atitudes assim passam despercebidas em empresas que estimulam a competição entre os funcionários. Se a companhia está obcecada pelos resultados que cada empregado gera, é possível que não preste tanta atenção ao cumprimento da ética no ambiente de trabalho. Movida a competitividade, a empresa americana de energia Enron foi do estrelato ao fundo do poço por causa de fraudes cometidas por executivos do mais alto escalão. A empresa começou o ano de 2001 como uma gigante, com faturamento de US$ 100,8 bilhões. Seus empregados sabiam que precisavam trabalhar como loucos. Todo semestre, um ranking interno nomeava os 5% melhores funcionários. Em seguida vinham os 30% excelentes, os 30% fortes, os 20% satisfatórios e, por último, os 15% que "precisavam melhorar". Se não melhorassem até a próxima avaliação, eram mandados para o olho da rua. E quem avaliava as pessoas? Os próprios colegas. O sistema parecia impulsionar a produtividade. Até que descobriram que a competição impulsionava mesmo eram falcatruas para garantir uma boa posição interna. No fim de 2001, fraudes que somavam US$ 13 bilhões engoliram a empresa. A Enron faliu. "Algumas companhias competitivas contratam pessoas tão agressivas e ambiciosas que acabam deixando para trás questões importantes do mundo da moral", afirma Roberto Heloani, psicólogo social e professor de gestão da FGV de São Paulo e da Unicamp.
Ainda que a companhia ofereça um ambiente propício à trairagem, o psicopata precisa procurar a hora certa para agir. Vítima de Carlos, Luana teve seu momento de fraqueza - bobeou, dançou. Empresas também têm seus momentos de fraqueza. Quando uma companhia compra um concorrente, seu caixa fica pobrezinho, vazio. Muito dinheiro saiu de lá, e os acionistas estão ansiosos para saber quando o gasto dará retorno. O que algumas fazem, então? Procuram alguém capaz de produzir um milagre e encher o cofre de novo rapidinho. É aí que o psicopata se apresenta como o melhor gestor. Claro que é mentira - ele apenas tem maior capacidade de manipular sua imagem e vender ilusões. "Sem tempo para fazer uma análise minuciosa, as empresas compram essa imagem", diz Heloani.
Outra chance de dar o bote: crise na firma. Essa é a hora, geralmente, em que é preciso cortar gastos. E os chefes são pressionados a ser agressivos. Cortar despesas em 20%, 30% não é fácil. Quer dizer, se você for frio, não tiver medo das consequências nem se importar com os sentimentos alheios, até fica moleza. Coloque comida vencida no refeitório da firma para alimentar os funcionários. Fraude a contabilidade e entregue relatórios que escondam gastos e aumentem a receita - e o problema fica resolvido apenas com uma canetada.
Quando não houver mais o que chupinhar, o psicopata simplesmente sai do emprego. "Talvez você não tenha o emprego mais interessante do ponto de vista financeiro, mas pode preferir ficar na empresa por causa das relações afetivas com os colegas e com seu trabalho. Já um psicopata dificilmente cria vínculo", afirma Heloani. E se for pego antes de sair? Simples: ele mente. Culpa os outros, as circunstâncias, o "sistema", o destino, ou a própria empresa. Inventa um sem-número de desculpas que acabam atingindo seus rivais e eventuais "traidores".
Bernard Madoff culpou a crise econômica, o próprio sucesso e até suas vítimas pelo esquema que montou com um banco de investimentos nos EUA - e que fez seus clientes perderem US$ 65 bilhões. "Os bancos e fundos deviam saber que havia problemas ali", disse em entrevista a uma revista americana. Incapaz de sentir remorso, charmoso a ponto de ter cativado presidentes de bancos como Santander e Credit Suisse e incapaz de se colocar no lugar de suas vítimas ("Que as minhas vítimas se ferrem. Eu as sustentei por 20 anos e agora tenho de cumprir 150", teria dito na prisão), Madoff já foi apontado por especialistas em crime como um psicopata. (Ele, no entanto, afirmou à imprensa americana ter sido diagnosticado como normal por sua terapeuta.)
Madoff fez carreira como o homem que cuidava dos investimentos dos milionários. "Tio Bernie", como era conhecido, fazia mágica: mesmo quando a economia estava em baixa, prometia um rendimento de 8%, 12%, 15% por ano a seus clientes. Como a história colava? Madoff sabia o que os clientes queriam: investir com alguém que era parte do mundo deles. Esbanjava luxo, com direito a iate na Riviera francesa (US$ 7 milhões), noites no hotel Lanesborough de Londres (US$ 11 600 a diária) e jatinho da Embraer (US$ 29 milhões). Isso fez com que ele conseguisse clientes de peso. E o nome deles serviu para atrair novas vítimas. Com o dinheiro que entrava, Madoff pagava clientes antigos que quisessem sacar os investimentos. Era um esquema de pirâmide. Só funcionaria enquanto a base seguisse alimentada por novas vítimas. Isso inevitavelmente pararia uma hora. E a hora de Madoff foi a crise econômica de 2008. Quando investidores tentaram retirar de uma vez US$ 7 bilhões de seu fundo, ele simplesmente não tinha a grana. O herói de Wall Street acabou desmascarado.
10 pistas para identificar um psicopata
Só um psiquiatra conseguiria dar o diagnóstico certo. Mas, se algum colega de firma tiver esses traços, dá para suspeitar
Relacionamentos SuperficialNão se importa com o conteúdo, e sim em como vendê-lo.
NarcisistaPreocupa-se apenas consigo mesmo.
ManipuladorMente e usa as pessoas para conseguir algo.
Sentimentos FriezaÉ racional e calculista, pois tem pouca atividade no sistema límbico, centro de emoções como medo, tristeza, nojo.
Sem remorsoNão sente culpa. A parte responsável por isso no cérebro tem baixa atividade.
Sem empatiaNão consegue se colocar no lugar dos outros.
IrresponsávelSó se compromete com o que lhe trouxer benefícios.
Estilo de vida ImpulsivoTenta satisfazer as vontades na hora.
Incapaz de planejarNão estabelece metas de longo prazo.
ImprudenteCorre riscos e toma decisões ousadas.
Fonte:
Without Conscience, Robert Hare.
Mal de chefe
Psicopatas podem estar em qualquer nível hierárquico, desde que o cargo lhes traga algum benefício. Mas é mais provável que eles estejam no topo.
Em 2010, 203 executivos de 7 companhias americanas foram avaliados pelo psicólogo Paul Babiak. O resultado revelou aquela estatística que você viu no começo da reportagem - 3,9% dos entrevistados tinham pontuação suficiente nos testes de Babiak para ser diagnosticados como psicopatas. Onde estavam os casos mais graves? No alto escalão: 2 vice-presidentes e 2 diretores.
Por quê? É mais fácil enrolar em cargos de liderança. Um gestor precisa saber liderar a equipe, motivar os funcionários, relacionar-se com fornecedores e parceiros. Já um técnico precisa entender do negócio da empresa - negociar preços, saber como anda o mercado, apresentar as melhores estratégias ao chefe. No estudo de Babiak, ficou claro que os psicopatas não querem saber de trabalhar. A pesquisa usou dois grupos de habilidades para avaliar os executivos: um ligado ao plano das ideias (comunicação, criatividade e pensamento estratégico) e outro relacionado a produtividade (gerenciamento, liderança, desempenho e trabalho em grupo). Quão mais alto o grau de psicopatia de um executivo, pior foi a nota dele no grupo de produtividade.
Não é difícil para um psicopata fazer carreira dessa forma. Foi assim com Skip (nome fictício). O menino cresceu em um internato nos EUA, em Massachusetts, porque a família estava cansada de lidar com o capetinha - ele roubava dinheiro de casa para comprar fogos de artifício e matar sapos. Skip teve uma vida acadêmica medíocre e fez MBA em uma instituição mequetrefe. Aos 26 anos, entrou em uma empresa de equipamentos de mineração. Não demorou para se destacar. Seus chefes viram nele um talento para motivar vendedores e influenciar compradores. Com seu charme, tornou a empresa a terceira maior do setor no mundo. Até ganhou uma Ferrari de bônus da companhia pelo resultado. Aos 30 anos, Skip se casou com a filha de um bilionário. Mas dava suas puladas de cerca. Seis anos mais tarde, era presidente da divisão internacional da empresa, membro do conselho diretivo e pai de duas meninas. Não sem alguns tropeços: a empresa teve de dar uma indenização de US$ 50 mil a uma secretária depois de Skip quebrar o braço da moça ao forçá-la a sentar-se em seu colo. Mas esse e outros processos por assédio sexual não eram nada perto dos lucros que ele gerava. Aos 51 anos, virou o presidente da empresa. Merecido: ele fez a companhia ganhar dinheiro. Quer dizer, mais ou menos. Nos bastidores, Skip desviava dinheiro. Em 2003, foi acusado formalmente pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA por fraude. "Ele não sente nenhum apego emocional aos outros. Nenhum mesmo. Ele é frio como gelo", diz Martha Stout, que relata a história de Skip em Meu Vizinho É um Psicopata.
A esta altura é possível que você tenha se lembrado daquele colega de trabalho folgado. Ou do chefe que manda você fazer todo o trabalho dele. Será que são psicopatas? Pode ser que sim, mas considere também a possibilidade de eles terem outro tipo de transtorno psiquiátrico.
Tem executivo por aí tão doido quanto paciente de manicômio. As psicólogas forenses Belinda Board e Katarina Fritzon, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram 39 executivos de alto escalão e os compararam com presos psiquiátricos, um grupo em que a prevalência de transtornos de personalidade é 7 vezes maior do que na população em geral. A descoberta foi uma surpresa. Os executivos se mostraram mais doidos do que os presos psiquiátricos em 3 de 11 transtornos pesquisados: narcisismo (gente que precisa de admiração o tempo todo e não se preocupa com os outros), transtorno de personalidade histriônica (pessoas que gostam de se exibir e manipular os outros) e transtorno compulsivo (pessoas perfeccionistas, com tendências ditatoriais e devoção exagerada ao trabalho). A boa notícia é que o nível dos transtornos ligados à psicopatia era mais alto entre os criminosos psiquiátricos do que entre os executivos entrevistados.
Qual é a razão desse resultado? Simples. Certos traços desses transtornos são valorizados em cargos de liderança - como agressividade, autoconfiança, liderança. Isso dá certa vantagem a quem é narcisista e perfeccionista. Por isso, não saia acusando seu chefe de ser um psicopata. Ele pode ser doido. Ou simplesmente um cretino.
O canto do psicopata
Os xavecos que ele usa para manipular os colegas "EU GOSTO DE QUEM VOCÊ É" Por que funciona - O psicopata mostra admiração pelo talento e pelos pontos fortes da vítima. E passa a ser visto como um dos poucos a reparar verdadeiramente no potencial dos colegas.
"EU SOU COMO VOCÊ" Por que funciona - O psicopata identifica características da
personalidade da vítima e faz de conta que compartilha gostos e interesses.
"SEUS SEGREDOS ESTÃO SEGUROS COMIGO" Por que funciona - A vítima, achando que está diante de um amigo,
abre o coração e conta medos e expectativas.
"SOU SEU AMANTE/AMIGO IDEAL" Por que funciona - Último estágio da manipulação. O psicopata cria um elo
psicológico que promete uma relação duradoura. A vítima já está em suas mãos.
por Tina Rosenberg, 29.11.2010,
tradução de Edu MontesantiEsta é uma história sobre uma política corajosa em um lugar inesperado. Neste lugar, os albergues possuem postos de venda de seringas para injetar drogas. Os usuários de drogas não são processados enquanto estão em programas de tratamento. Aos viciados em drogas são dadas agulhas limpas e terapia de manutenção com
metadona ─ disponíveis em uma ampla base, mesmo na prisão. Essas táticas têm sido implantadas para reduzir a criminalidade, menor taxas de HIV entre usuários de drogas e fazer com que a Aids corra fora da população em geral. Esse lugar não é Amsterdam. É Teerã.
Em uma semana, quando as notícias sobre o Irã estão centradas em instalações nucleares e diplomacia desesperada, eu gostaria de concentrar-me em outro problema grave para o qual essa repressão, a teocracia aparentemente irracional, tem adotado uma abordagem pragmática e esclarecida.
Às vezes, não há mistério sobre a melhor estratégia para resolver um problema, mas por motivos políticos essa estratégia não é utilizada. A história do Irã oferece lições úteis sobre como obter apoio político para soluções eficazes, em circunstâncias difíceis.
Na África, a Aids é transmitida principalmente pelo contato sexual. Sabemos que as pessoas precisam se abster de sexo, ser fiel a um parceiro ou usar camisinha. Mas tem havido sucesso limitado em todo esse método. Nós simplesmente não somos muito bons em fazer com que as pessoas pratiquem essas coisas.
Em muitos países, porém, o propulsor principal da AIDS não é o sexo, mas agulhas hipodérmicas compartilhadas por usuários de drogas injetáveis. Esse é o maior condutor do H.I.V. da epidemia na Europa Oriental, na maior parte do Oriente Médio e na Ásia, e em partes do resto do mundo. Através de
medidas recentes, 62 por cento das infecções de H.I.V. na Rússia veio diretamente de uma agulha comum. Na
Malásia, 76 por cento, no Irã 68. Esse não é apenas um problema para usuários de drogas. H.I.V. não detectado entre usuários de drogas passam para a população em geral por meio dos parceiros sexuais dos usuários de drogas. Em um livro (e muito divertido) recente, "
The Wisdom of Whores", Elizabeth Pisani, epidemiologista e consultora do Unaids, argumentou que Jacarta, na Indonésia, tem taxa de epidemia de HIV 50 vezes maior do que ela seria, se não tivesse permitido taxas de infecção de HIV para os usuários de drogas chegar a uma escala 0-47 por cento, no final de 1990.
A de emergência de AIDS nos Estados Unidos entre mulheres negras ─ que têm
uma taxa de Aids 23 vezes superior ao de mulheres brancas ─ poderia ter sido evitada com programas em tempo útil para evitar a partilha de seringas. Poucas dessas mulheres contrairam H.I.V. de uma agulha, mas a agulha abriu as portas ao H.I.V. na comunidade negra, para começar.
A prevenção da transmissão de H.I.V. entre usuários de drogas, então, é uma forma de proteger a todos.
Ao contrário de prevenir a transmissão sexual da AIDS, isso é algo que podemos fazer. A estratégia é a troca de seringas ─ dando aos toxicodependentes novas agulhas, geralmente em troca das suas já utilizados. Uma das razões por que funciona é que os usuários de drogas querem isso: todo injetor de droga prefere usar agulhas limpas.
A troca de seringas é parte de uma abordagem global de drogas chamada de redução de danos, que procura fazer do uso de drogas algo menos mortal para o viciado, e diminuir o crime e a doença que causa a dependência delas. Na maioria dos países que usam a redução de danos, o porte de drogas ainda é ilegal. Mas o abuso de drogas é tratado principalmente como uma doença, não como um crime. Um exemplo do que a redução de danos aparenta, pode ser visto nas clínicas de Persépolis, no sul de Teerã. Persépolis começou como uma gota no centro, num bairro de drogas, e posteriormente expandiu-se para cinco centros. As clínicas têm equipes de aproximação a ex-toxicodependentes, que contactam seus colegas na rua. As clínicas oferecem seringas, metadona, tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, testes de Aids e outros cuidados médicos. Eles recebem pessoas para programas de tratamento da toxicodependência. Os usuários de drogas podem tomar banho, e sentar-se a qualquer hora do dia para tomar chá. Quando há dinheiro, as clínicas servem almoço e roupas. Uma clínica com equipe apenas de mulheres, é só para mulheres. As clínicas são uma passagem para usuários de drogas entrar no sistema de saúde, onde podem obter ajuda.
A prova de que a redução de danos funciona, é esmagadora. Críticos da troca de seringas têm argumentado que ela provoca mais consumo de drogas, mas ficou provado que não é assim. Em vez disso, reduz drasticamente as taxas de H.I.V., impedindo que um pequena problema de H.I.V. entre usuários de drogas em geral. Isso economiza dinheiro, especialmente se comparado com a alternativa mais tradicional: a prisão. Ela combate o crime. Os usuários de drogas na terapia de manutenção de metadona cometem muito menos crimes do que os outros usuários, e geralmente são capazes de manter seus empregos e têm vidas normais.
Mas a esmagadora maioria dos consumidores de droga injetada não têm acesso à redução de danos. Geralmente, a troca de seringas eficaz é encontrada principalmente nos lugares esperados ─ Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia. Na Rússia, país que mais necessita da redução de danos, a metadona é ilegal e a troca de seringas é feita apenas por grupos pequenos em algumas cidades. Enquanto algumas cidades norte-americanas utilizam a troca de seringas (Nova Iorque é um lugar muito mais seguro por causa de seus ótimos programas de troca de agulha), foi considerado ilegal o uso de fundos federais para troca, até o ano passado. E sob a administração Bush, Washington intimidou agências internacionais para abandonar seu apoio à troca.
O problema é a política. Parece errado ao governo ofuscar a mensagem "não use drogas" e fornecer o equipamento para uma atividade ilegal e perigosa. Mas em oposição à redução de danos aparece apenas a ilusão de moralidade. Certamente, é mais moral para escolher uma estratégia que não aumenta o uso de drogas, mas não salva vidas.
A redução de danos é relativamente nova no Irã. Após a Revolução Islamita de 1979, o país reprimiu duramente os usuários de drogas, declarando que o vício era contra-revolucionário. Todo o tratamento da droga foi paralizado. Centenas de milhares de usuários de drogas foram enviados para campos de trabalho. A posse de heroína era uma ofensa capital.
A essas políticas punitivas seguiram-se a uma espiral epidemia do consumo de droga. Há dez anos, o
Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC, na silga em inglês) estima que o problema das drogas no Irã foi um dos mais graves no mundo (esse país que divide uma fronteira 570 quilômetros com o cultivo do ópio no Afeganistão não ajuda). As políticas duras apenas levam mais para baixo os usuários de drogas; o medo de ser pego com uma agulha fazia com que os usuários usassem uma mesma agulha de toda a comunidade, desde o revendedor. Ir para a prisão era particularmente perigoso. As prisões são paraísos de partilha de seringas, estar preso é o único e mais forte precursor infecção de HIV no Irã. Os dados são escassos, mas dos entrevistados em uma prisão em 2001,
63 por cento de todos os usuários de drogas injetáveis eram HIV positivo. Testes de usuários de drogas que visitaram a clínica Persépolis descobriram, convictamente, que um quarto deles tinha o vírus da Aids.
Desde 2005, a redução de danos se tornou política oficial no Irã. O aiatolá Mahmoud Shahroudi, chefe do Poder Judiciário, enviou uma carta a todos os tribunais e autoridades judiciárias instruindo-os a apoiar a metadona e a troca de seringas. Até mesmo as prisões no Irã agora tem metadona generalizada, e tem havido projetos-piloto em prisões para a troca de agulha ─ troca ainda não encontrada nas prisões dos Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Em 2007, 95 por cento dos usuários de drogas injetáveis entrevistados no Irã disseram ter usado equipamentos seguros na última injeção.
A taxa de novas infecções de H.I.V. no Irã aumentou até 2005, e passou a cair desde então. Um oficial de controle de cima da droga, Saeed Sefatian, disse em 2008 que 18 por cento dos usuários de drogas injetáveis eram soropositivos, mas estima-se que se não fosse para a redução de danos, esse número teria sido de 40 por cento. Novas infecções entre usuários de drogas continuaram a cair. Pesquisas em sítios sentinela em clínicas de pré-natal ainda não apareceu nem uma única mulher grávida com HIV (UNAIDS relatório, p. 97) ─ um excelente indicador de que a epidemia foi contida.
Ao apontar o sucesso deste programa, eu não quero endossar as prisões do Irã, onde os dissidentes políticos estão sendo torturados. Nem a abordagem moderna do Irã à redução de danos justifica uma aproximação a idade da pedra do governo em praticamente tudo. O mesmo aiatolá que disse aos juízes que não ficam atrapalhem a redução de danos, foi quem fechou dezenas de jornais. O ponto importante aqui é que mesmo uma teocracia repressora e rígida como o Irã ─ o anti-Amsterdam ─ conseguiu criar políticas que certamente salvaram o país de um desastre da Aids e das drogas.

CONTEÚDO (com ligações)
PÁGINA INICIAL
l. MATEANDO COM EDU - Perfil, Comentários e Literatura
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Página 2
lI. TERCEIRA PÁGINA - Crônicas / Questões Internacionais
III. NO PIQUE DA VIDA - Reflexões
IV. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais
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V. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque
VI. O 11 DE SETEMBRO DE CADA DIA DO AFEGANISTÃO
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Página 2
Página 3
VII. SANEAMENTO PÚBLICO - ONDE JOGAR TANTO LIXO HUMANO?
VIII. ANISTIA INTERNACIONAL - Uma Questão de Liberdade
IX. ÉTICA NA TV - Uma Questão de Liberdade
X. HUMAN RIGHTS WATCH - Uma Questão de Liberdade
XI. GOLPES MILITARES NA AMÉRICA LATINA
XII. HISTÓRIAS MUNDIAIS
XIII. ENAS NAFFAR: OLHAR SOBRE O ORIENTE MÉDIO - Visão Palestina no Blog
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XIV. CULTURA & ARTE AFEGÃ
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Página 2
XV. O BRASIL NO ESPELHO - Crônicas
XVI. Especial: TERRORISMO
Grupos
Estados
Mídia
Religiões
Polícia
Trabalho
XVII. IDIOMAS
Inglês
Espanhol
Alemão
Italiano
Francês
Sueco
Português
XVIII. WIKILEAKS
Brasil (Página 1)
Brasil (página 2)
América Latina
Estados Unidos, Europa, África e Ásia
Oriente Médio
XIX. MALALAÏ JOYA - A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão
Página 1
Página 2
Página 3
Página 4
XX. PÁTRIA GRANDE PORTENTOSA - Paisagem & Cultura Latina
Página 1
Página 2
Página 3
XXI. AVÓS DA PRAÇA DE MAIO - Uma Voz por Liberdade na Argentina
Página 1
Página 2
XXII. MISSÃO CUMPRIDA, POR EDU MONTESANTI
XXIII. POEMAS - Uma Questão de Liberdade
XXIV. MEIO AMBIENTE, ESPORTE & SAÚDE
XXV. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Nacionais
XXVI. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Internacionais
XXVII. MENTIRAS E CRIMES DA "GUERRA AO TERROR", E O JORNALISMO BRASILEIRO MANCHADO DE SANGUEXXIX. ARQUIVO: CONTRACAPA - NacionalPágina 1Página 2XXX. ARQUIVO - CONTRACAPA - InternacionalPágina 1Página 2XXXI. EDU MONTESANTI IN ENGLISH: A MATTER OF FREEDOM
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