EUA Tem Interesse em Manter Relações com Vaticano, Diz WikiLeaks
28.4.2011 / Fonte: UOL NotíciasOs Estados Unidos têm interesse em ser um aliado do Vaticano, segundo documentos revelados pelo site WikiLeaks e antecipados hoje pela revista italiana L'Espresso.
Os relatórios afirmam que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, "orientou" os embaixadores e diplomatas a criarem uma página na Internet para captar, diariamente, as novidades da Santa Sé.
De acordo com os documentos, que serão publicados na edição de amanhã da revista, os Estados Unidos consideram o Vaticano "um modelo a ser estudado com atenção".
"Trata-se de uma armada impressionante: 400 mil sacerdotes, 750 madres, cinco mil monges e frades, relações diplomáticas com 177 países, três milhões de escolas, cinco mil hospitais, braço operativo da Caritas com 165 mil voluntários e dependentes que prestam assistência a 24 milhões de pessoas", ressaltam os documentos.
"O Vaticano pode ser uma potência aliada ou um inimigo ocasional. Devemos fazê-lo ver que a nossa política pode ajudá-lo a avançar em muitos princípios", orienta o Departamento de Estado dos EUA.
Segundo os textos, "tudo depende da relação que possamos construir: devemos trabalhar juntos quando as nossas posições são complementares, assegurando que a nossa linha seja compreendida quando são divergentes".
Novos Documentos WikiLeaks Mostram EUA Pressionando Vaticano sobre Iraque, e OGM's
17.12.2011 / Fonte: National Catholic ReporterTradução de Edu MontesantiTelegramas confidenciais liberados hoje, como parte das divulgações
WikiLeaks, mostram diplomatas norteamericanos pressionando o Vaticano para tomar uma atitude mais positiva sobre as consequências da guerra liderada pelos EUA no Iraque, e sobre os organismos geneticamente modificados (OGM's).
Os cinco novos cabos publicado no sítio
WikiLeaks são datados entre março de 2001 a junho de 2008. De maneira geral,m não acrescentam muito ao que já era conhecido, sobre o Vaticano ou sobre a política externa norteamericana, mas acrescentam alguns novos detalhes intrigantes.
Um cabo de abril de 2007, por exemplo, relata que o então embaixador dos EUA na Santa, Sé, Francis Rooney, pediu uma reunião de alto escalão ao Vaticano, para protestar contra declarações do Papa Bento XVI sobre a situação no Iraque, durante sua mensagem de Páscoa daquele ano.
Falando diante de peregrinos na Praça de São Pedro no Domingo de Páscoa, Bento XVI disse na ocasião: "Não vem nada de positivo do Iraque, ensanguentado por contínuas matanças enquanto as populações civis se regugiam".
De acordo com o cabo de 26 de abril da embaixada dos EUA, Rooney encontrou-se com os diplomatas do Vaticano, vários dias depois de enfatizar o que descreveu como "muitos desenvolvimentos positivos" no Iraque, e disse que "não enxergamos construtivo o comentário do papa sobre a assunto, dadas as circunstâncias".
O cabo cita o arcebispo Dominique Mamberti, prelado marroquino de origem francesa e ministro das Relações Exteriores do Vaticano, cuja resposta foi que, embora possa haver "alguns pontos luminosos" no Iraque, o "número total de mortos" continua sendo preocupante.
O cabo termina com a informação do Departamento de Estado, que a embaixada dos EUA "continuará a pressionar por comentários construtivos de funcionários do Vaticano sobre o Iraque."
O Iraque continua sendo uma das principais preocupações diplomática do Vaticano, especialmente à luz da orquestração a ataques contra a minoria cristã do país. Mais recentemente, Bento XVI dirigiu-se à deterioração da situação dos cristãos no Iraque em sua mensagem de 1º de janeiro, o "Dia Mundial da Paz".
O mais longo dos cinco cabos liberados hoje, data de abril de 2005, com atualizações de esforços de longa data de diplomatas dos EUA para pressionar o Vaticano à aceitação de OGM's.
O cabo cita dois funcionários de nível médio no Conselho Pontifício Justiça e Paz e na "Cor Unum", concílio do Vaticano responsável por supervisionar as atividades de caridade católicas em todo o mundo, no sentido de que os OGM's, não sejam, eventualmente, questionados na Santa Sé ", mas na ocasião era improvável que o Vaticano se tornasse mais explicitamente favorável, devido à "oposição aberta entre alguns leigos católicos e o clero".
Notando que a oposição aos OGM's, dentro do catolicismo, é especialmente forte no mundo subdesenvolvido, um funcionário do Vaticano teria brincado dizendo que a igreja nas Filipinas "entraria em cisma" se o Vaticano adotasse uma postura pró-OGM.
O cabo cita um funcionário da "Cor Unum", dizendo que a "opinião geral" dentro do Vaticano é de que a "ciência é sólida" no sentido de que os transgênicos são seguros. A principal preocupação para a Igreja, diz a fonte, é provável que seja a dimensão econômica da biotecnologia alimentar - se eles vão tornar os agricultores nos países em subdesenvolvidos mais dependentes de empresas multinacionais no Ocidente.
Um fato interessante relatado pelo cabo, é mais forte que a voz pró-OGM no Vaticano tivesse sido o cardeal italiano Renato Martino, à época ainda presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz. Contudo, o cabo relata, os diplomatas norteamericanos não podiam mais contar com Martino para transportar a bola.
Um suplente do cardeal, de acordo com o cabo, disse a diplomatas norteamericanos que Martino tinha cooperado com a embaixada dos EUA junto à Santa Sé sobre os OGM's, em parte, para "compensar" sua forte crítica à guerra liderada pelos EUA no Iraque. O cabo disse que o deputado havia informado, no entanto, que Martino não sentia que ele precisava tomar tal atitude.
Outros cabos lançados hoje, incluem:
• Relatório de 2001, em que o Vaticano pediu aos EUA e ao Reino Unido que pressionassem Uganda e Ruanda para retirar as tropas da região do Kivu, na República Democrática do Congo, e participar do processo de paz.
• Relatório de setembro de 2007, de conversa com o embaixador do Líbano na Santa Sé, analisando as possíveis contribuições que o Vaticano poderia proporcionar à promoção de eleições livres no Líbano. (O consenso foi apenas o de que a contribuição mais valiosa do Vaticano se daria através de se pressionar a Síria a deixar o Líbano).
• Cabo de comunicação de junho de 2008, em que o Papa Bento XVI não concederia uma audiência ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, época em que o polêmico líder iraniano estava em Roma, para uma cúpula da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Diplomatas norteamericanos haviam pressionado o papa a desprezar Ahmadinejad, apesar de uma autoridade do Vaticano ter dito que a lógica para se negar a reunião foi a de que diversos líderes ao mesmo tempo fizeram o pedido, devido à cúpula da FAO.
Integrante da Al-Qaeda Trabalhava para Inteligência Britânica, Diz WikiLeaks
26.4.2011 / Fonte: UOL NotíciasTradução de Edu MontesantiUm integrante da rede Al-Qaeda acusado de ataques em igrejas cristãs e a um hotel de luxo no Paquistão em 2002 trabalhava na mesma época para os serviços secretos britânico e canadense, de acordo com documentos vazados pelo sítio
WikiLeaks.
Adil Hadi al Jazairi Bin Hamlili esteve detido pelo governo americano no centro de detenção da baía de Guantánamo entre 2003 e o ano passado, segundo documentos publicados no jornal britânico
The Guardian.
O argelino foi descrito por seus interrogadores como "facilitador, entregador, sequestrador e assassino" para a Al-Qaeda.
Ele foi capturado no Paquistão em 2003 e levado para um interrogatório na base norteamericana de Bagram, no Afeganistão.
Ataques
Hamlili teria dito a agentes da CIA que era informante dos serviços de inteligência de Canadá e Grã-Bretanha, desde o ano 2000.
Ele foi considerado uma ameaça para os EUA e seus aliados, no Afeganistão e Paquistão.
Outro detido, Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques de 11 de Setembro, supostamente afirmou durante interrogatório que Hamlili estava por trás de um ataque com granadas a uma igreja em Islamabad em 2002 que matou cinco pessoas.
Apesar das acusações, ele foi enviado de volta à Argélia no ano passado. Não se sabe se Hamlili está atualmente detido.
Mesquista
Outros arquivos publicados no jornal britânico
The Daily Telegraph sugerem que uma mesquita no norte de Londres, seria "porto seguro" para extremistas islamitas.
Os documentos afirmam que 35 homens que lutaram contra forças ocidentais no Afeganistão, foram recrutados pelos clérigos Abu Hamza e Abu Qatada na mesquita de
Finsbury Park.
A mesquita costumava atrair jovens em fins da década de 1990. Eles seriam então radicalizados e enviados para campos de treinamento no Afeganistão.
Documentos afirmam ainda que a Al-Qaeda escondeu uma bomba nuclear na Europa, e a detonaria caso Osama Bin Laden fosse capturado, que o líder da Al-Qaeda tentou recrutar seguidores entre trabalhadores do aeroporto de Heathrow e que o governo americano suspeitou que o Serviço Mundial da BBC poderia ser "um possível veículo de mídia para divulgação" da Al-Qaeda.
A suspeita surgiu porque o telefone da entidade foi encontrado com vários suspeitos detidos, segundo o
Telegraph.
O diretor da
BBC Global News, Peter Horrocks, escreveu para o jornal, afirmando que discorda com veemência da interpretação dos aquivos.
WikiLeaks Divulga Documentos Secretos sobre Abusos em Guantánamo
Documentos revelam a presença de idosos e adolescentes no local
25.4.2011 / Fonte: R7 NotíciasOs jornais El País, The New York Times e o Washington Post publicam em suas páginas na internet na noite deste domingo (24) informações detalhadas sobre a prisão militar de Guantánamo em Cuba, obtidos pela organização Wikileaks.
Por meio de um comunicado, o Departamento de Estado dos EUA e o Pentágono criticaram os meios de comunicação que divulgaram o conteúdo dos documentos secretos.
- É infeliz que várias organizações midiáticas tenham tomado a decisão de publicar vários documentos obtidos de forma ilegal pelo Wikileaks relacionados com o centro de detenção de Guantánamo.
Os EUA indicaram que os papéis do Pentágono incluem Expedientes de Avaliação de Detidos (DABs, na sigla em inglês) redigidos pelo Departamento de Defesa entre 2002 e começo de 2009.
- Esses DABs foram escritos em função da informação disponível então, diz a resposta oficial.
O comunicado ressalta que o Grupo de Trabalho de Revisão de Guantánamo, estabelecido em janeiro de 2009, considerou os DABs durante sua revisão da informação de detidos.
O Governo americano insiste que em algumas ocasiões o citado grupo de trabalho chegou às mesmas conclusões que os DABs, mas em outras houve divergências.
O comunicado destaca que o Wikileaks não teve acesso às conclusões do grupo de trabalho e portanto os documentos obtidos "ilegalmente" podem representar ou não a opinião de um detido concretamente.
Os EUA asseguram que tanto o governo atual como o anterior fizeram todos os esforços a seu alcance para realizar com o máximo "cuidado e diligência" a transferência de detidos em Guantánamo.
O comunicado lembra que o governo anterior transferiu 537 detidos e o atual autorizou a mudança de 67.
- Para ambos os governos a proteção de cidadãos americanos foi sua principal prioridade e nos preocupa que a divulgação dos documentos possa prejudicar esses esforços, ressaltou o comunicado.
O portal Wikileaks divulgou na noite deste domingo 759 documentos secretos do Pentágono que revelam que o governo dos Estados Unidos usou a prisão de Guantánamo ilegalmente para obter informação de seus reclusos, independentemente que fossem suspeitos ou não, segundo informa o jornal espanhol El País.
De acordo com os documentos oficiais vazados pelo Wikileaks, na prisão de Guantánamo, os EUA "criaram um sistema policial e penal sem garantias no qual só importavam duas questões: quanta informação se obteria dos presos, embora fossem inocentes, e se podiam ser perigosos no futuro", acrescenta o jornal espanhol em sua página na internet.
Cerca de 60% dos detidos foram conduzidos à base militar sem ser uma ameaça "provável", afirma o jornal espanhol, apontando que idosos com demência, adolescentes, doentes psiquiátricos graves e professores de escola ou fazendeiros sem nenhum vínculo com terrorismo foram conduzidos ao presídio e misturados com verdadeiros terroristas como os responsáveis pelo atentado de 11 de setembro de 2001.
O diário assinala que teve acesso junto com outros veículos de imprensa internacionais, por meio do Wikileaks, "às fichas militares secretas de 759 dos 779 presos que passaram pela prisão".
Atualmente, 172 presos considerados de 'alto risco' continuam em Guantánamo, em Cuba.
WikiLeaks Revela Arquivos Secretos dos Prisioneiros de Guantánamo
Ontem, WikiLeaks começou a publicar 779 arquivos com fichas de cada um dos presos de Guantánamo
25.4.2011 / Fonte: A PúblicaNo mais recente vazamento de documentos secretos dos Estados Unidos, o Wikileaks desmascara um dos mais famosos ícones da administração Bush na “Guerra ao Terror”: a prisão da baía de Guantánamo, em Cuba, inaugurada em 11 de janeiro de 2002 e ainda hoje funcionando apesar das promessas de Obama de fechá-la em no máximo um ano após assumir a presidência dos EUA.
As milhares de páginas de documentos inéditos, do período de 2002 a 2008, consistem em memorandos da Join Task Force at Guantánamo Bay (JTF-GTMO) para o US Southern Command, em Miami, Flórida, que descrevem, em detalhes, os casos de 758 dos 779 presos de Guantánamo, com as recomendações da JTF sobre seu futuro: transferência, soltura ou permanência na base americana.
As fichas dos prisioneiros também contêm informações secretas como o estado de saúde e, no caso dos 171 que ainda estão detidos, fotos, em muitos casos, únicas. Os arquivos também trazem informações inéditas sobre os 201 prisioneiros soltos entre 2002 e 2004 e documentam descalabros como inocentes detidos por engano (ou porque os Estados Unidos oferecem polpudas recompensas para os aliados que capturam suspeitos de fazer parte da Al-Qaeda ou do Taliban). Também revelam as histórias de 397 prisioneiros soltos a partir de setembro de 2004, e de sete homens que morreram em Guantánamo.
Assinados sempre pelo comandante de Guantánamo no período, os memorandos atribuem aos prisioneiros diferentes graus de risco (baixo, médio e alto). Embora não seja definitiva por depender de níveis mais altos de poder – a classificação é importante porque inclui a opinião da Criminal Investigation Task Force, criada pelo Departamento de Defesa para conduzir interrogatórios na “Guerra ao Terror”, e das equipes de psicólogos que decidem a linha de “exploração” das inquirições.
Cruciais, também, são as explicações detalhadas sobre as estratégias de “inteligência” usadas para justificar as prisões. Para muitos leitores, esse será o aspecto mais fascinante dos documentos, pela oportunidade de ver como funciona a inteligência americana, mas cuidado: embora muitas vezes dêem a impressão de provar a ligação dos prisioneiros com a Al-Qaeda ou outras organizações terroristas, os documentos se apóiam basicamente em depoimentos de testemunhas – em muitos casos companheiros de prisão dos acusados – consideradas de baixa credibilidade por terem deposto sob coerção e tortura (em Guantánamo e em prisões secretas da CIA) ou por conveniência pessoal, em troca de um melhor tratamento na cadeia.
Depoimentos falsos
Entre esses depoimentos não-confiáveis estão os de prisioneiros “fantasmas” ou “de alto valor”, como Abu Zubaydah, capturado no Paquistão em março de 2002. Depois de passar quatro anos e meio em prisões secretas da CIA, em lugares como a Tailândia e a Polônia, onde foi submetido ao “afogamento controlado” em 83 ocasiões apenas em agosto de 2002, Zubaydah foi transferido para Guantánamo com mais 13 prisioneiros de “alto valor” em setembro de 2006. Os depoimentos de todos eles são suspeitos.
Ibn al-Shaykh al-Libi, o emir do campo de treinamento militar do qual Zubaydah era guardião e que se recusou a permitir que a Al-Qaeda utilizar suas instalações (por esse motivo fechadas pelo Taliban), é descrito nos documentos de Guantánamo como o comandante militar de Bin Laden em Tora Bora. Pouco depois de capturado, em dezembro de 2001, al- Libi foi levado pela CIA ao Egito onde, torturado, confessou falsamente que os agentes da Al-Qaeda tinham se encontrado com Saddam Hussein para negociar a compra de armas biológicas e químicas. Al- Libi negou a mentira depois, mas ela continuou a ser usada pela administração Bush para justificar a invasão do Iraque em março de 2003. Al-Libi nunca foi mandado a Guantánamo – em determinado momento, provavelmente em 2006, foi enviado de volta a Líbia onde “suicidou-se” na cadeia em maio de 2009.
Há muitos outros casos semelhantes, agora documentados, como o dos iemenitas Sharqawi Abdu Ali al-Hajj – torturado em uma prisão da CIA na Jordânia por quase dois anos antes de ser enviado a Guantánamo -, e Sanad Yislam al-Kasimi que passou por três prisões secretas, incluindo a “Dark Prison” de Cabul. Em fevereiro de 2010, o juiz Henry H. Kennedy Jr, da corte de Washington D.C, concedeu habeas-corpus a outro preso iemenita de Guantánamo (Uthman Abdul Rahid Mohammed Uthman), exatamente por seu processo basear-se nos depoimento de al-Hajj e al-Kasimi. E justificou: “A Corte não vai se basear nos depoimentos de Hajj ou Kasimi porque os dois homens foram torturados antes de depor”.
Não foi o primeiro juiz a tomar essa atitude. Em janeiro de 2009, na mesma corte penal, o juiz Richard Leon, indicado por George W. Bush, anulou o depoimento do iemenita Yasim Basardah e concedeu habeas corpus a Mohammed El-Gharani, nacionalista do Chade preso aos 14 anos de idade e condenado pelas declarações do ienemita ,que havia feito 60 depoimentos semelhantes contra outros presos em troca de tratamento privilegiado na prisão. O juiz Leon recomendou ao governo que tivesse cautela “com depoimentos sem corroboração independente”, o que se repetiu em outros casos de concessão de habeas corpus.
Entre esses casos está o de Mohammed al-Qahtani, um saudita suspeito de envolvimento nos ataques de 11 de setembro de 2001, que foi submetido a um programa específico de torturas em Guantánamo, aprovado pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. O “programa”, que durou muitos meses, consistia em interrogatórios diários de 20 horas com o uso de “técnicas” que comprometeram severamente a saúde do prisioneiro. Por esse motivo, Susan Crawford, uma juíza aposentada muito amiga de Dick Cheney e David Addington, indicada para supervisionar as comissões militares em Guantánamo disse ao jornalista Bob Woodward: “Nós torturamos Qahtani. O tratamento dado a ele encaixa-se na definição legal de tortura”. Por esse motivo, Crawford não quis representar contra ele e os diversos depoimentos de Qahtani sobre outros presos foram descartados pela Justiça americana.
Meninos e homens inocentes
Muitos casos chocantes podem ser descobertos a partir da leitura desses documentos, que também revelam a prisão de meninos e homens inocentes, capturados por engano, e de soldadinhos do Taliban sem ligação com o terrorismo. Muitos desses prisioneiros foram vendidos aos Estados Unidos por aliados afegãos e paquistaneses interessados nas recompensas em dinheiro. O ex-presidente Musharraf testemunhou em seu livro de memórias (In the Line of Fire) que o governo paquistanês recebeu “milhões de dólares” em troca de ter entregue 369 suspeitos de terrorismo aos americano.
Fatos constrangedores como esses não são revelados nas deliberações da Joint Task Force, mas são cruciais para entender porque os arquivos contra os presos de Guantánamo – que teoricamente deveriam comprovar seus laços com o terrorismo – acabavam revelando exatamente o contrário: a anatomia de um crime colossal perpetrado pelo governo dos Estados Unidos contra 779 pessoas que, em sua grande maioria, não eram os terroristas que os americanos pintam.
Consulte os documentos originais no sítio http://wikileaks.ch/gitmoConheça Oito Histórias Secretas de Guantánamo Reveladas por WikiLeaks
Militares tem “manual de interrogador” para arrancar dados de suspeitos de terrorismo
25.4.2011 / Fonte: R7 NotíciasUma nova leva de papéis confidenciais do governo americano, vazados pelo site WikiLeaks, trazem histórias chocantes sobre os presos de Guantánamo. Os documentos mostram, por exemplo, que prisioneiros de “alto risco” foram libertados em troca de cooperação. Também revela a existência de um “manual de interrogatório”. A polêmica prisão em uma base cubana concentra suspeitos de terrorismo, presos durante a Guerra do Terror.
Os papéis mencionam, ainda, terroristas infiltrados em serviços de inteligência de governos ocidentais, bem como a prisão de idosos, doentes mentais, adolescentes e religiosos reconhecidamente sem ligação com o terrorismo. O fechamento da prisão foi uma promessa de campanha do presidente Barack Obama. Há prisioneiros há mais de 9 anos sem julgamento ou direito a advogados. O governo dos EUA já reconheceu a existência de tortura na prisão.
Os documentos do WikiLeaks, site fundado pelo ativista australiano Julian Assange, mostram que houve pouco cuidado ao transferir e liberar prisioneiros perigosos, enquanto inocentes continuam presos na base naval.
Os documentos do WikiLeaks, site especializado em vazar papéis oficiais de governos do mundo inteiro por meio de uma rede de informantes, jogam luz sobre esses presos e suas identidades. Os papéis podem dar início a mais uma crise diplomática para os Estados Unidos, menos de seis meses após a divulgação de documentos diplomáticos.
1. EUA tiveram pouco cuidado ao libertar prisioneiros perigosos Considerados de “alto risco”, 127 prisioneiros continuam na prisão de Guantánamo, mas cerca de outros 160 “que representam risco de ameaça aos Estados Unidos” foram soltos ou extraditados para outros países. Segundo a National Public Radio, a rádio estatal americana, e o jornal americano The New York Times, pelo menos duas dúzias de prisioneiros de “alto risco” foram ligados a atos terroristas desde suas libertações de Guantánamo, incluindo dois sauditas que se tornaram líderes regionais da Al Qaeda na Península Arábica.
2. Mais de 160 “inocentes” continuam presos e o Exército reconhece isso Pelo menos 160 dos prisioneiros de Guantánamo são considerados inocentes ou “de baixo risco” pelo Exército americano, como um tradutor iraniano, que teria lutado contra o Taleban no Afeganistão e preso quando ofereceu serviços de tradução aos soldados americanos em Kandahar, no Paquistão. Incluem-se nesta lista também fazendeiros paquistaneses, um médico e um rapaz preso aos 14 anos e levado para Guantánamo por “possíveis informações sobre o Taleban e a Al Qaeda”. Também figuram nos documentos o caso de um idoso de 89 anos com problemas mentais e um inglês convertido ao Islã que foi preso apenas por ter sido prisioneiro do Taleban durante um certo período em que passou no Afeganistão. Os documentos admitem que 83 dos presos que passaram por Guantánamo “não representam risco nenhum” e outros 77 representam “risco improvável”. Outros 274 representariam apenas “eventual” risco.
3. Militares não têm certeza do que fazem Os oficiais do Exército americano não têm certeza do que estão fazendo. Nos mais de 700 documentos de prisioneiros vazados, a palavra “possivelmente” aparece 387 vezes; “desconhecido” é lida outras 188 vezes. Um exemplo de como as informações foram mal apuradas é o caso de Yousef Abkir Salih al Qarani, supostamente um líder da Al Qaeda, em Londres, e cuja verdadeira identidade é, segundo o jornal britânico The Guardian, um garoto saudita de 11 anos que nunca deixou o país.
4. Exército tem “manual para interrogador” Os documentos vazados mostram também um “manual do interrogador”, em que o serviço de inteligência do Exército lista maneiras para os interrogadores lidarem com muçulmanos e também detectarem formas que os presos usariam para enganá-los, como conversas sobre religião e histórias falsas para encobrir participação em atos terroristas.
5. Um único prisioneiro delatou mais de 123 terroristas Presos de “alto risco” foram libertados após contribuírem com informações de inteligência e revelarem os paradeiros de outros terroristas muçulmanos, apesar de até mesmo os interrogadores terem colocado em dúvida a veracidade de algumas dessas informações. É o caso de Mohammed Basardah, nascido no Iêmen, que denunciou 123 pessoas ligadas a redes terroristas, incluindo outros prisioneiros de Guantánamo. Ele foi transferido para uma prisão do governo da Espanha como recompensa pelas cooperação, apesar de interrogadores terem pontuado que as informações “não eram confiáveis” e de autoridades suspeitarem que ele era um dos guarda-costas de Osama bin Laden.
6. Relógio é indício de terrorismo Relógios baratos servem como pista para militares detectarem membros da rede Al Qaeda. Segundo mostram os documentos revelados pelo Wikileaks, relógios da marca Casio foram considerados pelo Exército americano como indícios de que suspeitos estariam envolvidos na montagem e fabricação de bombas. Os documentos dizem que até um terço dos detidos na prisão de Guantánamo (ao todo 102 pessoas) portavam um desses relógios no momento de sua captura.
7. Terroristas se infiltraram em serviços de inteligência de governos ocidentais Membros da Al Qaeda trabalhavam infiltrados no serviço de inteligência britânico, MI-6. Um militante argelino, Adil Hadi al Jazairi Bin Hamlili, responsável por explosões em igrejas cristãs e um hotel no Paquistão, preso em Guantánamo, é citado pelos documentos oficiais como “possivelmente” um informante tanto do MI-6 quanto do serviço de inteligência canadense.
8. Guerra ao Terror mudou de alvo Os documentos mostram que o foco das operações e detenções na chamada “Guerra do Terror” deixou de ser o desmantelamento da rede terrorista Al Qaeda para tratar de outros assuntos mais amplos. Há prisioneiros detidos por “possíveis informações” sobre o sistema judiciário do Bahrein e do serviço secreto do Cazaquistão, entre outros presos sem relação comprovada com o terrorismo.
Guantánamo, Wikileaks e a Vitrine da Tirania
28.4.2011 / Fonte: The Drum OpinionTradução de Edu MontesantiO Wikileaks liberou
arquivos sobre Guantánamo, fornecendo uma visão valiosa sobre a mentalidade dos EUA e de seus aliados desde o 11 de setembro.
Uma infra-estrutura de tortura foi aplicada, uma prática ainda hoje defendida pelo governo dos EUA, para supostamente proteger a pátria contra ataques futuros.
O resultado foi centenas de inocentes seqüestrados e detidos sem julgamento - "um desastre moral e legal", segundo
The New York Times - e o presidente Obama continua blindando torturadores das administrações anteriores e atuais. Ele comprometeu-se a olhar para frente e não para trás. O atual presidente limitou´se a prorrogar o regime da administração de Bush, em relação à detenção indefinida de suspeitos de terror chamado.
Glenn Greenwald lançou no
Salon fúria necessária sobre essa realidade:
"A idéia de confiar no governo para aprisionar pessoas mantidas sob sigilo, não comprovada evidência nunca analisada por um juiz, deve repelir qualquer pessoa decente ou minimamente racional, mas esses arquivos recém-liberados mostram como é deformada essa política de detenção por tempo indeterminado, especificamente."
No entanto, este impulso autoritário de acreditar em reivindicações não comprovadas pelo governo dos EUA, é exatamente o que muitos nos meios de comunicação vêm fazendo há anos, repetindo sem questionar deliberadamente o que vazou dos arquivos da Inteligência sobre "os piores dos piores" os prisioneiros.
Um exemplo local é o colunista de
The Australian, Chris Kenny, fracassado político socialdemocrata e ex-chefe de gabinete do ex-ministro de Relações Exeriores, Alexander Downer. Durante uma conversa no
Twitter nesta quarta-feira com Paul Barrett, o ex-secretário do Departamento Australiano de Defesa e de Indústrias Primárias e Energia,
escreveu: "Você está discutindo libertar as pessoas que assassinaram milhares" quando Barrett perguntou por que os EUA se recusaram a realizar julgamento justo e aberto para pessoas que nunca tinham enfrentado a justiça.
Na visão de mundo de Kenny, o exército norteamericano tem rotulado centenas de muçulmanos como terroristas, o que é suficientemente bom para ele. O fato de que os arquivos de
Wikileaks mostrem que a grande maioria dos presos de Guantánamo
não tinha nenhuma ligação com o 11 de Setembro e com o terrorismo, pode ser ignorado.
Essa tem sido a posição padrão da maior parte da imprensa corporativa desde o 11 de setembro. Na Austrália, especialmente a imprensa de Murdoch tem rotulado os ex-detentos de Guantánamo, David Hicks e Mamdouh Habib. Isso continuou com Downer, que chamou os homens de " pessoas terríveis, terríveis", talvez porque ele tema o que uma
investigação independente possa encontrar em seu próprio governo uma cumplicidade no longo encarceramento deles.
A jornalista australiana Sally Neighbour, publicou uma
análise alguns dias atrás em que, inadvertidamente, minou seu próprio papel de anos de reportagens enganosas:
"Os processos de Mamdouh Habib e David Hicks revelam a chamada prova usada para justificar a prisão deles como sendo uma mistura confusa, repleta de flagrantes erros factuais e inconsistências, principalmente com a auto-incriminação que não seria admitido em um tribunal de direito, e maculada pela inclusão de informações obtidas sob tortura".
O que a Vizinha convenientemente omitiu de seu relato, foi que os jornalistas e editores ganharam anos seu
jabá,sobre a propaganda confusa de anos lançada pelo governo dos EUA, contra Hicks e Habib, incluindo o
The Australian, e difamando-os constantemente. É evidente que a responsabilidade da mídia não estava na agenda sobre uma década de taquigafria do
estabilishment. O editorial australiano hoje,
a contragosto reconhece a tortura sofrida por Habib e Hicks, mas não pede desculpas por passar anos acusando a ambos de terrorismo.
Felizmente, nesta semana o editorial do
Sydney Morning Herald chamou o tratamento de Hicks e Habib
pelo nome correto, tortura.
Isso fez com que um dos jornalistas mais diligentes e independentes do mundo sobre os detentos da Baía de Guantánamo, Andy Worthington, publicasse as revelações
Wikileaks e destacasse a década
ignorando o precedente legal no fundo do buraco negro cubano e norteamericano, onde inúmeros homens foram torturados e encarcerados.
Ler a obra abundante de Worthington ao longo dos anos, faz o leitor pensar por que os repórteres em maior evidência não investiguem o campo de prisioneiros com um olhar muito crítico. Isso se dá porque, como o ex-funcionário de Bush disse, muitos jornalistas dos EUA queriam ser vistos como
"patrioas" e defendendo os interesses dos EUA. A verdade esteve em um distante terceiro lugar. Guantánamo era um lugar onde as
experiências psicológicas e a tortura eram comuns.
Mas por que razão as últimas revelações
Wikileaks as quais, publicamente, devem ser vistas como uma mera opinião oficial dos EUA ao invés de relatar fatos reais? Ficamos sabendo que os
EUA permitiram vários serviços de Inteligência de países repressivos, a ter acesso aos presos de Guantánamo, incluindo representantes da China, Rússia e Arábia Saudita.
Neste processo altamente danoso, comprometeu-se também a Austrália durante o governo de Howard, quando tal processo emergiu em 2005, em que
autoridades chinesas receberam permissão para interrogar os requerentes do asilo da China, no centro de deenção Sidney Villawood.
Nos anos posteriores ao 11 de setembro (e também antes), os EUA sequestraram suspeitos de terrorismo e enviavam-nos, através de rendições extraordinárias, aos respectivos Estados autoritários, onde esses prisioneiros seriam torturado a fim de se obter informações. Os últimos arquivos de Guantánamo confirmarm que Washington também foi solicitado por regimes repressivos, para auxiliá-los na identificação de pessoas, bem como, provavelmente, ameaçando as famílias deles para volta para casa.
Os arquivos de Wikileaks detalham o tratamento dos EUA ao cinegrafista do
Al Jazeera, Sami al-Hajj, que padeceu, sem acusação, por seis anos em Guantánamo. Agora, pode ser confirmado que ele apenas estava na prisão porque a administração Bush
detestava a rede de notícias com sede em Qatar, e queria obter mais informações sobre sua suposta ligação ao terrorismo. Esta é uma deprimente advertência para empresas de mídia do mundo inteiro.
A resposta do governo Obama para o último despejo de documentos, foi tipicamente orwelliana. Foi dito aos advogados que representam os detidos em Guantánamo, mesmo depois que a imprensa divulgou amplamente os documentos
Wikileaks, que os arquivos
permaneceriam legalmente sob sigilo. O
New York Times destacou perfeitamente o problema:
"Joseph Margulies, professor de Direito da
Northwestern que representa
Abu Zubaydah, o detido acusado de ser facilitador terrorista que sofreu afogamento simulado pela
Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), disse que ele não poderia comentar as recentes divulgações sobre seu cliente, o que está postado no
sítio do Times. "Todo mundo pode falar sobre isso", disse o sr. Margulies. "Mas eu mesmo não posso falar sobre isso".
Embora
Wikileaks, em si, não fosse o foco principal deste lançamento (
apenas resumidamente, de qualquer maneira), mais uma vez se provou a força do sítio de denúncias. As organizações noticiosas ocidentais foram forçadas a colaborar com uma organização com equipe relativamente pequena e de de pouco orçamento. A questão óbvia permanece, por que
The New York Times,
The Washington Post e
The Guardian não receberam o furo através de suas próprias investigações?
Se o ex-soldado do Exército dos EUA, Bradley Manning, foi quem vazou as informações - o presidente Barack Obama já disse que Manning é culpado, afetando, sem dúvida, qualquer julgamento em potencial - que proporcionaram ao mundo uma visão valiosa sobre a tirania de uma superpotência, ele é um patriota no sentido mais verdadeiro da palavra.
Vazamento do WikiLeaks Revela que Tribunal Espanhol Foi Pressionado pelos Estados Unidos
30.11.2011 / Fonte: TelesurTradução de Edu MontesantiDocumentos vazados pelo sítio
Wikileaks revelaram que o governo dos EUA pressionou a Justiça da Espanha, a fim de interromper um processo judicial envolvendo alguns agentes de inteligência militar dos EUA.
Wikileaks publicou um documento que comprova que a audiência da Espanha recebeu cartas e pareceres do então embaixador dos EUA, Eduardo Aguirre, entre 2005 e 2009.
Durante esses anos, os EUA expressaram sua intenção de paralisar o processo sobre violações dos direitos humanos na prisão ilegal da base naval de Guantánamo, no sudeste de Cuba, criada em 2002 para os suspeitos de terrorismo, para a Guerra no Iraque assim como para sequestros e voos secretos da Agência Central de Inteligência (CIA).
O sítio informou que os Estados Unidos ofereceram uma cifra de 85 mil dólares por prisioneiro em Guantánamo.
O ministro de Justiça espanhol, Francisco Caamaño, negou terça-feira que Washington ofereceu dar à Espanha soma em dinheiro pela hospedagem de prisioneiros em Guantánamo, como garantem os documentos vazados pelo sítio.
Caamaño disse não haver provas de que os EUA mantiveram contato com as autoridades espanholas.
A correspondente da
Telesur na Espanha, Hilda Salas, disse que o governo espanhol tem se mantido em silêncio no que diz respeito aos documentos vazados pelo sítio, os quais também revelam que os Estados Unidos pediram que a ação movida por um juiz espanhol pela morte do repórter espanhol, José Couso, não seja levada à cabo.
Couso morreu em Bagdá, capital do Iraque,em 8 de abril de 2003, sob fogo de tanques norteamericanos.
Os documentos que vazaram por WikeLeaks com a embaixada espanhola, fiscais dos EUA na Espanha para interromper um processo judicial em que a nação americana está envolvido.
Salas disse que quando se revelam informações como essa que "deixa uma potencial vulnerabilidade colocado entre a imparcialidade dos juízes (...) Descobre-se a desconfiança da Justiça espanhola".
Ela disse também que as organizações sociais na Espanha estão exigindo exoneração do cargo de alguns funcionários envolvidos nesses casos, entre os quais o procurador-geral Cândido Conde-Pumpido, e vários procuradores da Audiencia Nacional, especialmente o chefe, Javier Zaragoza.
"Estão pedindo explicações e não sei qual a reação do governo", disse a repórter.
A família do jornalista José Couso anunciou que está ponderando medidas legais com seus advogados, a fim de processar as possíveis atitudes da Justiça espanhola.
Javier Couso, irmão do jornalista, considerou que o desempenho do governo espanhol em relação aos pedidos dos EUA de "deixar de lado" o processo, constitui um "exemplo de servidão e submissão" da Espanha em relação à administração dos EUA.
Neste domingo, o
Wikileaks, que se define como "um sítio que publica denúncias anônimas e documentos contendo delicados assuntos religiosos, corporativos ou governamentais, preservando o anonimato de suas fontes", vazou 250 mil documentos.
A maioria dos escritos revela que as embaixadas dos EUA na América Latina e no resto do mundo funcionam como centros de vigilância sobre as ordens do Departamento de Estado dos EUA.
WikiLeaks: Japão Foi Avisado sobre Deficiência na Segurança das Usinas
16.3.2011 / Fonte: SZRD InternacionalO governo japonês foi alertado, há mais de dois anos, que as regras de segurança das centrais nucleares estavam fora de data e fortes tremores poderiam causar "um problema grave". A informação está em telegramas oficiais obtidos pelo site Wikileaks e publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "The Telegraph".
Um funcionário da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que em dezembro de 2008 a segurança das usinas nucleares japonesas estavam desatualizadas. O governo do Japão havia se comprometido a aumentar a segurança em todas as usinas, segundo o Wikileaks.
Os avisos sobre a segurança das usinas nucleares no Japão, um dos países sismologicamente ativos do mundo, foram abordados durante uma reunião sobre segurança nuclear do G8 e do Grupo de Segurança em Tóquio, em 2008.
Ainda no documento divulgado pelo Wikileaks, um funcionário da AIEA explicou que os guias de medidas para segurança sísmica só foram revistos por três vezes nos últimos 35 anos e que a agência está reexaminando agora.
Desde o terremoto com magnitude 9,0 de sexta-feira, a usina nuclear Fukushima Daiichi 1, no nordeste do Japão, sofreu quatro explosões e dois incêndios. A situação espalhou uma onda de medo sobre uma possível contaminação radioativa no país.
Visa e Mastercard: Beneficiários do Lobby do Departamento de Estado Norteamericano
8.12.2010 / Fonte: Wikileaks.chTradução de Edu MontesantiTanto
Visa quanto
Mastercard, receberam apoio lobbista do Departamento de Estado sob o governo do presidente Barack Obama, revela o mais recente lançamento do
Cablegate.
Um cabo da embaixada de Moscou, datado de 1° de fevereiro de 2010, traz os detalhes de uma nova lei de processamento de cartão russo, para o qual a embaixada disse ser "desvantajoso aos negócios dos EUA", e pediu que autoridades dos EUA tomem medidas. (
Clique aqui).
"Essa proposta de lei segue causando prejuízos aos cartões de crédito norteamericanos, os líderes de mercado
Visa e
MasterCard, "se estes aderem ou não ao Sistema de Cartão de Crédito Nacional", disse.
A Rússia considerou a possibilidade de implementar um novo sistema de crpeditos (chamado NPCs), o que criaria um novo processador de pagamentos executados pelos bancos estatais russos. Este lideraria todo o processamento de bancos domésticos no país.
"As taxas para esses serviços estão estimadas em 120 bilhões de rublos (moeda russa, 4 bilhões de dólares norteamericanos) por ano ... a grande maioria dos negócios da
Visa na Rússia é feita com os cartões emitidos e utilizados na Rússia, com os rendimentos do processamento indo para os NPCs,e a
Visa deixaria de lucrar com essas operações".
Ao discutir as possíveis causas da legislação restritiva, um alto funcionário da Visa no país disse à embaixada que acredita que a mudança se devia a suspeitas russas de que
Visa e
Mastercard passavam informações ao governo dos EUA.
"[Editado] acredita que, pelo menos como vice-ministro, as mãos de MinFin estão atadas. Acontece que os serviços de segurança russos estavam por trás desta decisão, [editado] disse: 'Há alguns segredos (governo) a fim de que ninguém seja visto, mas todos tenham de cumpri-la'. "Conforme descrito, a empresa de cartão de crédito e os representantes do banco disseram.nos que funcionários do GOR (governo da Rússia), aparentemente, afirmam que os sistemas de pagamentos dos EUA, frequentemente, vazam dados relacionados às transações de pagamento realizadas pelos portadores dos cartões da Rússia, aos serviços de inteligência dos EUA de outros países. "
O agente económico da embaixada, Matthias Mitman, concluiu o cabo instando a medidas.
"Enquanto o projeto de lei ainda tem de ser apresentado à
Duma (Assembleia Nacional russa) e ainda pode ser alterado, continuaremos manifestando nossas preocupações aos altos funcionários do GOR", disse ele.
"Recomendamos que os dirigentes do
USG (Governo Federal norteamericano) aproveite bem as reuniões com seus colegas russos, inclusive através da Comissão Bilateral Presidencial, para pressionar o GOR a alterar o texto do projecto, além de garantir que as empresas de cartões de crédito dos EUA não sejam prejudicadas".
Lista de Compras Secretas do Império dos EUA
5.12.2010 / Fonte: WikiLeaks.chTradução de Edu MontesantiDiplomatas dos EUA foram convidados para, secretamente, recolher informações sobre o estado - e as vulnerabilidades - de infra-estruturas e recursos essenciais nos países de anfitriões, revelam novos materiais dos cabos da Embaixada.
O cabo, enviado em 18 de fevereiro de 2009 e lançado pela
WikiLeaks hoje, contém a primeira versão da lista Iniciativa de Dependências Estrangeiras Críticas, "Infraestruturas Críticas e Recursos-Chave". Ela contém todos os sítios estrangeiros considerados de importância crucial para o governo dos EUA. Detalha uma longa lista de instalações, muitas delas obscuras, que os EUA possuem ao redor do mundo, as quais o governo norteamericano percebe se tratar de vitais para suas operações, com especial foco no combate à guerra.
Instalações como a Associação de Oleodutos de Gás
Nadym (
Nadym Gas Pipeline Junction) na Rússia estão incluídas, essa descrita como "a instalação de gás mais importante do mundo". MacTaggart Scott na Escócia é apontada como "fundamental para o navio nuclear submersível", enquanto, no Iêmen, a
Bab al-Mendeb é um "nó crítico da cadeia de fornecimento".
Funcionários da Embaixada são solicitados a fornecer informações básicas sobre todas as instalações que julguem ser necessariamente adicionadas à lista, além de "qualquer informação sobre as condições no país que levem a acreditar que a CI / KR [
Infraestrutura Crítica / Recursos-Chave] é um alvo em potencial, ou particularmente vulnerável devido a circunstâncias naturais". Em mais um golpe para as recusas do Departamento de Estado a que os funcionários de sua Embaixada participem de atividades de recolhimento de informações, os cabos revelm que "postagens
não estão sendo solicitadas a fim de consultar os governos anfitriões com relação a este pedido".
O cabo que contém a resposta da Embaixada do Qatar a este pedido, enviado em 26 de março de 2009, mostra as informações detalhadas e atenção para os sítios na lista. Ressalta também quais medidas os EUA estão tomando para proteger tais instalações no exterior, incluindo a ajuda de oferta ou subvenções, ou promovendo uso de serviços dos EUA e da tecnologia como medidas de segurança. O documento, assinalado como SECRET NOFORN, foi colocado na SIPRNet, uma rede tida como acessível por um número estimado de 2,5 milhões de empregados do setor civil, militar e privado.
O porta-voz do
WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse:
"O mais recente lançamento dos cabos da Embaixada, revela que embaixadas dos EUA foram convidadas a reunir informações sobre infraestrutura e recursos, sem prévio conhecimento ou consulta dos governos que as acolhem.
"Isto joga por terra ainda mais as alegações feitas pelo governo dos EUA de que os funcionários de sua Embaixada não desempenham um papel de inteligência.
"Em termos de problemas de segurança, enquanto tal cabo detalha a importância estratégica dos alvos em todo o mundo, não apresentam qualquer informação sobre sua localização exata, sobre as medidas de segurança, vulnerabilidades ou quaisquer outros fatores semelhantes - embora ele revele, sim, que os EUA pediram a seus diplomatas que apresentem um relatório sobre esses assuntos.
"Este cabo foi vazado, como o resto dos cabos da Embaixada, disponíveis para 2,5 milhões de pessoas incluindo funcionários do setor civil, militar e privado - uma distribuição muito vasta de informações classificadas de alta importância, relatando muitos governos estrangeiros".
Veja lista completa, clique
aquiA Estratégia da CIA para Manipular a Opinião Pública Europeia Quanto à Guerra no Afeganistão —
Revelações de um Documento Ciático
por Tom Burghardt*, 30.3.2010 / Fonte: Resistir.infoDesde o seu lançamento em 2007, o sítio web de denúncias WikiLeaks tem sido sujeito a "atos hostis" de serviços de segurança estatais e privados por revelar casos de crime, corrupção e violência perpetrados na profundidade dos estados capitalistas.
Mas ao invés de se acovardar com as ameaças do governo ou atos abertos de violência, incluindo o assassinato de dois promotores dos direitos humanos em Nairobi, em março último, os quais proporcionaram aos denunciantes relatórios sobre matanças extrajudiciais da polícia do Kenya, WikiLeaks virou a mesa sobre a CIA.
Em 26 de Março, o grupo publicou um
documento notável que esboça a estratégia da Agência para manipular a opinião pública europeia sobre o apoio declinante à guerra no Afeganistão.
O documento classificado como "Confidential/NOFORN" (No Foreign Nationals) de 11 de Março de 2010 intitula-se "Afeganistão: Sustentar o apoio da Europa Ocidental para a Missão conduzida pela OTAN – Por que contar com a apatia pode não ser suficiente" ("Afghanistan: Sustaining West European Support for the NATO - led - Mission -- Why Counting on Apathy Might Not Be Enough").
Preparado pela
Red Cell da CIA, a entidade é descrita no texto como uma sub-unidade da Agência "encarregada pelo Diretor de Inteligência de adotar uma abordagem 'pronta para ser usarda que provocará [mudança de] ideias e apresentará um ponto de vista alternativo sobre todo o conjunto de questões analíticas".
Segundo a equipe WikiLeaks, "As estratégias propostas centram-se em pontos de pressão que foram identificados dentro desses países. Para a França, é a simpatia do público para com refugiados e mulheres afegãs. Para a Alemanha, é o medo das consequências da derrota (drogas, mais refugiados, terrorismo) bem como para a posição da Alemanha na OTAN. O memorando é uma receita para a manipulação dirigida da opinião pública em dois países aliados da OTAN, escrito pela CIA".
Curiosamente, num eco do capitalismo real e não imaginado, com conteúdo social vivo, a CIA evoca à
sociedade do espectáculo de Guy Debord. Afinal de contas, foi Debord quem, ao comentar acerca da capacidade das sociedades contemporâneas de produzir e reproduzir um mundo monstruoso "mediado por imagens", primeiro identificou os media como o locus central para administrar a própria realidade.
O melhor e mais brilhante novo conselho dos mestres políticos dos EUA em Langley, sustenta que embora a "apatia" possa ser aos seus aliados mais forte ao travar a infindável "guerra ao terror", não se pode contar com ela indefinidamente para apoiar o projeto imperial.
Contraste à evocação da CIA da "apatia" como ferramenta para travar a guerra, a percepção de Debord de que "o espectáculo (...) exprime nada mais que sua vontade de dormir. O espetáculo é o guardião daquele sono". Alguém pode acrescentar que o proposto assalto da Agência à mídia [para manipular] a opinião pública ocidental está sendo preparada precisamente para garantir que as massas continuem sonolentas.
França e Alemanha: Rumo à saída?
A queda, no mês passado, do governo holandês devido ao seu apoio contínuo à ocupação do Afeganistão conduzida pelos EUA, foi uma campainha de despertar para Washington.
A notícia foi recebida com desgosto pelos partidários da intervenção afegã, e pelos os seus sicofantas da mídia. O
New York Times informou a 21 de fevereiro, que quando fracassou o esforço final para manter as tropas holandesas no Afeganistão isto imediatamente levantou "temores de que a coligação militar ocidental a travar a guerra estava cada vez mais em risco".
Quando forças estadounidenses e britânicas intensificavam operações por todo o teatro do Afeganistão, lançando ataques assassinos e indiscriminados com aviões sem piloto no Paquistão e "matanças direcionadas" e massacres ali, o espectro de um recuso significativo por parte dos governos francês e alemão fez soar campainhas de alarme no Pentágono.
A retirada planejada para dezembro de cerca de 2 mil soldados holandeses da International Security Assistance Force (ISAF), sem dúvida prejudicaria os trabalhos em andamento. Os holandeses atualmente operam na inquieta província sulista de Oruzgan, a norte das fortalezas do Taliban, nas províncias de Helmand e Kandahar onde importantes operações militares estão em curso; sua partida iminente, alterará significativamente os planos da OTAN.
Embora a história de cobertura para a intensificação de operações no Afeganistão por parte de Washington seja ostensivamente destruir a base de dados afegã-árabe dos descartáveis ativos de inteligência ocidentais conhecidos como al-Qaeda, e travar a avalanche de drogas de atingir os consumidores ocidentais, isto é e sempre foi um ridículo conto de fadas.
Como sabemos através de incontáveis investigações e revelações ao longo de décadas, desde o Vietnã até Watergate, e desde o caso Irã-Contras à infindável "Guerra ao terror", o comércio internacional de drogas é a criada de serviço das campanhas de contrainsurgência do Pentágono, de operações da CIA e da violência das elites por todo o mundo.
O
New York Times informou a 21 de março que as lucrativas plantações de ópio do Afeganistão já não são um objectivo das operações militares. Segundo o Times, a posição dos militares é clara: "As forças dos EUA já não erradicam", como afirmou um oficial da OTAN. O ópio é o principal meio de vida de 60 a 70 por cento dos agricultores em Marja, a qual foi tomada pelos rebeldes talibans em uma grande ofensiva no mês passado. O fuzileiros navais americanos que ocupam a área têm ordens para deixar incólumes os campos dos agricultores".
Mas com os maiores atores do jogo da droga no Afeganistão ligados a aliados próximos dos EUA no governo Karzai, o significado implícito é claro. Como há muito argumentaram os analistas Michel Chossudovsky e Peter Dale Scott, as intervenções americanas tendem a administrar, não a eliminar os fluxos globais de drogas, favorecendo narcotraficantes que cooperam enquanto aponta para a destruição dos que não cooperam.
Como informou Scott em janeiro no
Global Research , nada menos que Antonio Maria Costa, o chefe do Gabinete de Drogas e Crime das Nações Unidas, afirmou que "o dinheiro da droga, no valor de milhares de milhões de dólares, manteve o sistema financeiro flutuando na altura da crise global [de 2008]". Na verdade, Costa disse a
The Observer em dezembro último, que viu a evidência de que "no ano passado, as receitas do crime organizado foram 'o único capital líquido de investimento' disponível para alguns bancos à beira do colapso".
E como revelou
Chossudovsky em 2005, de acordo com um relatório do Senado dos EUA, "uns US$500 mil milhões a US$1 milhão de milhões em receitas criminosas são lavados através dos bancos em todo o mundo a cada ano, com cerca da metade daquela quantia movimentada através de bancos dos Estados Unidos".
Acima de tudo, a estratégia da CIA é destinada a deter qualquer tentativa de cidadãos da Europa de encurralar os seus governos e forçá-los a finalizar a sua participação nos esforços efetuados pelos EUA para recolonizar a Ásia Central e do Sul.
Um abalo, comentou Julian Lindley-French, professor de Estratégia de Defesa da Academia Holandesa de Defesa, em Breda, ao New York Times: "Se os holandeses se vão, a implicação de tudo isso é que podia abrir as portas para outros europeus dizerem também, 'Os holandeses estão indo embora, nós também podemos'."
Dados estes sentimentos, a CIA e o Pentágono voltar-se-ão para "outros meios", a fim de impedir os seus parceiros da OTAN de rumar para a saída.
Uma operação cínica dos media
As operações da CIA com a mídia, está em plena consonância com os objetivos e métodos utilizados pelos planeadores da guerra dos EUA. Na verdade, a manipulação da opinião pública por batalhões de especialistas em relações públicas, pesquisadores de opinião e antigos oficiais de alta patente, muitas vezes empregados por corporações gigantes da defesa e da segurança como "matilhas de caça", são parte do exército secreto do estado de "multiplicadores de mensagens de força".
Que tais operações têm consequências desastrosas para o funcionamento de democracias, para não mencionar as vítimas da OTAN, não pode se suficientemente enfatizada. Para assegurar que as bombas continuem caindo ,e que o controle ocidental sobre o acesso as reservas vitais de gás e petróleo da Ásia Central continue, a opinião pública, tratada como uma frente essencial da "batalha do espaço" imperial, deve ser "adoçada".
Consequentemente, a CIA descobriu que "a baixa importância pública da missão no Afeganistão permitiu aos líderes franceses e alemães ignorarem a oposição popular e aumentarem firmemente as suas contribuições de tropas para a International Security Assistance Force (ISAF). Berlim e Paris atualmente mantêm o terceiro e quarto mais alto nível de tropas na ISAF, apesar da oposição de 80 por cento dos alemães e franceses a deslocações acrescidas para a ISAF, segundo inquérito do INR no fim de 2009".
O inquéritos do Escritório de Inteligência e Pesquisa (Bureau of Intelligence and Reserarch, INR) do Departamento de Estado descobriram:
Apenas uma fração (0,1-1,3 por cento) dos inquiridos franceses e alemães identificaram o "Afeganistão" como a questão mais urgente confrontada pelo seu país em uma pergunta aberta, segundo o mesmo inquérito. Este público classificou "estabilizar o Afeganistão" entre as mais baixas prioridades para os líderes dos EUA e da Europa, segundo inquéritos efetuados pelo German Marshall Fund (GMF) ao longo dos últimos dois anos.
Segundo o inquérito INR no fim de 2009, a visão de que a missão no Afeganistão é um desperdício de recursos e "problema não é nosso" foi citado como a razão mais comum de oposição à ISAF por alemães perguntados, e foi a segunda razão mais comum para franceses questionados. Mas o sentimento de que "o problema não é nosso" também sugere de que, até então, enviar tropas para o Afeganistão ainda não é um problema da maior parte dos eleitores. (CIA Red Cell, Afghanistan: Sustaining West European Support for the NATO-led Mission--Why Counting on Apathy Might Not Be Enough, 11 March 2010).
"Se algumas previsões de um verão sangrento no Afeganistão se verificarem", escrevem os planeadores da CIA, "o desgosto passivo de franceses e alemães com a presença das suas tropas poderia tornar-se hostilidade ativa e politicamente potente. O tom do debate anterior sugere que um aumento de baixas francesas ou alemães ou baixas de civis afegãos poderia tornar-se um ponto de viragem na conversão de oposição passiva em apelos ativos para a retirada imediata".
Isso deve ser evitado a todo custo. Cinicamente, os analistas da CIA concluem que "mensagens precisas poderiam evitar, ou pelo menos conter a reação adversa".
Ao olhar as coisas sobre a região, a CIA terá que manipular muito a fim de consertar o pretexto desgastado da OTAN para a intervenção no Afeganistão.
Como revelou a 13 de março uma investigação do jornalista Jerome Starkey em
The Times, "um ataque noturno executado por pistoleiros estadounidenses e afegãos, levou à morte de duas mulheres grávidas, uma adolescente e dois responsáveis locais numa atrocidade que a OTAN a seguir tentou encobrir".
Segundo Starkey, quando pormenores do ataque vieram à luz, oficiais da OTAN afirmaram que a força havia descoberto os corpos das mulheres "amarrados, amordaçados e mortos" em uma sala, dando a entender que os pavorosos assassinatos foram obra de insurgentes.
"Uma investigação do Times ", escreve Starkey, "sugere que as alegações da OTAN são deliberadamente falsas ou, no mínimo, enganosas. Mais de uma dúzia de sobreviventes, oficiais, chefes de polícia e um líder religioso entrevistados nas proximidades da cena do ataque afirmaram que os perpetradores foram pistoleiros estado-unidenses e afegãos. A identidade e o estatuto dos soldados é desconhecida".
Tal como o guião do lançamento de qualquer novo produto, ou movimento para aumentar o interesse em uma mercadoria existente, os nichos de consumidores, as opiniões públicas francesa e alemã quanto à intervenção no Afeganistão estão agora sujeitas a uma estratégia de marketing dirigida pela CIA.
Consequentemente, desde que o inquérito INR descobriu que "os franceses [estão] centrados em civis e refugiados", analistas da CIA afirmam que "citar exemplos de ganhos concretos poderia limitar ou talvez até mesmo reverter a oposição à missão. Tais mensagens precisas poderiam causar acentuadas preocupações francesas com civis e refugiados". Na verdade, a percepção de que "contraditar o 'ISAF faz mais mal do que bem', é claramente importante, especialmente para a minoria muçulmana da França".
Tais construções cínicas são ainda mais notáveis quando se considera que "a minoria muçulmana da França" é acusada pelo estado francês, por seus apoiantes de extrema-direita e pelos guerreiros secretos americanos como uma verdadeira "quinta coluna" a ser estreitamente vigiada e, quando necessário, reprimida temendo que um alegado "contágio islâmico" ganhe raízes no coração da própria Europa!
Quanto a isso, "mensagens que dramatizem as consequências adversas potenciais de uma derrota da ISAF para civis afegãos poderiam alavancar [o sentimento] de culpa de franceses (e outros europeus) por abandoná-los. A perspectiva do Taliban a repelir progressos duramente conquistados na educação de meninas poderia provocar a indignação francesas, tornar-se um ponto de aglutinação para o público amplamente não religioso da França e dar aos eleitores uma razão para apoiar uma causa boa e necessária apesar das baixas".
Não importa que os senhores da guerra e a coligação islamita/mafiosa que inclui o governo Karzai, como documentado por inúmeras organizações de direitos humanos e pelas próprias mulheres afegãs, tais como a expulsa deputada Malalai Joya, tenham descoberto que as mesmas condições brutais contra as mulheres persistam hoje sob o retrógrado regime Taliban apoiado pelos EUA/Paquistão da década de 1990.
Para os alemães, contudo, serão jogadas as cartas xenófobas e nacionalistas. "Mensagens que dramatizem as consequências da derrota da OTAN para interesses específicos alemães, poderiam conter a percepção generalizada de que o Afeganistão não é um problema da Alemanha. Mensagens, por exemplo, que ilustrem como uma derrota no Afeganistão poderia aumentar a exposição da Alemanha o terrorismo, ópio e refugiados poderiam ajudar a fazer a guerra mais palatável para os cépticos".
Além disso, os analistas da CIA ressaltam que "a ênfase sobre aspectos multilaterais e humanitários da missão poderiam ajudar a facilitar as preocupações alemãs sobre travar qualquer espécie de guerra enquanto apelaria ao seu desejo de apoiar esforços multilaterais. Apesar da sua alergia a conflitos armados, os alemães viveram desejosos de romper precedentes, e utilizar a força nos Balcãs na década de 1990 para mostrar o compromisso para com os seus aliados da OTAN. Os inquiridos alemães mencionaram a ajuda aos seus aliados como uma das mais convincentes razões para apoiar a ISAF, segundo um inquérito INR, no fim de 2009".
Considerando que os aliados EUA/OTAN saltaram para dentro dos Balcãs só quando ficou claro que o imperialismo alemão, sob o governo em bancarrota de Helmut Kohl, pretendia destruir o estado socialista multicultural da Iugoslávia, e assim o fez só para não ser deixar para trás por um ressurreto estado unificado alemão com os olhos claramente centrados em mercados lucrativos da Europa do Leste, trata-se de, notavelmente, reescrever da história!
Outra carta com a qual a CIA pretende jogar é a alegada "confiança dos públicos francês e alemão na capacidade do presidente Obama para manusear os assuntos estrangeiros em geral e o Afeganistão em particular".
Na verdade, os apelos do novo capo de tutti capo dos EUA "sugerem que seriam receptivos à sua afirmação directa da sua importância para a missão do ISAF – e sensíveis a expressões directa de desapontamento para com aliados que não ajudam". Tais apelos directos do Padrinho global "podem proporcionar pelo menos alguma alavancagem para manter as contribuições à ISAF".
Dados do inquérito GMF mencionados pela CIA revelam que "quando aos inquiridos foi recordado que o próprio presidente Obama havia pedido deslocações de tropas acrescidas para o Afeganistão, o seu apoio à aceitação desta solicitação aumentou dramaticamente, de 4 para 15 entre perguntados franceses e de 7 para 12 entre alemães. As percentagens totais podem ser pequenas mas elas sugerem sensibilidade significativa quanto a desapontar um presidente que é encarado em sincronia com as preocupações europeias".
Outra bala explorável mencionada pela CIA são as mulheres afegãs. Consequentemente, estas "poderiam servir como as mensageiras ideais para humanizar o papel da ISAF no combate ao Taliban devido à capacidade que têm para falar pessoalmente e com credibilidade acerca das suas experiências sob o Taliban, suas aspirações em relação ao futuro e os seus temores de uma vitória Taliban".
Contudo, como destaquei acima, apenas algumas "mulheres afegãs" seria consideradas como "mensageiras ideais" nestas operações nos media. As de esquerda, feministas ou outras críticas do regime Senhores da Guerra-Máfia-Islâmicos de Karzai seriam, por definição, excluídas de tais fóruns. Para as poucas escolhidas que passam na revista, "iniciativas de envolvimento que criem oportunidades nos media para mulheres afegãs partilharem suas histórias com mulheres francesas, alemãs e outras da Europa poderia a ajudar a ultrapassar o cepticismo difuso entre as mulheres da Europa Ocidental quanto à missão ISAF".
Conclusão
Os Estados Unidos e seus aliados da OTAN estão deparando-se com a resistência firme no Afeganistão. A fim de reforçar o apoio político de cépticos cidadãos norte-americanos e europeus, a CIA e os seus "amigos" entre os conglomerados de gigantes dos media estão removendo todos os entraves.
A publicação deste documento analítico da CIA pela Wikleaks proporciona ao movimento antiguerra uma visão de como o imperialismo pretende vender ao público a infame guerra afegã.
Contraestratégias que potencializem este conhecimento podem em princípio proporcionar munições aos críticos que desafiam directamente a propaganda americana, desarmar os sicofontas académicos, nos media e na política e, ainda mais importante, descarrilar a política de travar guerras agressivas e "antecipativas" no futuro.
[*] Investigador residente em San Francisco. Seus artigos são publicados em Covert Action Quarterly, Global Research, Dissident Voice , The Intelligence Daily , Pacific Free Press , Uncommon Thought Journal , Antifascist Calling...
e no sítio web Wikileaks.
É o editor do livro Police State America: Us Military 'Civil Disturbance' Planning .
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=18376Retornar à
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Crônicas / Questões Internacionais
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IV. ARQUIVO - Os Noticiários Mundiais
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V. TERRORISMO DE ESTADO - A Invasão Norte-Americana ao Iraque
VI. O 11 DE SETEMBRO DE CADA DIA DO AFEGANISTÃO
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VII. SANEAMENTO PÚBLICO - ONDE JOGAR TANTO LIXO HUMANO?
VIII. ANISTIA INTERNACIONAL - Uma Questão de Liberdade
IX. ÉTICA NA TV - Uma Questão de Liberdade
X. HUMAN RIGHTS WATCH - Uma Questão de Liberdade
XI. GOLPES MILITARES NA AMÉRICA LATINA
XII. HISTÓRIAS MUNDIAIS
XIII. ENAS NAFFAR: OLHAR SOBRE O ORIENTE MÉDIO - Visão Palestina no Blog
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XIV. CULTURA & ARTE AFEGÃ
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XV. O BRASIL NO ESPELHO - Crônicas
XVI. Especial: TERRORISMO
Grupos
Estados
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Religiões
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Trabalho
XVII. IDIOMAS
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Italiano
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Português
XVIII. WIKILEAKS
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América Latina
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Oriente Médio
XIX. MALALAÏ JOYA - A Mulher Mais Corajosa do Afeganistão
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XX. PÁTRIA GRANDE PORTENTOSA - Paisagem & Cultura Latina
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XXI. AVÓS DA PRAÇA DE MAIO - Uma Voz por Liberdade na Argentina
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XXII. MISSÃO CUMPRIDA, POR EDU MONTESANTI
XXIII. POEMAS - Uma Questão de Liberdade
XXIV. MEIO AMBIENTE, ESPORTE & SAÚDE
XXV. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Nacionais
XXVI. CONTRACAPA: CURTINHAS - Notícias Internacionais
XXVII. MENTIRAS E CRIMES DA "GUERRA AO TERROR", E O JORNALISMO BRASILEIRO MANCHADO DE SANGUEXXIX. ARQUIVO: CONTRACAPA - NacionalPágina 1Página 2XXX. ARQUIVO - CONTRACAPA - InternacionalPágina 1Página 2XXXI. EDU MONTESANTI IN ENGLISH: A MATTER OF FREEDOM
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